Esta autora venceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2020, com o romance "Escavadoras". Recentemente lançou um novo romance, "Faina", que aguçou a minha curiosidade relativamente à sua escrita.
Quando vi este pequeno livro cá em casa, não resisti a lê-lo. É um pequeno conto, ou antes, pareceu-me mais um conjunto de pensamentos, vários fios condutores que se vão quebrando, várias vozes. A escrita é bonita, poética, mas senti a falta de um enredo compreensível. Acredito que, num romance, este tipo de divagações resulte muito melhor para mim.
"A minha mãe dizia que mesmo no pior dia há sempre qualquer coisa bonita. Quando a mãe da minha mãe morreu, não a conheceste, vi-a usar os brincos de que mais gostava durante muito tempo. Encontrou nisso uma forma de salvar qualquer coisa."
" (...) lemos tantas vezes a mesma coisa e não vemos o erro. Ler a coisa certa no lugar do erro. Curioso, não é? Como acreditar viver a vida certa e ser tudo um enorme lapso. Talvez seja melhor nunca o saber."
"Correr é quotidiano, voar é sonhar. Como contraste entre dia e noite, veja-se o sol, veja-se a lua, quarto minguante a crescente. Como ordinário e extraordinário, algo assim. Corro porque preciso de sobreviver, voo porque quero viver."