Criados de forma severa por um pai repressor e violento, Alice, Evelyn e Renato cresceram marcados pela inseguranca, submissao, desconfianca, desuniao e, acima de tudo, pela falta de amor. Quando o filho de Evelyn morre em um tragico acidente e ela passa a se comportar de forma estranha, acreditando que o menino ainda esta vivo, a familia decide se reunir para ajudar a irma cacula. Mas nada acontece como o fim de semana que deveria servir para unir transforma-se numa catarse de culpas e segredos, um terrivel jogo da verdade no qual os papeis de vitima e algoz se invertem.
"Reuniao de Familia", terceiro romance de Lya Luft, compoe com "As Parceiras" e "A Asa Esquerda do Anjo" o que alguns criticos consideram a "trilogia da familia". Neles sao dissecados alguns dos valores que dao sustentaculo a nossa sociedade e sao destruidas as falsas aparencias que, em detrimento de todos os impulsos de vida e autenticidade, se constroem a partir de uma opressao mutiladora.
Neste livro, o leitor encontrara, em uma linguagem sobria e refinada, os conflitos familiares dramaticos diante de situacoes extremas que tanto fascinam a a incomunicabilidade e amor, solidao, morte, misterio e busca de sentido.
Lya Luft was a Brazilian writer, a novelist, a poet, a prolific translator (working mostly in the English-Portuguese and the German-Portuguese language combinations) of German descent. She was also a college professor of linguistics and literature.
“Nossa família era um espelho sem moldura. Inconsistente: um toque mais brusco, tudo se estilhaçava”.
Em geral, lemos livros onde o autor busca reforçar os laços fraternais de uma família: amor, solidariedade, compaixão, comprometimento...não é o caso desse curto mas competente livro de Lya Luft, meu primeiro da autora. Trata-se da história de três irmãos, órfãos de mãe, que viveram uma infância sofrida nas mãos de um pai severo demais, que não demonstrava afeto pelos próprios filhos e, constantemente, os castigava pelos seus erros. Como consequência, os irmãos, ao invés de desenvolverem uma natural cumplicidade entre si, traíam-se para evitar punições, crescendo afastados, sem laços afetivos, formando uma família totalmente desajustada, destroçada anos depois.
O falecimento do filho de uma das irmãs e o fato dela não conseguir enfrentar o luto, fugindo da realidade, é o pretexto para uma nova reunião da família, que obviamente só serve para reabrir feridas e escancarar essa falta de afeto que sempre existiu, tudo isso exposto com o relato duro e muito realista da autora.
Os filhos – e até a funcionária da casa – demonstram alívio, e quase prazer, em ver o estado do pai degradar-se com o passar do tempo. Renato, o filho que mais sofreu, é o que mais externa esse sentimento durante o fim de semana da reunião familiar. A falta de apreço, ou melhor dizendo, o desprezo pelo pai sempre estiveram presentes em sua vida e só agora ele tem coragem de verbalizar isso, como num ato libertador. O fim de semana que era pra ser conciliador, acaba num tom acusatório e revanchista.
Méritos no fim para a autora em conseguir, em pouco mais de 100 páginas, transmitir esse clima tenso para o leitor, que se angustia em acompanhar essa relação familiar tão precária. O livro acaba e ficamos com aquele nó na garganta, inquietos, tentando imaginar o que irá acontecer...
Las reuniones familiares siempre dan para mucho y el ambiente violento y opresor del que proceden los tres hermanos protagonistas de esta breve novela era un caldo de cultivo excelente. La familia se reúne, en principio, para buscar soluciones y dar apoyo a un miembro concreto, pero todos tienen sus propios fantasmas, sus secretos y sus miedos. También tienen muchos sentimientos reprimidos que no tardan en salir a la luz. Un libro aparentemente sencillo que refleja pasiones universales y fácilmente comprensibles, lo que no evita que el lector acabe temblando con la espiral de odio doméstico que se desata.
Difícil avaliar pois achei a família desagradável. E já tive contato com pessoas que vieram de uma situação familiar "similar", o que também teve seu ar de desagradável.
Abaixo não vou escrever trechos do livro nem citar diretamente um personagem ou outro, mas a análise acaba tocando em que conceitos foram ou não abordados, por isso marquei como spoiler.
"Como nosso pai, tínhamos poucos amigos; nunca pude aceitar convite de amigas para dormir ou comer em suas casas; nas poucas vezes em que pedi, meu pai respondeu com muita lógica: - Se você aceitar, terá de retribuir, e não quero estranhos comendo em minha mesa ou dormindo em minha casa"
Esse parágrafo atingiu uma parte muito solitária da minha infância. A tristeza e solidão que eu sentia, e acreditava que era um sentimento cotidiano.
Tenho gostado muito da escrita da Lya Luft e neste livro não foi diferente. Não fiquei tão envolvida com a história em si, mas o jeito dela narrar me deixa curiosa, querendo continuar a ler. Enfim, não foi meu livro favorito dela, mas gostei da leitura.
escandaloso e impressionante!! sobre como as famílias nem sempre são marcadas pelo amor mas sim por todos os tipos de afeto, atravessadas por magoa, ressentimento e muita dor. admiro muito a autora e sua escrita tão linda e peculiar & se faz especial até nas narrativas mais simples.
3,5 estrelas Li esse livro pela primeira vez muito tempo atrás, pra escola, e não lembrava de absolutamente nada. Então resolvi dar uma segunda chance, agora mais velha e com mais vontade de ler esse tipo de história. É um livro extremamente desconfortável, mas bastante real. Aborda diversos temas como depressão e relações familiares. São 128 pgs da mais pura lavação de roupa suja. Mas é interessante, me fez parar pra refletir em diversos momentos.
Bom livro, vale a pena dar uma olhada. Uma trama ao redor de um pai que não gosta dos filhos e personagens construídos a partir disso. Fala também da dor da perda de um filho. Leitura gostosa e rápida.