Uma análise lúcida e fundamentada sobre a geopolítica internacional por um dos comentadores políticos mais respeitados do país.
A guerra continua a ser possível na Europa. O poder é o que sempre foi a força mais importante. O que está a acontecer no mundo? Porquê?
Partindo do passado para a exploração do presente e dos possíveis futuros, Miguel Monjardino, especialista em geopolítica e geoestratégica, explica as razões do desequilíbrio do sistema internacional, analisa os mais importantes factos da geopolítica e antecipa o que se pode esperar em Portugal e no mundo.
Por onde irá então a história? A fixação no presente e a desvalorização do passado é, hoje em dia, um dos principais obstáculos intelectuais à compreensão do nosso tempo. Acreditamos que vivemos um momento único na história. Na realidade, Portugal e os países europeus já viveram períodos semelhantes. Assim, o conhecimento do passado histórico é crucial para a escolha e decisão sobre possíveis futuros. Precisamos de um novo mapa conceptual para avaliarmos os acontecimentos internacionais.
Este é até agora o melhor livro que li este ano, e que mais desejava ler. Conquanto sinto uma pequena traição.
Por qualquer razão estava com a ideia que o Professor Miguel Monjardino iria nos apresentar a versão portuguesa do "Iluminismo Agora" de Steven Pinker, mas na geopolítica. Afinal é uma coleção de artigos, organizados tematicamente, desde que começou a escrever na área de política internacional como colunista.
Os artigos, aliás, todo o livro, é uma aula de relações internacionais e não serve só para ler de uma ponta a outra, também serve para consultar e seguir referências e linhas de pensamento. Tragam o vosso bloco de notas!
Monjardino falou neste livro e no podcast "Desordem Mundial", d'O Público, que abordava a política não só por uma especialidade, mas por outras, como a área da engenharia, invocando as leis da termodinâmica. Basicamente usa esta abordagem para justificar o caos criado pelos vários eventos da política internacional. Na prática, esta "abordagem" parece nada mais que um "número" ou um "shtick" de marketing ao livro, para criar alguma curiosidade.
Foi mais devido a este "shitck" que pensava que iria ler o tal "Iluminismo Agora" da política internacional, onde Monjardino nos levava por viagens e comparações entre a geopolítica e outras áreas da ciência, mas isto não acontece. De todo. Há uma menção da lei da termodinâmica, e nada mais. Falar da geopolítica dos microchips, ou do alcance e potenciais da tecnologia militar Chinesa, ou da guerra da água devido às mudanças climáticas não iguala falar da engenharia e de ciência. Seria necessário aprofundar muito mais, no mínimo, puxar um pouco de outras leituras. Estando o livro assim "limitado" aos artigos de sensivelmente 500-1000 palavras, isto não acontece. Há muitas mais menções a obras de literatura - o que é excelente e importante para entender um país ou região.
Outra coisa notável é a evolução da linguagem. Os artigos mais antigos claramente tinham um público mais educado, mais "elite", que claramente tinha lido todo o leque de filósofos gregos e romanos, logo, ao pensar no assunto que Monjardino abordava, seria impossível não pensar de uma passagem destes autores, ou de uma história mitológica. Nos artigos mais recentes, a linguagem e menções estavam muito mais acessíveis.
Ou se calhar este livro não é mesmo para mim, e está um patamar muito acima do meu. Mesmo que assim seja, a verdade é que adorei.
This book is a collection of different articles of one, two, three pages written in the past 10-15-20 years by the author. Divided by topics, it presents us various analyses, views and raises issues about countries and global geopolitics (depending on the article). Questions about current wars, why a certain country acts in a certain way, what are the dynamics of our multipolar world, etc., etc. The author gives great insight to the economic/trade issues (one of the major factors that determines the strength of a country and interactions with others). The geopolitics commentator and professor Monjardino starts from the past to analyze the present and possible futures. Basically the author shows us possible paths, hypotheses - hence the title " Through which paths will History go" (and not the destiny - where will it go). It is a reading mainly for people of the area, but it can also be enjoyable to those who want to find out about major international events and disputes. (+) easy-to-read book with short chapters (+) the author writes well, explains well and gives a personal touch (doesn't hide his personal thoughts) (-) In-depth analyzes that come from the concept of the work itself - loose articles. This is its strength and weakness. (+) His analysis is based on History and the Greeks and Romans. He is a great supporter of classical wisdom - something that has been lost. In short, it was a reading that I did over time. Pleasant, instructive, not obligatory.
Um livro que oferece uma análise profunda sobre a geopolítica internacional! Para quem não está, especialmente,a par dos acontecimentos durante este século ou queria aprofundar mais esses conhecimentos é uma boa leitura.
O livro é uma complicação de artigos escritos pelo Professor Monjardino para jornal. Ou seja, o único ponto negativo a meu ver, é o Professor não fazer uma análise aprofundada no final de cada capítulo, como o faz na conclusão do livro. O que poderia permitir uma exploração mais aprofundada e a sua opinião mais detalhada dos temos apresentados pelos vários capítulos.
De facto, algumas vezes senti uma falta de continuidade ou de uma narrativa coesa, por serem artigos, o que dificulta a construção de um argumento sólido e interligado.
Vivemos tempos em que a informação abunda, mas a desinformação abunda ainda mais, e por isso é fundamental escolher junto de fontes devemos beber o nosso conhecimento.
O que o autor, e por consequência este seu livro, garante é precisamente uma fonte credível de informação. Miguel Monjardino confere-nos opinião sustentada em factos, num percurso de vários anos sobre temas internacionais que permitem ao leitor sustentar o seu conhecimento (e as suas opiniões) de forma credível.
Uma fonte segura de informação sobre mundo de hoje e uma leitura sempre agradável. Recomenda-se para alguns, devia ser obrigatória para outros.
Em cada página, Miguel Monjardino pinta um quadro impressionista do atual contexto geopolítico dominado pela Crise dos 30 anos e pela Grande Convergência. A obra é inspirada pelos pensadores gregos, demonstrando — para quem ainda tivesse dúvidas — a validade da sabedoria clássica.
Para Portugal, fica o aviso. Encontra-se à beira da irrelevância. Apenas vemos o passado. Assim, “o futuro nunca está à nossa frente, mas sim nas nossas costas”. Cabe-nos fazer sentido do passado e do presente, para perceber por onde irá a história. Este livro ajuda a fazê-lo.
Excelente livro !!! A ler sem falta por todos os que se interessam pelo atual momento político internacional e pelo nosso futuro. Grande ênfase na estratégia (ou falta dela). Muito do que autor escreveu há 10 ou mais anos revelou-se verdade nos últimos anos. Nós, por cá, continuamos a mostrar uma total ausência de sentido estratégico e uma política baseada em “tapar buracos”… o que dizer dum país em que se levam décadas a decidir onde construir um aeroporto… algo tem que mudar…
Monjardino é um professor e investigador excepcional.
As suas crónicas e artigos de fundo no expresso são fundamentais.
Este livro no entanto é pouco interessante porque, com raras excepções, tem crónicas demasiado datadas. Torna-se assim enganador para o público em geral, embora útil para estudantes e jornalistas.
«o meu ponto de partida para a exploração do presente e dos possíveis futuros continua a ser o passado histórico. Este sentido de história parece-me ser uma predisposição intelectual essencial para compreendermos o presente e conjecturarmos sobre possíveis futuros.»
Um livro que apesar de escrever factos, e de ter a visão do autor, é muito interessante não só para perceber o passado mas como será o futuro, condicionado muito por estes factos passados. E desafia à reflexão por parte de Portugal, não só da classe política como da sociedade civil.