"Na sua escrita leve, clara e irrespeitosa, O'Neill apresenta-nos aqui pequenas ficções, arremedos de contos, crónicas, reflexões e devaneios, alegorias, textos onde se nota uma ressonância biográfica [...], outros assumidamente biográficos [...], uma crónica-cadavre exquis e mesmo um texto produzido a partir de um volumoso catálogo da Manufacture Française d'Armes et Cycles de Saint-Étienne que fazia parte da sua farta biblioteca. [...] São [...] textos previamente publicados na imprensa os que O'Neill reuniu, no ano de 1985, sob o engenhoso título "Uma Coisa Em Forma de Assim" - como se quisesse lembrar-nos, assim como quem não quer a coisa, que não tinham sido vãos os já longínquos anos em que ajudara a fundar o Grupo Surrealista de Lisboa."
Autodidacta, O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. É nesta corrente que publica a sua primeira obra, o volume de colagens A Ampola Miraculosa, mas o grupo rapidamente se desdobra e acaba. As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua acção à publicidade. É da sua autoria o lema publicitário «Há mar e mar, há ir e voltar». Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE.
Se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa no desenho que fizesse, nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro, dos sete mares andarilho, fosse quem sabe o primeiro a contar-me o que inventasse, se um olhar de novo brilho no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida as aves todas do céu, me dessem na despedida o teu olhar derradeiro, esse olhar que era só teu, amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração no meu peito morreria, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração.
Desapontado... Talvez por expectativas demasiado altas para um autor e uma forma de que gosto muito... Uma coisa é certa O'Neill é melhor poeta do que cronista... O que nos deve deixar satisfeitos... As crónicas são muito desiguais, e muito longe do encantamento de um Manuel Pina ou mesmo de um Lobo Antunes...
Não tenho por hábito ler livros de crónicas, porém este foi uma recomendação de um amigo. Uma ótima recomendação. Gostei bastante das que referem a temas como a literatura ( Best-seller, Como não ganhar prémios literários, Os Prémios, Lede tudo, sobretudo as obras, Um pequenino electrão). Outras que gostei : Mulheres, Idiota & Felicidade , Desenfado e As Andorinhas não têm restaurante.
Em geral não me atraiem livros de crónicas. Mas como se tratava do Alexandre O´Neill, resolvi abrir uma exceção. Gostei especialmente das crónicas sobre o "Desaprender", "O Fanhoço do Minesota" (trata-se do Bob Dylan ... e Desenfado. Mas contínuo a preferir outro género de obras escritas (ficcção ou não) mas com maior densidade e profundidade.