Um jovem chamado Uluru embarca numa viagem de exploração e autodescoberta pelo interior da Austrália, tentando emancipar-se do controlo dos seus pais artificiais: o robô Talus e a entidade cibernética UCIA.
O livro Crónicas do Tempo e do Espaço – Uluru, uma banda desenhada a cores de ficção científica, faz parte da tese de doutoramento de Marco Fraga da Silva, com a orientação dos professores Manuel José Damásio e Célia Quico. A tese procura desenvolver um modelo para a criação e implementação de franchises transmedia em Portugal a partir da publicação de bandas desenhadas que integram um universo ficcional expandido.
Num tempo pós apocalíptico onde homens e máquinas dividem o mesmo espaço, três crianças são criadas em laboratório para mais tarde poderem explorar o mundo que lhes serve de casa e encontrar outros humanos como eles.
O argumento não me convenceu. Faltou-me ritmo narrativo. Gostei das conversações com o pet como forma de tomarmos conhecimento dos pensamentos do personagem principal mas senti falta de mais informação e achei que algumas partes recorreram ao clichê do “não podes saber mais nada a não ser que partas em viagem e o descubras sozinho e por ti próprio”. Muitas lutas com animais e muitas páginas só com silêncio. A dita viagem é feita mas termina após as mortes de uns quantos seres vivos de dentes afiados e o rumo passa a ser outro. Visto tratar-se de uma trilogia só saberei como irá correr ao ler os próximos dois volumes.
O desenho cumpre o seu propósito sendo que há páginas maravilhosamente desenhadas e outras nem tanto. Achei alguns movimentos do mesmo personagem pouco elaborados, nomeadamente nas corridas do mesmo. Por outro lado, as árvores e plantas e todo o verde da fauna envolvente, as aves e os outros animais estão muito bem representados e as cores ‘on point’.
Não sei se já foi lançado mais algum dos volumes quer-se seguem mas confesso que para já não fiquei com grande curiosidade em segui-la.
Há um par de semanas, tive a oportunidade de conhecer o Marco, que me apresentou este projeto. É tudo aquilo que sempre quis de um livro, e ninguém me teria conseguido calar durante anos, se pudesse ter crescido com As Crónicas do Tempo e do Espaço. Mal posso esperar pelo segundo volume
Gostei da estética da parte artística da história. A narrativa está bem concretizada, com a história contada a dois tempos (anslepses que nos ajudam a compreender a personagem e a razão pela qual perdeu um braço e uma perna). No entanto confesso, não acho piada nenhuma ao clichê do "ele tem de possuir numa viagem de autodescoberta e nos não podemos interferir. Também não lhe podemos contar que tudo isso faz parte de uma missão secreta de que não podemos falar"... enfim, muito estafada essa ideia, na minha opinião. Em todo o caso e em bom rigor, não posso dizer que não seja um bom livro e que não vale a pena lê-lo. Até porque não é muito longo... Lê-se de uma assentada e fica-se a conhecer mais uns quantos autores portugueses de BD a que vale a pena dar atenção, agora e no futuro!
Uluru é um projeto claramente ambicioso e muito bem estruturado. Mas mais do que isso, é uma boa história, que nos leva à ficção científica pós-apocalíptica.
Este volume surgiu no seguimento da tese de doutoramento de Marco da Fraga Silva, sendo o primeiro de uma trilogia – Uluru, Vidalia e Dragon Head. A história foi inicialmente publicada online, sendo que, após a sua conclusão foi lançada em formato físico através de uma campanha de crowdfunding, para a qual contribui.
A história
A narrativa centra-se num rapaz que terá sido educado por um robot, uma inteligência artificial que tem como objectivo protegê-lo, mas também proporcionar oportunidades de aprendizagem que o façam crescer e transformar num ser auto-suficiente. Esta rapaz, de nome Uluru, possui um braço e uma perna de metal, elementos que irão ser diferenciadores. Como cresceu e como se tornou Uluru, é o ponto principal da história.
Crítica
Em termos de história, é impossível não comparar com Raised by Wolves. Um grupo de crianças humanas é criado por inteligências artificiais num planeta isolado. A história foca-se, no entanto, numa única, que seguirá o seu curso, mudando o nome para Uluru e distanciando-se do robot e da nave. Ainda assim, o robot visita-o e disponibiliza-lhe alguns meios tecnológicos para poder continuar a aprender.
Ultrapassando a premissa central comum, Uluru apresenta algumas divergências que parecem vincar-se ao longo da progressão da narrativa, sendo que estou curiosa por perceber como a história avançará nos restantes dois volumes, para perceber quão diferente será o resultado final.
A ideia central permite, claro, explorar vários pontos da ficção científica como a relação homem-máquina, neste caso em dois sentidos. Por um lado, temos a criação de humanos por inteligências artificiais que assumem o papel de progenitor. Por outro, temos uma personagem com membros metálicos que lhe irão permitir ultrapassar a usual resistência humana.
O desenho, por sua vez, é bom. A premissa permite o desenvolvimento visual de algumas ideias interessantes, com contrastes e animais de aspecto curioso. No final, o volume apresenta ainda páginas de Fanart compostas por artistas conhecidos no meio da banda desenhada português. O ponto negativo do volume vai para a lombada que, após uma única leitura, apresenta marcas evidentes.
Conclusão
Uluru, Crónicas do Tempo e do Espaço é o primeiro volume de uma trilogia que apresenta pontos interessantes tanto do ponto de vista visual como narrativo. O facto de apresentar alguma sobreposição na premissa com Raised by Wolves não me ajudou a ficar fascinada com a ideia. Ainda assim, a narrativa vai-se diferenciando e estou curiosa para perceber o rumo seguido nos dois volumes seguintes. Em termos visuais, agrada, com boas composições.