«Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava 600 quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho 12 estantes e três hérnias.»
Filho de um piloto da TAP, Artur Álvaro Neves de Almeida Pereira, e de uma assistente de bordo, Emília Rita de Araújo, foi aluno de colégios de freiras vicentinas, franciscanos e jesuítas até se licenciar em Comunicação Social e Cultural, na Universidade Católica Portuguesa. Seguiu-se o trabalho como jornalista, na redacção do Jornal de Letras, Artes e Ideias.
De seguida tornou-se argumentista da agência de criadores Produções Fictícias, tendo sido co-autor de vários programas de sucesso do humor português, entre eles Herman 98 e Herman 99 (RTP, 1998 - 1999), Herman SIC (2000 - 2005), O Programa da Maria (SIC, 2001), Hermandifusão Portuguesa (RDP, 1999 - 2001), as crónicas Felizes para Sempre, no semanário Expresso e As Crónicas de José Estebes, no Diário de Notícias, entre outros.
Por volta de 2003, depois das primeiras aparições na televisão, designadamente no programa de humor stand-up comedy, Levanta-te e ri, na SIC, e criando, já ao lado de Zé Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis, várias rubricas no programa de Nuno Markl, O Perfeito Anormal, na SIC Radical, dá arranque ao projecto Gato Fedorento, cujo colectivo se tornou uma referência do humor português contemporâneo.
A equipa assinou várias séries do programa Gato Fedorento, na SIC Radical (Série Fonseca, Série Meireles e Série Barbosa), e depois na RTP1 (Série Lopes da Silva). Também na RTP1 apresentou Diz Que é Uma Espécie de Magazine em 2007, para de seguida voltar à SIC, com Zé Carlos, em 2008, e Gato Fedorento: esmiúça os sufrágios, em 2009. Na internet os humoristas mantêm o blogue homónimo, onde Ricardo Araújo Pereira assina as suas entradas com as iniciais RAP. Teve ainda várias aparições no programa de humor da SIC, Levanta-te e Ri, onde mostrou por várias vezes os seus dotes no stand-up.
Actualmente escreve todas as semanas no jornal A Bola e na revista Visão. Na TSF integra o painel do debate Governo Sombra, com Pedro Mexia e João Miguel Tavares.
As personagens de Ricardo Araújo Pereira, que encontram eco na actualidade política, desportiva ou social, destacam-se pelos tiques que «saltam» para a rua (como acontecia com as criações de Herman José) e são absorvidos em regime multi-geracional, alimentando campanhas publicitárias de sucesso.
É co-autor do livro O Futebol é Isto Mesmo (ou então é outra coisa completamente diferente) e do disco O disco do Benfiquista, naturalmente. Compilou as suas melhores crónicas da revista Visão nos livros Boca do Inferno e Novas Crónicas da Boca do Inferno. Com Pedro Mexia realizou uma adaptação da peça de teatro Como Fazer Coisas com Palavras, do filósofo inglês John Austin, que também interpretou, no Teatro São Luiz em 2008.
É casado com a produtora de rádio Maria José Areias, com quem tem duas filhas, Rita e Maria Inês. Vive na Margem Sul, Quinta do Conde, e gosta de afirmar que é o sócio nº 17 411, do Sport Lisboa e Benfica, clube de que é adepto fervoroso. Foi militante do Partido Comunista Português, partido que veio mais tarde a abandonar. Continua, porém a afirmar-se como "Marxista não Leninista".
Foi uma pequena viagem a um tempo em que eu não tinha consciência da complexidade (e estupidez) do mundo. — talvez tenha sido mais feliz nessa altura... mas existirá mesmo felicidade quando nunca se lidou com a realidade?
I believe this is the first book written by a Portuguese author that I’ve reviewed. Yay! Ricardo Araújo Pereira is a household name in Portugal. He and 3 other friends used to do a sketch comedy show called Gato Fedorento which is just hilarious! (You can youtube it if you like, but it’s all done in Portuguese, so unless you speak it you won’t really get it). I’ve always been a big fan, and besides from being a funnyman he’s also very smart and literate and he writes these chronicles for a weekly magazine. Hence, this book! It’s a compendium of his best chronicles from 2007 to 2009, which range from everything, from politics to society to soccer. Some of them are hysterical, and some of them probably are hysterical as well, but I don’t understand them since I don’t understand Portuguese politics (we have so many political parties with so many corrupt people in them! And everyone bribes everyone! Portugal you guys!). A classmate of mine lent this to me, and I’m glad he did. I read this in-between a reading block, and the short length and lightness of each piece was perfect for my mood.
This book is actually a gathering of articles from a weekly column in a Portuguese magazine (Visão) by the author. They're mostly about relevant facts from the week (in Portugal at least), with a good dose of humor. Unfortunately the style remains very much the same throughout the articles. So, if you're reading them one each week it's ok but, otherwise, it gets too predictable. The most interesting thing for me was the fact that the writings go a few years back, so it was kind of like a trip down memory lane!
O Ricardo Araújo Pereira tem um humor muito interessante e escreve muito bem.
Apesar de gostar muito do Ricardo Araújo Pereira e das suas crónicas, aprendi que um livro de crónicas não é para mim, pelo menos para a maneira como gosto de ler livros. Os livros de crónicas são para se irem lendo, o que não me interessa assim tanto.
É sempre bom recuar no tempo, melhor ainda se for a ler Ricardo Araújo Pereira. É simplesmente genial e dos poucos (se não o único autor) que me faz querer escrever
O livro é um conjunto de crónicas de 2007 e 2009 escritas pelo Ricardo Araújo Pereira. O livro foca-se nas questões políticas, culturais e de costumes da sociedade portuguesa num período relevante da sua história recente. As investidas incrivelmente mediáticas da omnipresente ASAE, que tanto pode estar presente numa fria cantina hospitalar como no tórrido areal de uma praia à procura de vendedores de bolas de Berlim. Os perigos das grandes pandemias como o H1N1, a gripe das aves e suína que deixaram Portugal a lavar constantemente as mãos com toalhetes e álcool desinfetante. Está tudo aqui e em textos divertidos, com qualidade na linguagem e com um humor muito refinado.
É um daqueles livros que se lê rapidamente e não há problema nenhum em parar ou começar porque cada crónica é o seu próprio separador. Para quem seguia os sketches na televisão e lia algumas das crónicas no jornal/revistas não existe nenhuma novidade; talvez naquelas crónicas mais esquecidas. O mais interessante, por muitas das crónicas serem críticas do governo no momento em que foram escritas, é dar uma ideia do que se passou no país nos últimos anos com um cheirinho a sarcasmo.
O autor nunca nos ilude. Felizmente, também não nos desilude. RAP mantém-se fiel a RAP, politicamente correcto e, simultaneamente, brejeiro que só ele. Ainda assim, prefiro o "Crónicas da Boca do Inferno", em detrimento do seu sucessor, pela sua maior diversidade de temas abordados.
Mais um livro que compila várias crónicas de RAP na revista Visão. Humor delirante, muitas vezes genial, que certamente servirá para dar umas boas gargalhadas.