Encontrei esse livro por acaso em um sebo de Porto Alegre e achei que poderia me ajudar com as minhas pesquisas sobre identidade de gênero. Não poderia estar mais correto, embora o livro tenha sido lançado na década de 90. Quando comecei a ler o livro, o primeiro capítulo tratava sobre a representação da feminilidade nas revistas femininas, como Cosmopolitan e Teen, mas nos anos 2010, as revistas femininas estão em baixas, então esse capítulo me deixou meio desmotivado. Entretanto, o segundo capítulo, que trata do olhar (gaze) masculino sobre as mulheres nas artes e nos filmes é muito bom. A partir desse olhar, que a autora conceitua como falocêntrico, ela começa a explicar a cultura do estupro na nossa sociedade através da pornografia, das fantasias sexuais, de ciência e da lei, que dão ênfase aos capítulos seguintes. O livro é cheio de pesquisas quantitativas e qualitativas com Jane M. Ussher entrevistando muitas mulheres, homens, gays, lésbicas, trans e até estupradores. Então, ela chega finalmente ao capítulo final que tem o mesmo nome do subtítulo "reenquadrando as fronteiras do sexo", em que ela traça quatro categorias de representar a feminilidade na sociedade atual: being girl, doin girl, resisting girl e a performance da feminilidade. Por isso é um livro muito bom, que me fez aprender um monte de coisas que eu não sabia sobre sexo, sexualidade e gênero. E olha que eu já sei muita coisa. Também aprendi uma palavra nova em inglês e que a autora usa muito, que é Whilst, que significa enquanto. =P