Um romance que nos traz de volta Moçambique dos anos setenta. «Esta é a história de um homem que sonhava com Lourenço Marques. Não com a Lourenço Marques colonial e militar - apenas com "a cidade das acácias, a pérola do Índico", a cidade onde amou pela primeira vez». Vinte e sete anos depois de ter saído de Moçambique, ele regressa para procurar uma mulher, Maria de Lurdes (aliás Sara): de Maputo a Pemba e a Nampula, da Ilha de Moçambique ao Lago Niassa, essa busca transforma-se num discurso iniciático sobre a nostalgia de África, o encontro com Deus, a felicidade, a aceitação, o arrependimento, o amor que se perde e a vida que não se viveu.
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS nasceu a 14 de Março de 1962 na aldeia do Pocinho, em Vila Nova de Foz Côa. Licenciado em Estudos Portugueses, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi professor universitário, jornalista, director da Casa Fernando Pessoa, editor na Quetzal Editores e director da revista LER e Secretário de Estado da Cultura no XIX Governo Constitucional (2011-12). Autor de diversos livros de poesia, de livros de viagem e de romances, entre os quais As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Morte no Estádio, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital,Lourenço Marques e, o mais recente, O Mar em Casablanca, publicado pela Porto Editora em 2009. Em 2005 foi distinguido com o Grande Prémio APE de Romance com o livro Longe de Manaus. Tem livros traduzidos na Alemanha, em Itália, no Brasil e em França.
Kanimambo gente chunguila, um abraço maningue apertado! Valeu pelas recordações.
Exatamente por essa ordem: a piscina do hotel, o fio de coqueiros e o pôr-do-sol. Há coisas que, um dia, têm de lembrar uma ordem, e essa ordem era a forma como o mundo se ordenava há muitos anos, quando existia paraíso. Porque, necessariamente, o paraíso não existe no futuro mas naquilo que se perdeu. Todos os paraísos são coisas perdidas, um rosto, uma casa, uma rua, um calendário, um som a meio da tarde, uma estação do ano, uma coisa que nos teria matado naquele instante preciso, naquele único instante. Todos os paraísos perdidos, mundos organizados apenas na nossa memória, num dia de que não se regressa como se regressa da morte ou de uma história de amor. Podemos esconder que regressamos da morte e que somos apenas sombras que atravessaram o rio de que se diz que os mortos nunca podem regressar, e podemos esconder uma história de amor durante anos, durante uma vida inteira, sujeitá-la a encontros clandestinos e a bilhetes trocados em segredo, as cartas que se escondem e a quartos de hotel onde se entra com outro nome. Podemos esconder a morte e o amor, a nossa morte e o nosso amor. Mas não podemos esconder mais nada. Não podemos esconder essa ordem que a s coisas tinham, há muito tempo, quando o paraíso se tocava com a ponta dos dedos, com uma ordem de voz, com um pedido, uma palavra, um nome. O paraíso é só isso. Um nome. E uma ordem das coisas. Essa ordem, exatamente essa ordem: a piscina do hotel, o fio de coqueiros e o pôr-do-sol.
Um livro que me surpreendeu, por ser diferente do que tenho lido deste autor. Uma viagem a Moçambique na busca de alguém, que se amou e que, voltou a este país africano, para se perder. Miguel inicia esta viagem, por uma terra que conheceu em miúdo, sem ter um rumo certo. Através dessa viagem conheceremos ou relembraremos este pedaço de África e acabaremos enfeitiçados, pois esta caminhada é, também, iniciática. Pelo caminho iremos conhecer algumas personagens fantásticas após o que só restará o regresso a Portugal. Por razões várias a leitura deste livro foi feita com longas paragens, o que poderá levar-me a uma segunda leitura.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Algo falta a este livro. Excelente história, onde se cruza o passado da guerra colonial em Mocambique, a independencia desta ex-colonia, os desmandos dos novos senhores, a personalidade de Samora Machel, a guerra Renamo contra o poder instalado, e o país saído dos acordos de paz. Mas a ligacao de tudo através de um policial, é uma boa ideia, mas no livro falha. Muitas vezes somos confrontos com repeticoes, tal como o slow motion nos jogos de futebol, mas que não ajudam a história. Uma boa ideia, alguns bons "nacos de prosa", mas um projeto que ficou a meio da ponte.
Nem sei o que me apraz dizer. Demasiado descritivo e repetitivo, nada a ver com outros livros do autor. Não houve investigação, não houve drama, apenas a descrição de tempos antigos de Lourenço Marques e das antigas colónias... Li rápido porque queria acabar o livro e não o deixar a meio. Desiludido!