O livro, traça um panorama do homem sertanejo, descreve a violência instalada no país, analisa as formas de cangaço e ressalta a teoria do escudo ético, argumento da vingança usado por cangaceiros para exercer a bandidagem. “Com a franqueza e a ausência de inveja com que procuro me pautar, digo que, sem sombra de dúvida, a teoria do escudo ético, de Frederico Pernambucano, foi a única que, até o dia de hoje, me pareceu convincente: foi a única que explicou a mim próprio os sentimentos contraditórios de admiração e repulsa que sinto diante dos cangaceiros”, disse, sobre essa teoria, o escritor Ariano Suassuna.
O mais famoso dos cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938), justificava sua entrada no cangaço como vingança pela morte do pai e prometia retaliações contra José Saturnino e José Lucena de Albuquerque Maranhão, a quem responsabilizava pela vida que levava. “Curiosamente, a propósitos tão firmados e melhor alardeados não se seguiam ações de mesma intensidade. Pode-se mesmo conjecturar que Lampião jamais tentou sinceramente destruir os seus dois grandes inimigos”, relata o pesquisador em uma das passagens da obra.
O livro explora a história do sertão nordestino, destacando as diferenças entre o litoral e o interior, e como essas distinções moldaram a cultura e a linguagem da região. O autor analisa as relações de poder e sobrevivência que deram origem ao cangaço, apresentando os cangaceiros como figuras complexas, motivadas por vingança, necessidade de refúgio ou busca por fama e liberdade. A obra foca especialmente em Lampião, mostrando sua transformação de justiceiro a símbolo de poder, e como o cangaço se tornou uma resposta às condições sociais adversas do sertão. Melo desmonta a imagem romantizada dos cangaceiros, revelando sua violência e proximidade com o banditismo, enquanto oferece uma visão equilibrada do contexto histórico e social que gerou esses fenômenos. "Guerreiros do Sol" é, portanto, um retrato profundo do Nordeste e de seus mitos, essencial para compreender a formação da identidade regional.
Uma obra prima sobre a origem e a realidade don cangaço. Baseado numa farta documentaçao, estruturado com analises muito lucidas sobre as raizes economicas e sociologicas geradas pelo ciclo do gado, o livro do Frederico de Mello é essential para entender a mitologia dos cangaceiros. E pouco importa hoje se o Lampiao, o Silvino, o Ze Pinheiro ou o Corrisco foram simples bandidos, eles hoje sao figuros nordestinos e herois brasileiros.