Começando por uma abordagem exaustivamente teórica, é-nos apresentada a história da terapia sistémica e como a equipa de terapeutas evoluiu para uma terapia sistémica individual. Pessoalmente, não foi a minha parte favorita. Vários conceitos estavam relacionados com história e filosofia, algo que não esperava, mas que também não conseguiu cativar-me devido à forma como estava escrito.
Após a parte teórica, é um livro sobre, essencialmente, ser terapeuta. Apesar de o foco ser, de facto, a terapia sistémica, o que consegui reter do livro passa muito mais por entender o papel do terapeuta a um nível empático e humano. Com uma influência considerável da psicanálise e teorias psicodinâmicas, os autores exploram o que significa ser terapeuta e como trabalhar na relação terapêutica segundo diferentes objetivos (i.e. terapia orientada para o objetivo/resolução do sintoma ou terapia orientada para a exploração do passado do paciente, conectando-o ao presente e futuro), apresentando não só ideias e conceitos sobre ser terapeuta, mas também o que, muitas vezes, acontece com os pacientes: os seus processos durante a terapia (por exemplo, deutero-learning), como se sentem em dinâmicas familiares mais comuns e como podem surgir perturbações mentais e alimentares a partir de relações familiares mal resolvidas.
Na parte final do livro, são-nos apresentados vários casos clínicos, parte de um projeto em que o objetivo era o de dar, no máximo, 20 sessões. Todos os casos envolvem problemas a nível familiar apesar de a terapia ser feita apenas ao nível individual. O mais interessante para mim foram os excertos retirados diretamente das consultas, que permitiram perceber de que forma abordar assuntos mais delicados ou, sequer, se deveriam ser abordados; a forma como as coisas eram faladas (i.e. a linguagem utilizada, algo também discutido na parte anterior e que é bastante relevante) e a forma como os pacientes respondem àquilo que lhes é questionado ou explicado. No entanto, o que, mais uma vez, se destacou, foi a relação terapêutica e a sua importância para uma terapia bem-sucedida.
Posso considerar que este livro conseguiu dar-me uma visão mais empática e apaixonante do que é ser terapeuta e ajudar outros a ultrapassar os impasses das suas vidas, embora, a nível de terapia sistémica como conceito e abordagem, tenha ficado a um nível demasiado teórico e, por isso, cansativo.