Porto ausente, Porto presente. Da memória e da reinvenção, do regresso quarenta longos anos adiados. Recordações, fantasias, emoções, arrependimentos envelhecidos nos tonéis paulatinos do tempo e da distância. Ou talvez não. Do que a memória se ocupa é do presente, do passado que irrompe em presente. Através de crónicas e contos, é toda uma galeria humana que sai da sombra, rica na diversidade de modos de ser e de estar, exuberante na profusão de figuras típicas da sociedade nortenha da primeira metade do século – o burguês portuense autêntico, o oficial do exército, o louco e o semi louco, o excêntrico e o boémio, o parisiano, o aristocrata que concilia requinte e ousadia. Sobre eles deixa Albano Estrela passear o seu olhar perspicaz e irónico, atento aos outros como a si próprio, com a mesma sensibilidade e elegência que contagia a sua escrita.