A obra retrata a classe média oitocentista, e seus problemas como - o casamento, as finanças, a juventude, heranças, intrigas, etc. Ainda que relevante, o personagem que dá título ao romance, é figura secundária dentro do enredo.
Era filho do português David Gonçalves de Azevedo e de Emília Amália Pinto de Magalhães. Seu pai era viúvo e a mãe era separada do marido, algo que configurava grande escândalo na sociedade da época. Foi irmão do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo.
Desde cedo dedicou-se ao desenho através de caricaturas e à pintura. Em 1876 viaja ao Rio de Janeiro, a fim de estudar Belas Artes, obtendo desde então sustento com seus desenhos para jornais.
Com o falecimento do pai em 1879, volta para o Maranhão, onde começa finalmente a escrever. E em 1881, publica O Mulato, obra que choca a sociedade pela sua forma crua ao desnudar a questão racial. O autor já era abolicionista convicto.
O sucesso desta habilita-o a voltar para a Capital do Império, onde escreve incessantemente novos romances, contos, crônicas e até peças teatrais.
Sua obra é vista como irregular por diversos críticos, uma vez que oscilava entre o Romantismo açucarado, com cunho comercial e direcionado ao grande público, e outras mais elaboradas, pois deixava a sua marca de grande escritor naturalista.
Feito diplomata, em 1895, serve em diversos países, inclusive o Japão. Chega finalmente, em 1910, a Buenos Aires, cidade onde veio a falecer menos de três anos depois.
Há uma certa semelhança com o Corcunda de Notre Dame: André, extremamente feio é um solitário mas acaba por conquistar a amizade de Teobaldo. Porém, a medida que a narrativa se desenrola podemos observar a exploração do primeiro pelo segundo. Mas André(o Coruja), em sua admiração cega pelo amigo não percebe, e procura sempre justificativas para suas vis atitudes para com ele, até sua derradeira traição.
Este livro tem todos os problemas da prosa de Aluísio Azevedo, que é, em termos, quase uma Gloria Perez dos folhetins. E, embora o livro fale do Coruja e dos seus desvelos, seu amigo Teobaldo e a prostituta Leonília são personagens melhores, perdidos entretanto nos vaivéns meio insanos (Leonília muda de vida, de casa e de fortuna três vezes em dois dias, por exemplo) que o autor inventa.
Além de mostrar bem o oposto branco/negro de protagonistas, mostra a condição da mulher, a viiolência que sempre existiu contra elas. Fala também da educação de antigamente no Brasil. Sem finais felizes porque é Azevedo, e com um estilo de diálogos que oscila de vem em quando, mas uma boa leitura.
"Sentia-se como que arrebatado por um sono delicioso; mas caiu logo em si, lembrando-se de que já se fazia tarde e naquele dia, distraído com a morte do amigo, descuidara-se da gente que tinha à sua conta." Um dos últimos períodos do texto, a dialética da obra é aqui sintetizada com o primor que apenas Aluísio Azevedo seria capaz de nos oferecer: a que ponto a condescendência do ser humano pode chegar? Enganam-se os que veem nessa obra coisa menor; esteticamente, talvez desça alguns degraus frente ao Cortiço; porém, sem sombra de dúvidas, traz para o leitor uma interpretação tão realista quanto recorrente nas relações humanas. Lê o livro com olhos atentos para as reflexões, exime-te de olhos frios, de crítico voraz. Toma o trecho da argumentação de Teobaldo, acerca da advocacia, ou as mudanças sutis de comportamento dele em distintos ambientes, e verás a profundidade que alguns trechos oferecem ao espírito. Se queres um texto leve, conquanto com escrita elevada, aqui tens um livro; "se não te agradar, pago-te com um piparote, e adeus."