O ano é 1985. Estados Unidos. é noite de Halloween e os habitantes daquela pequena cidade do interior procuram um pouco de diversão com o parque itinerante, que estava lotado especialmente naquele dia. O cheiro de pipoca e algodão-doce e os sons dos brinquedos se misturam aos gritos e risos de todos aqueles reunidos em torno de diversão, e você se aproxima de uma enigmática tenda cigana. O tecido listrado atrai o olhar. Você não se lembra de ter reparado nela ali antes. Então, surge um homem chamando a quem passa do lado de fora. Um cigano alto, esbelto, de cabelos bem negros e longos, presos por uma bandana. As roupas muito coloridas parecem combinar de forma incomum...
Audiolivro. Achei repetitivo. A sensação que dá é de que foram passadas algumas informações para cada escritor escrever seu conto e diversos repetiram essas informações desnecessariamente. Os entrecontos amarram bem a história.
Reunindo 26 contos de diversos autores, a obra se destaca não apenas pela variedade de vozes, mas pela engenhosa estrutura que as une. A antologia transporta o leitor para 1985, ambientada em um parque de diversões nos Estados Unidos. O fio condutor dessa jornada horripilante é a tenda de Madame Gris, a enigmática cigana que promete revelar o futuro através da leitura de cartas. Essa moldura narrativa cria uma atmosfera nostálgica e, ao mesmo tempo, sinistra, preparando o palco para os horrores que virão. Embora cada conto funcione como uma narrativa independente com seu próprio começo, meio e fim, a curadoria de J.C. Gray brilha ao criar "entrecontos" que habilmente ligam as histórias. Essa costura narrativa confere à antologia uma fluidez e uma profundidade incomuns, transformando a leitura de uma simples coleção para uma experiência mais coesa e envolvente. A proposta central dos contos é intrigante: explorar a conexão com o passado, o presente e o futuro, mas com a sombria ressalva de que o "pagamento" é feito de forma adiantada, sugerindo sacrifícios ou consequências terríveis. O tema principal, personificado no título, é a entidade "Noturno da Alma". Descrita como um ser ancestral e devorador, essa criatura se alimenta de almas maquiavélicas e ruins por natureza. A fome de Noturno, que ressurge após 120 luas, é um motor perturbador para muitas das narrativas, mostrando diferentes facetas desse mal primordial. Cada autor contribui para dar forma a essa entidade, tornando-a um personagem coletivo e aterrorizante da antologia. A qualidade da escrita é um ponto alto da obra. Alguns se destacam particularmente, como o conto que dá nome à antologia, "Noturno", de J.C Gray, além de "Reencontro" de Alessandro Mathera, "Defumador" de Eduardo Maciel e "Queime bruxa, queime" de Tati Klebis, entre outros que compõem o rico mosaico de horrores. "Noturno: o lado oculto da alma" é uma leitura que pode ser saboreada de diversas formas: seja em uma única sentada, entregando-se completamente aos horrores apresentados, ou degustando um conto por vez. É uma companhia ideal para noites de lua minguante, dias de chuva torrencial ou, claro, na noite de Halloween, quando a fronteira entre os mundos parece mais tênue. No entanto, o leitor é advertido: a experiência pode ser tão profunda que Madame Gris poderá tocar o fundo de sua alma.
Disponível em texto e áudio pelo aplicativo Skeelo, o livro ‘Noturno: o lado oculto da alma’ é garantia de suspense divertido para crianças ou boas risadas se você é um adulto que não se importa com histórias simples, para ouvir enquanto lava uma louça ou alguma atividade outra atividade braçal.
Organizado por J.C. Gray, o livro traz histórias das autoras Joyce Santalme e Deborah Mundin. A maioria dos contos é ambientada nos Estados Unidos, mas há uma breve passagem em terras tupiniquins. A escolha provavelmente está relacionado à tradição do Halloween, uma pena já que traz descrições genéricas dos locais.
A narração do audiobook está hilária. Demorei um pouquinho, mas ficou muito bom depois que me acostumei com as vozes e entonações teatrais. Queria apenas conhecer a antologia, mas quando pensei que não, ouvi todos os contos enquanto realizava atividades diversas. Infelizmente, nenhum terror.
Imagino que a história seja ideal para crianças de até 10 anos, quando a ideia de um monstro que devora almas de personagens vilanescos é levemente assustadora, mas ainda reconfortante. Não espere grandes reviravoltas e personalidades consistentes ao longo dos contos, mas com certeza é um jeito legal de incentivar o amor pelas histórias no pequeno.