O que o autor escreveu na Evocação em forma de Prefácio: "Lembro-me perfeitamente de que, ao escrever O Dia Cinzento, não me movia a mínima ambição "literária, mas outra (...), que era a de acordar naqueles que o lessem a consciência da injustiça social e a necessidade de agirem contra ela."
O livro é constituído por 15 contos e creio que todos abordam o intuito do escritor. Pode-se ver em cada um deles, uma história única com personagens diferentes. Uns contos mais tristes do que outros, mas todas elas abordam assuntos do dia-a-dia, dificuldades, alegrias.
Sempre que começava um conto novo era uma luta, porque de alguma forma, não me prendia. Por vezes, fica semanas sem pegar no livro. É difícil perceber o que o autor está a tentar dizer ao descrever o que as personagens estão a fazer ou os espaços que andam, pelo menos para mim. Tive, de por vezes, reler algumas frases. Mas ao passar esse sentimento que sentia, a história até começava a ficar interessante e houve finais que me surpreenderam, ou até que me deixaram um pouco frustrada com o personagem. É interessante como em cada um deles pôde sentir sensações diferentes.
Os meus contos preferidos foram: Assobiando à vontade e Morena-Vulcão. Até gostei do Uma Principiante. Mas cada conto foi especial à sua maneira. Gostei principalmente, em cada um deles, de como o autor abordou certas situações que não são fáceis de lidar. Isso foi um dos motivos porque até gostei do livro. Acho que, o que não gostei tanto foi mesmo a linguagem usada. É difícil de entender. Mas fico feliz por o ter lido. E por o ter acabado.
Contos bem escritos, numa linguagem elevada. Sem moralismos ou finais apoteóticos, histórias simples de vida mundanas. Pequeno prazer da literatura do neo-realismo nacional da década de 40.