Em “A Suave Pantera”,“[...] publicado em 1962 e distinguido com o Prêmio Olavo Bilac, da ABL, a autora busca uma certa objetivação poética, optando preferencialmente pela precisão e não tanto mais pela imagem. Sai de cena o travo de melancolia e angústia, derivado da sensação de impotência diante da fugacidade do tempo, da inexorabilidade do destino incompreensível. A pantera, estuante de vida, está toda presente em si mesma, sem passado e sem futuro [...]. Nela coexistem a fome, a cólera, a liberdade, o amor e o sono – mas não a consciência da morte, e aí estaria a grande distinção (e a grande superioridade, poderia acrescentar a poeta...) entre o ser pensante e o animal.”*
“A suave Pantera” é um longo poema, dividido em 16 partes, de versos curtos, sensuais, que despertou o interesse e entusiasmo da crítica da época.
A citação direta é do posfácio de Lauro Moreira à nova edição.
Marly de Oliveira (1935-2007) foi uma poeta capixaba, nascida em Cachoeiro do Itapemirim. Cresceu na cidade de Campos e mudou-se depois para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se em Letras Neo-Latinas pela Pontifícia Universidade Católica, partindo em seguida para estudar História da Língua Italiana e Filologia Românica na Universidade de Roma, onde conheceu Giuseppe Ungaretti, que saudou entusiasmado alguns poemas da brasileira, escritos em italiano. . Sua estreia, com Cerco da primavera (1957), foi saudada por Mario Faustino, em ensaio mais tarde reunido no volume De Anchieta aos Concretos, editado por Maria Eugenia Boaventura e publicado pela Companhia das Letras em 2003. Marly de Oliveira publicou ainda Explicação de Narciso (1960), A suave pantera (1962), O sangue na veia (1967), Contato (1975) e O mar de permeio (1997), entre outros.