Este livro é dois livros em um. Na primeira parte, Sergio Faraco nos brinda com crônicas que, tratando de assuntos variados – como os pré-requisitos do ofício de ficcionista, a possível existência de vida em outros planetas, a invenção do motor de combustão interna, a crença em mentiras e alguns dos beijos mais famosos do cinema –, têm em comum a engenhosa abordagem de momentos de superação humana. Episódios que representam um rompimento com a fronteira do possível, do esperável, para o bem ou para o mal.Já a segunda parte do livro é dedicada a uma relação de terna aquela temperada ao longo de décadas entre o autor e o poeta Mario Quintana. São textos que relatam casos memoráveis pelo inusitado, pelo comovente, pelo irônico, além de cartas trocadas entre os dois escritores. Imbuídos do mesmo tipo de linguagem enxuta e do mesmo humor – a um só tempo franco e corrosivo – que fizeram a fama do contista, esses textos deliciarão a todos que tenham predileção por pousar o olhar nas pequenas sutilezas e ironias da existência.
Sergio Faraco (Alegrete, 25 de julho de 1940) é um escritor brasileiro.
Antes de estrear na literatura, Sergio Faraco viveu na União Soviética (1963-1965), quando estudou ciências sociais no Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. No retorno ao Brasil, graduou-se em direito.
Desde a publicação de seu primeiro livro de contos, Sergio Faraco tem recebido boa recepção da crítica literária. A obra Idolatria, de 1970, foi comparada em qualidade a outros importantes escritores do Rio Grande do Sul que começavam a se destacar, como Caio Fernando Abreu e Moacyr Scliar. A crítica Rita Canter, em matéria do jornal Correio do Povo o considerou então “um autor gaúcho de primeira linha entre os novíssimos”.
Tido como rigoroso com sua produção, Faraco publicou, nos primeiros 25 anos de atividade literária, uma média de dois contos por ano. O também escritor gaúcho, Luiz Antônio de Assis Brasil afirmou que “suas frases são escritas, depois refeitas, depois submetidas a uma autocrítica feroz, transfigurando-se em objeto artístico do mais alto nível”.