Descendo a Calçada de Santana e espreitando por entre as cortinas da sua carruagem, Elvira Sabrosa vislumbra Robert Huntley, um inglês que não via desde os tempos da infância, há mais de 20 anos. Os Dias da Febre narra as circunstâncias que conduziram ao reencontro de Robert e Elvira, e o que dele decorreu. O cerne da acção situa-se em 1857, quando Lisboa estava a ser atingida por uma epidemia de febre-amarela que mataria quase 5 mil pessoas. É nesse contexto alarmante e febril que a intriga se desenvolve e que o leitor é convidado não só a conviver com as figuras da época, mas também a percorrer a cidade em toda a sua diversidade, dos camarotes do S. Carlos às ruas apertadas de Alfama, das enfermarias do Hospital de S. José às bancadas das Cortes, dos salões das senhoras das classes altas ao bulício do café Nicola. Romance histórico escrito por um historiador e extensamente apoiado na documentação existente, Os Dias da Febre tem a História sempre presente sem, todavia, se dar muito por ela, já que se trata de uma história da vida quotidiana, embebida na própria narrativa. Isto significa que não estamos apenas perante um romance sobre uma epidemia, a morte e o amor: Os Dias da Febre é também uma viagem pelos sons, os cheiros, as gentes, as casas, os costumes, as cores - numa palavra, pela vida - da Lisboa de meados do século XIX.
JOÃO PEDRO MARQUES nasceu em Lisboa, em 1949. É desde 1987 investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e foi Presidente do Conselho Científico desse Instituto em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou a cadeira de História de África durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006, e Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010).
Preguntar si en Portugal también hacen novela histórica sería tan ingenuo como dudar de si tienen semáforos o cajeros automáticos. A la moda mundial de la ficción histórica el vecino ibérico se lanza con furor, y yo diría que la producción de novelas por número de habitantes es incluso superior a la de España.
Gran parte de esa producción no se traducirá al español, pero eso no quiere decir que porque no valga la pena. Como en cualquier otro país, se produce bazofia oportunista que, curiosamente, encontrará un nutrido grupo de adeptos lectores. Pero también hay novelas como la que hoy comento que están muy bien escritas. La razón por la que no se traducirá es porque la temática es genuinamente portuguesa y lusitana, con temas que poca curiosidad despiertan en el español.
Os Dias da Febre se sitúa en la Lisboa de mediados del XIX, descrita de forma muy interesante porque aborda el día a día tanto de las clases favorecidas como de estratos mucho más humildes. Todo ello, alrededor de los días de 1857 en que una epidemia de fiebre amarilla asoló Lisboa. Cuando el libro empezaba a resultarme un poco lento, vino una descripción del desmadre irreverente del Carnaval en Lisboa.
Pero partes interesantes de la historia transcurren en muchos otros escenarios como Sierra Leona, Angola, India. Uno de los personajes que hacen de telón de fondo es Sir Richard Burton.
La novela va ganando ritmo hacia el final y llega un momento en que ya no se puede parar de leer.
Os Dias da Febre é o primeiro livro de João Pedro Marques, doutorado em História, no campo da ficção. Enquadrado na Lisboa do século XIX, com algumas incursões pelas colónias portuguesas da altura, é um livro que fala do reencontro de Elvira, uma senhora da sociedade, e Robert, um médico inglês, das cirscunstâncias que os levaram a esse reencontro e dos acontecimentos posteriores. O livro está disponível para venda a partir de hoje.
De início os capítulos repartem-se por várias personagens, sem sequência temporal em concreto, com o objectivo de familiarizar o leitor com toda a envolvente da vida de Elvira Sabrosa e Robert Huntley. Conhecemos o irmão de Elvira e as suas aventuras em África, o seu marido Carlos Cabral e a história da própria Elvira. Quanto a Robert, temos oportunidade de acompanhar as suas viagens, incluindo a do Brasil onde conheceu Catarina, que viria a ser sua esposa, apesar de o casamento não ter durado muito tempo devido à trágica morte desta.
Quando voltamos ao presente, a 1857, o contexto histórico remete-nos para a epidemia de febre amarela que ocorreu em Lisboa no Verão desse ano, bem como as condições que a proporcionaram e o desenlace da situação. Mas a verdade é que este acontecimento não é o motor central da história, serve apenas para contextualizar e para satisfazer os mais curiosos pela história; ainda assim, confesso que gostaria de ter lido um pouco mais sobre o contexto histórico.
A febre a que o título do livro se refere não é apenas a amarela: é também a febre do amor que atinge Elvira e Robert. Não posso afirmar que a história dos dois me tenha arrebatado por completo, mas é composta por momentos que não podem deixar de emocionar o leitor. É uma história agradável, escrita de uma forma despretenciosa, que dá mais ênfase à componente “romance” do que à componente “histórico”, mas sempre com um visível rigor no relato de pormenores históricos. Gostei.
Gosto cada vez mais da escrita de JPM. Quer pela época recriada (1850) e suas nuances sócio-culturais, quer pelo estilo, do início ao fim este livro trouxe-me boas memórias do estilo queirosiano e, particularmente, dos Maias. O autor descreve com pormenor a sociedade da época e seus rituais criando o cenário perfeito para personagens carismáticas com as quais empatizamos com facilidade, como Elvira e Robert. Além disso é retratado o surto de febre amarela com os receios associados, as incertezas, as dúvidas, os mitos. Depois o romance tem a dose certa de emoção, acontecimentos mais ou menos inesperados é um ritmo que nos leva com ele. Mais uma boa surpresa.
Comprei este livro a semana passada, pois logo no início da semana terminei o livro que andava a ler e como não tinha trazido mais nenhum, senti que tinha que comprar um para me fazer companhia o resto da semana. Andei na Wook e a escolha recaiu para “Os Dias da Febre”, que além de ser um romance histórico, é de um autor português (ando a tentar ir lendo mais autores portugueses) e como me tinha sido recomendado, resolvi traze-lo comigo. O título do livro pode-nos levar a acreditar que o tema central do livro é precisamente sobre a febre-amarela que assolou Lisboa no século XIX, mas na verdade a doença serve apenas como pano de fundo à história de amor ente Elvira e Robert. No início, em cada capítulo vão-nos sendo apresentadas as diferentes personagens e a história de cada uma delas, através de alguns recuos no tempo, sendo que com o avançar da história, temos personagens que se vão cruzando e nós vamos juntando todos os pedacinhos de informação. O que me desiludiu um bocadinho foi a parte histórica, pois apesar de termos alguns detalhes sobre os costumes da época, gostaria de ter visto esta componente mais desenvolvida, como também as informações sobre a febre-amarela, onde se poderia ter introduzido mais informações médicas sobre este período. Não posso dizer que adorei, mas foi uma leitura agradável.
I have no words to describe this book.Gave me all kinds of feelings. Passion, glamour, nausea, anger, deception but in the end I feel that the story is completed. The last words of the writer awoke in me the purest feeling. Is one of my favorite books,the most passionate for sure! Thank you aunt Patricia by recommendation!
Uma obra que contextualiza um amor no século XIX, em plena epidemia de febre amarela que assolou Lisboa em 1857. Um amor também ele febril, pleno de urgências e de interditos. Um romance que termina tragicamente. Uma escrita fluída e agradável que me rendeu boas horas de companhia.
É o meu primeiro livro de João Pedro Marques e gostei! A narrativa decorre na segunda metade do séc. XIX e conta a estória da Elvira com um casamento frustrado que encontra no inglês Robert o seu escape conjugal. Ocorre durante uma epidemia de febre amarela e descreve de forma crua como era Lisboa nessa época. Uma cidade suja e miserável. O que é que eu gostaria de ver mais desenvolvido: As intrigas políticas nesse início do liberalismo e ainda, a situação em Angola nessa altura, matando cedo demais Pedro Sabrosa e não nos dando conta dos reinos existentes nessa colónia.
São sempres romances apaixonantes pelo conhecimento histórico que nos transmite e diversidade. Este em particular com menos fulgor que os que li anteriormente do autor.
Comecei por querer ler este livro após terminar a leitura de "Alma Rebelde", de autoria de Carla M. Soares. Todo o enquadramento histórico dado pelo livro em questão, e a falta de um elemento mais contextual, fizeram-me procurar por uma leitura mais profunda sobre o assunto, e quando vi mais um romance histórico português referente à época em causa, não pude resistir.
Acho que este livro começa bem. Permitiu uma exploração da situação da época com a construção de cenários construtivos, com a explicação da disseminação da febre-amarela através de Lisboa, segundo um contexto humanizado e de proximidade ao leitor. A ficção histórica tem o poder de potenciar as narrativas, principalmente quando existe um factor real à volta do qual é construida a sequência de acontecimentos. Senti isso a ler esta obra de João Pedro Marques. Contudo, penso que por vezes tenha caído no erro de exagerar na introdução de informação histórica, pelo menos da forma como foi aplicada, fugindo da construção linguística de um livro de ficção para uma aproximação a um resumo científico (mas julgo que o estilo do autor se deve em parte à sua profissão pelo que não acho que no caso tenha causado algum estrago de maior, até porque me interessei pelo assunto).
Quando às suas personagens e ao evoluir da história, foram várias as vezes em que nos deparamos com umas nuances de analepses, que nos contam toda uma história até chegar a um momento exacto (a melhor forma de o descrever é referi-lo como uma tendência de "How I Met Your Mother". E que tal como na série, criam-se momentos interessantes mas que não acrescentam nada ao enredo principal), mas que a determinada altura nos cansam, já que parece que nunca chegamos ao destino esperado.
Parecendo uma contrariedade, a primeira parte foi ainda assim a minha preferida, já que não fui muito simpatizante do romance que se gerou, do desenvolvimento de personagens já conhecidas até essa altura e do próprio fim do livro.
É um livro rico, ainda assim, que vale pelo esforço de enquadramento, de estudo das variantes históricas, e do extenso trabalho de pesquisa para o redigir. Aprendi certamente novas coisas com ele, e só tenho pena que algumas questões não tivessem tido um tratamento diferenciado. - Cláudia
É um romance histórico, gostei do enquadramento, do que aprendi com ele. Ao terminar de ler Alma Rebelde, de Crala M. Soares, e a propósito do período de febre amarela, tive vontade de ler algo mais sobre o assunto, pelo que este livro caiu-me em mãos na altura certa. Podia ter sido mais do que isto. Gostei, mas tenho algumas questões que teria gostado de ver trabalhadas de diferente forma. Opinião para breve no Blog.
Este foi o primeiro livro que li deste autor. Adorei! E extraordinária a descrição que faz de Lisboa. Sendo o autor professor de História, gostava que tivesse descrito os métodos de diagnóstico e de cura utilizados na época.
Apesar do fim previsível, a maior parte da obra foi bastante interessante e prendia o leitor de forma a acompanhar os acontecimentos e à espera de um desfecho feliz. A escrita em si, na minha opinião, foi bastante íntima, o que me fez ficar bastante envolvido na história. Para além disso, as referências históricas também eram interessantes, e davam a perceber mais um pouco sobre o que acontecia durante aquela época.
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