"Como são os sonhos de um homem à beira da reforma?
Sonho com uma varanda e uma horta. Isto daria cabo de mim, que passei anos e anos a inventar uma personagem que aos setenta caminharia, pé ante pé, de bengala, até ao café do bairro, atravessando a Rua do Heroísmo, ou até à farmácia, ou até ao banco do jardim no Campo 24 de Agosto. Se isto se soubesse seria uma desgraça. "
Neste novo livro da série do Inspetor Jaime Ramos da secção de homicídios da Polícia Judiciária do Porto, temos um crime macabro: foi encontrado um corpo enterrado nos Jardins do Palácio de Cristal. Tudo indica que seja o corpo de Cristina Pinho Ferraz, uma escritora portuense, desaparecida há um ano atrás por altura de um encontro literário na Póvoa de Varzim.
Em pleno confinamento devido à pandemia do Covid 19, a equipa de Jaime é chamada para a investigação deste caso e tentar dar respostas para o desaparecimento de Cristina, já que não há ninguém que se preocupe com a sua ausência.
O que me fascina mais nos livros do Francisco José Viegas não é tanto o caso criminal mas a personagem do Jaime Ramos, um homem agora com 60 anos, no limite de idade para continuar a ser um inspector no activo, um pessimista por natureza, um anti-herói que não se consegue imaginar sem o seu trabalho, e no decorrer da narrativa vamos vendo as suas reflexões sobre o trabalho, sobre o amor e sobre o mundo que o rodeia.
Nas suas investigações e na sua vida "normal" Jaime vai percorrendo as ruas e os lugares mais emblemáticos da minha cidade, como cafés, restaurantes e jardins o que tornou esta leitura muito agradável.