Folhas Caídas e Flores sem Fruto (uma seleção) Ninguém: que é preciso amar Como eu amei - ser amado Como eu fui; dar, e tomar Do outro ser a quem se há dado, Toda a razão, toda a vida Que em nós se anula perdida.
Mergulha na leitura destas duas coletâneas, separadas por um período de dezasseis anos da vida do poeta (1853 e 1837, respetivamente), de onde foram selecionados alguns dos poemas mais expressivos e representativos da produção lírica garrettiana.
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
Ora bem mais uma leitura para a faculdade terminada. E desta vez estou muito contente, porque gostei muito deste livro, o que me surpreendeu, pois não sou muito fã de poesia. Até agora já li 3 livros de Almeida Garrett, "Dona Branca", "Viagens na minha terra" e "Folhas Caídas e Flores sem Fruto", mas o único que posso dizer que gostei e que a leitura foi agradável é este. Neste livro encontramos retratadas várias caracteristicas do romantismo português, o tema do amor, mas um amor que magoa, é o tema mais presente neste livro. Também encontramos muitas alusões ao horror, como associações à morte. Temos muito presente a diferença entre mulher anjo e mulher demónio. Todas estas características tornam os poemas, talvez até um pouco mais atuais, já que descreve a mulher de uma forma que não era comum naquela época.
"Folhas Caídas e Flores Sem Fruto" são, na verdade, dois livros reunidos num só volume, sendo "Folhas Caídas" o primeiro livro a aparecer e "Flores Sem Fruto" o livro que encerra o volume (apesar de, cronologicamente, ter sido este o primeiro a ser composto por Almeida Garret). Esta organização cronologicamente inversa em "Folhas Caídas e Flores Sem Fruto" deve-se a algo que ressaltou aos olhos dos académicos e que, facilmente, se confirma para qualquer outro leitor: "Folhas Caídas" é de uma beleza e genialidade tais que merece ser destacado face a "Flores Sem Fruto", composição de poemas que denunciam um Almeida Garret dezasseis anos mais novo e, consequentemente, menos "apurado" e marcante (ainda que belo no seus próprios termos). "Folhas Caídas" afirma-se, assim, como a estrela do volume e, arrisco-me a dizer, da poesia romântica portuguesa, trazendo a qualquer leitor a dor e o amor que fazem parte da condição humana e que tantas vezes hostilizamos. Belíssimo!
"Como a abelha corre ao prado, Como no céu gira a estrela, Como a todo o ente o seu fado Por instinto se revela, Eu no teu seio divino . Vim cumprir o meu destino... Vim, que em ti só sei viver, Só por ti posso morrer."
Um bom compêndio de poesia garrettiana para fãs do Romantismo, algo que eu, claramente, não sou. Escapam o "Quando eu Sonhava" do Folhas Caídas e o "As Minhas Asas" do Flores Sem Fruto.
Para quem não é muito de poesia, ler dois livros de poemas seguidos é um recorde! Brincadeiras à parte e sem querer repetir aquilo que já disse em vários posts, ler a nossa literatura é importante. O que têm em comum estes autores de que tenho falado? O facto de que o nosso primeiro contacto com as suas obras / trabalho aconteceu enquanto estudantes. E nessa fase da nossa vida nem sempre é fácil gostar ou apreciar este género de obras, uma vez que estas são praticamente "impostas" pelo programa curricular de português. Tendo isto em conta, considero que é muito mais fácil ler estes autores quando e se realmente surgir o interesse. Em contraste com Almeida Garrett, cuja poesia está repleta de imagens românticas, Cesário Verde é o poeta do real, subvertendo ao sabor da imaginação imagens tanto da cidade como do campo, entre os quais sempre se repartiu a sua vida; retrata ainda alguns momentos dolorosos, sendo um dos poetas cujo trabalho foi publicado postumamente num único livro. Ainda assim, vale a pena ler os seus longos poemas, acelerados monólogos cuja vivacidade não chega para conter todas as imagens e emoções.