Neste livro, a operação desastrada da Scotland Yard permanece encoberta por várias semanas. Enquanto o alto-comando da polícia sustenta uma versão falsa sobre o incidente no metrô, uma secretária da corregedoria da Scotland Yard que participa da investigação oficial descobre a verdade sobre o caso e a revela a um jornalista da emissora de televisão ITN - Jean Charles não foi perseguido e alvejado porque correu da polícia, mas sim por absoluta irresponsabilidade e imprudência dos policiais que o perseguiram e mataram sem qualquer prova ou evidência de que ele era o suspeito procurado. Ao contrário do que fez parecer a versão largamente noticiada no Brasil, o rapaz sequer teve tempo de descobrir que estava sendo seguido.
Em Nome de Sua Majestade (Ivan Sant'Anna). O livro traz à luz a trágica história de Jean Charles de Menezes, um brasileiro que perdeu a vida em Londres em julho de 2005, após ser confundido com um terrorista em meio a uma série de atentados na cidade. A narrativa se desenrola em um contexto de insegurança e pânico gerados pelos ataques terroristas que deixaram mais de 50 mortos e centenas de feridos, destacando as falhas e a imprudência das autoridades policiais. Jean, que estava em Londres legalmente em busca de uma vida melhor, foi morto de forma brutal devido a um erro de identificação, quando a polícia o confundiu com um suspeito. O escritor detalha como a operação policial falhou em seguir protocolos adequados, levando a uma abordagem desastrosa que culminou na morte de um inocente. A falta de comunicação eficiente e a desorganização nas ações das autoridades foram fatores que levaram a esse desfecho trágico. Após o incidente, uma controvérsia surgiu quando documentos que expunham os reais erros da polícia foram revelados por um jornalista. Essa revelação expôs a tentativa da polícia de encobrir seus erros, transformando Jean em alvo de uma narrativa que o culpabilizava. A investigação que se seguiu foi considerada limitada e mais uma formalidade do que uma busca genuína por justiça. O autor transmite a indignação em relação à impunidade que cercou o caso, onde os responsáveis enfrentaram poucas ou nenhuma consequência por suas ações, enquanto a vida de Jean foi tragicamente interrompida. Ivan Sant'Anna é elogiado por sua habilidade narrativa, que combina profundidade emocional com uma reconstituição envolvente dos eventos. Ele não é um jornalista, mas apresenta uma busca detalhada pela verdade e pela injustiça que cercou a morte de Jean. Assim, Sant'Anna provoca uma reflexão sobre a superficialidade com que as autoridades lidaram com o caso, levantando questões sobre a responsabilidade da polícia e a desconsideração pela vida de cidadãos inocentes em situações críticas. A obra e o vídeo que a retrata geram um forte sentimento de revolta, ressaltando a vulnerabilidade das vidas humanas em face da segurança pública e as falhas do sistema legal. A história de Jean Charles de Menezes é um exemplo contundente das falhas do sistema e da necessidade de uma maior responsabilidade por parte das autoridades, refletindo questões mais amplas sobre justiça, segurança e empatia em tempos de crise. Em resumo, "Em Nome de Sua Majestade" não apenas narra a tragédia de Jean, mas também desafia o leitor a refletir sobre os muitos aspectos da justiça, segurança e o impacto das decisões feitas sob pressão. A obra é um apelo à memória e à empatia por aqueles que se tornaram vítimas de falhas institucionais, deixando um legado que ecoa a importância de nunca esquecer o valor da vida humana.