Ela olhou para cima. Sentada no chão frio, a visão daquela criatura que surgiu em seu quarto parecia algo quimérico. Uma silhueta obscura que parecia ser composta de sombras.
Depois de uma repentina tragédia, Beatrice sucumbe a um acesso catártico de ódio e ressentimento: seu sofrimento passou dos limites. Em suas entranhas, ela sabe que deseja morrer e, quando recebe uma visita da Morte, implora para ser levada. Mas a criatura negligencia seu sofrimento e rejeita o pedido.
Ao longo do livro, mergulhamos em uma jornada pelas profundezas de sua alma através de observadores que não parecem ter muito em comum: primeiro Bené, um garoto apaixonado pela vida, em contraste à protagonista, acompanhado de um anjo curioso que pousa em sua janela. Em seguida, Clementina, uma garçonete que mal tem dinheiro para um prato de comida, guiada pelo mesmo demônio que despertou o pior em Beatrice.
A escrita sensível de Magda Jaber nos conduz por três histórias que se entrelaçam pelos rastros de uma busca obscura por respostas. No fim, todas com um objetivo em comum: atravessar os Sete Céus e descobrir o que aconteceu com Beatrice. E, mais importante, por que existe um rio em sua alma e qual será seu destino final.
Beatrice, Clementina, Bené. Um anjo. A vida. A morte. Uma história sobre ódio, ressentimento, sofrimento. Sobre o sentir. Sobre desistir. Sobre escolher viver ou morrer. Sobre as marcas que carregamos, e suas consequências. Sobre perdão. Um livro de escrita leve, mas de história complexa e profunda. Tive muita dificuldade pra concluir a leitura, e ainda não sei dizer muito bem qual o saldo da experiência...
"Não se pode esquecer da graciosidade que há no ato de simplesmente existir."
"O pássaro não precisava de vento; precisava de alento."
"A única forma de se proteger da luz é trazendo à tona suas sombras."
"Sim, deixe que a dor te encontre. Permita que seu coração se comova. Dê boas-vindas à corrupção interna; se rejeitá-la, ela vai se alimentar da sua alma, e você nada terá em si a não ser a terrível vontade de se esconder. Você pode se consertar, ainda há amor no mundo. Perceba, existem, ainda, ouvidos profundos; estão prontos para te escutar. Por isso, não tema as sombras..."
"Atos de coragem inspiram coragem."
"Quando o mundo pede coragem, devemos ouvir. Os nossos corações podem ser inexistentes, mas nossas almas não são surdas e, aos nossos olhos, é apresentado o caminho."
"Mas ela fez questão de verbalizar: ? Eu te perdoo."
"A cada passo para frente, um vestígio de medo ficava para trás."
É um livro bom e curto, com uma narrativa comovente, mas gasta tempo demais contando a perspectiva de 2 personagens (o diabo e a Clementina) q no final acabam nn fazendo sentido na história. Também nn explica o porquê de estarem alí e nem nos faz criar afeição pelos 2. Mas o resto da história é bastante interessante e com muitas possíveis interpretações de questões existenciais q acompanham a trama.
Um história com beleza É uma história com beleza. Algo bonito de se ler entende?
Aqui temos 3 personagens humanos, que passaram por 3 traumas diferentes e se conectam em algum ponto da história. Gostei dessas conexões e a forma que esses personagens se reergueram.
"Não se pode esquecer da graciosidade que há no ato de simplesmente existir" - eu amei essa frase.
literalmente demorei o ano todo pra terminar pq além de não ter me prendido, me faltou tempo de priorizar esse livro. no final foi uma leitura bonita, te leva junto, mas não seria um dos primeiros livros que eu recomendaria, não acredito que tenha sido tão marcante pra mim
A escrita é comovente desde o primeiro capítulo, os são personagens profundos e por mais que o livro se enrole em alguns pontos não prejudica o enredo final. Uma leitura cativante.