Ele gostava de ficar sentado algum tempo, encostado a um tronco, olhando a enorme baía em toda a sua extensão e pensando na vida. Por vezes conversava com um esquilo mais atrevido que vinha lhe pedir comida, entrevistava bandos de codornizes, cada vez mais raras, é preciso que se diga, ou até descobria alguma esquiva corça. E entendia naquela paz, com o barulho dos carros e das cidades muito lá ao longe, o contraste profundo da sua terra representado pela visão de abertura e progressista da ponte Golden Gate ao fundo e a terrífica prisão de Alcatraz no rochedo isolado do meio da baía, de onde só uma vez tinham escapado dois ou três presos, tão monstruosamente concebida por fora. A Golden Gate e Alcatraz tinham sido realizados pelo mesmo povo, o seu. (...) A ideia nasceu aí, num desses momentos em que havia algumas nuvens cinzentas e tristonhas, quando de repente o Sol irrompeu pelo meio delas, azulou o mar e enverdeceu as colinas. Alcatraz brilhou subitamente no meio do azul e parecia ameaça. Com o sol, a ideia, o raio, o trovão. Sim, ia arranjar um correspondente na Internet a quem contar os seus pensamentos mais íntimos. Mas tudo fechado a sete chaves de olhos indiscretos e persecutórios.
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos is a major Angolan writer of fiction. He writes under the name Pepetela.
A white Angolan, Pepetela fought as a member of the MPLA in the long guerrilla war for Angola's independence. Much of his writing deals with Angola's political history in the 20th century. Mayombe, for example, is a novel that portrays the lives of a group of MPLA guerrillas who are involved in the anti-colonial struggle, Yaka follows the lives of members of a white settler family in the coastal town of Benguela, and A Geração da Utopia reveals the disillusionment of young Angolans during the post-independence period. Pepetela has also written about Angola's earlier history in A Gloriosa Família and Lueji, and has expanded into satire with his series of Jaime Bunda novels. His most recent works include Predadores, a scathing critique of Angola's ruling classes, O Quase Fim do Mundo, a post-apocalyptic allegory, and O Planalto e a Estepe, a look at Angola's history and connections with other former communist nations. Pepetela won the Camões Prize, the world's highest honour for Lusophone literature, in 1997. Pepetela is a Kimbundu word that means "eyelash," as does "pestana" in Portuguese. The author received this nickname during his time fighting with the MPLA.
Titulo: El terrorista de Berkeley, California Autor: Pepetela Motivo de lectura: #PSM2024 Lectura / Relectura: Lectura Fisico / Electronico: Fisico Mi edicion: Tapa blanda, 116 paginas, Rocca Puntuacion: 2/5
Hace muchos años un amigo fue a Colombia y me trajo de regalo este libro, mas de una decada en mi biblioteca finalmente encontre la oportunidad de leerlo.
Realmente nunca termino de captar mi atencion, el autor hace uso de nombres como "Mao" o "Nabokov" en un intento de generar provocacion pero todo se sintio a medias tintas, con un final ultra precipitado.
It tells the story of a young student who, out of disgust for love, created a fictional friend, to whom he sent desperate messages to condone imaginary terrorist attacks. For this reason, he caught the attention of the secret services.
História agradável e despretensiosa, de escrita interessante, trazida pela pena de Pepetela aquando da sua passagem como escritor convidado pela Universidade de Berkeley, Califórnia, a alimentar a vontade de ler algo do autor que se enquadre mais nas suas raízes.
O ritmo é proporcional ao tamanho da obra, mas peca pela ligeireza como foram abordadas duas mudanças marcantes do rumo da narrativa.
Lamento que o autor descreva acções de personagens das mais variadas etnias e nacionalidades utilizando expressões marcadamente angolanas, sejam elas de variantes do português ou do nativo quimbundo. Em solo americano e com actores gringos, mexicanos e de descendência asiática teria sido prudente recorrer a termos menos distintivos e quiçá mais neutros.
Voltarei certamente a Pepetela, mas preferencialmente em tonalidades e cheiros mais africanos…
”Juan simplesmente entrava e sentava na cadeira da frente do chefe,(…) Desta vez o muata assustou por ele não (se) sentar para ver as unhas. Entrou já a falar.”
Pepetela é tão bom escritor, não entendi o registo deste romance. Para mim passa completamente ao lado, uma história banal - sem a linguagem e a riqueza deste autor presente noutras histórias, algumas delas brilhantes.
Vou dar 5 estrelas porque foi o livro que me converteu á leitura.
Aos 16 anos eu era viciado em Valete. Na música Anti-Heroi, ele diz: "eu cresci trancado num quarto com livros de Marx e Pepetela". Um dia, vi um livro de Pepetela. Comprei, li, e nunca mais parei de ler.