Ainda existem fidalgos, alcoviteiras e judeuscomo os do Auto da Barca do Inferno?
A autora encontrou-os no Cais e, seguindo os passos do mestre, abusou da imaginação.
Há viagens que são um autêntico inferno, capazes de tornar qualquertravessia numa agonia permanente. Mas há outras em que ospassageiros, embalados pelo vento, se sentem cada vez mais pertodo céu. Nesta história, depois da extrema-unção, as personagens partem parao Cais, onde encontram um paquete e umveleiro. Poucas conseguem entrar na embarcação que asleva ao destino mais desejado: o Paraíso.
3,8⭐️ Dei 3,8 estrelas a este livro porque, além de me ter despertado bastante curiosidade, é uma adaptação do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, para o nosso século. Foi publicado em 2011, mas tudo o que é referido continua atual, tal como a própria obra original do século XVI. Gostei muito desta adaptação, sobretudo porque mostra que há muitos aspetos que permanecem semelhantes desde o século XVI até hoje. O que muda é a forma como as situações se manifestam, não a sua essência, os comportamentos continuam praticamente os mesmos, apenas apresentados de maneiras diferentes. As personagens estão bem construídas e desenvolvidas. É apresentada a história de cada uma, o seu nome, o contexto familiar e, por fim, o encontro no cais com o Cruzeiro do Inferno e o Cruzeiro do Paraíso, onde surgem o Lúcifer e o anjo. Essa organização ajuda a compreender melhor cada figura e o seu papel na narrativa. Não atribuí quatro nem cinco estrelas porque não considero que seja uma obra-prima literária. Ainda assim, dentro das minhas expectativas, foi uma leitura que me surpreendeu pela positiva e de que gostei bastante. Tal como referi na avaliação do livro anterior, 3,8 estrelas é, para mim, uma classificação sólida: não é extraordinário, mas está longe de ser fraco. Recomendo a leitura, especialmente por curiosidade e, idealmente, depois de lerem o Auto da Barca do Inferno original. É um livro muito rápido de ler, tanto a versão do século XVI como esta adaptação, com uma escrita fluida e acessível. No final, inclui ainda sugestões de atividades relacionadas com as personagens, a bibliografia da autora, referências a Gil Vicente e à jornalista mencionada na obra, além de várias ilustrações das personagens adaptadas ao século XXI. Um exemplo interessante é o facto de os quatro cavaleiros surgirem como bombeiros, o que torna a adaptação criativa e atual. No geral, é um livro que recomendo e que vale a pena apreciar com atenção.
O conceito e ideia do livro parecem interessantes, mas penso que acabam por não terem sido muito muito bem trabalhados. Vale pela Brízida Vaz dos tempos modernos, ri-me imenso nesse capítulo. 😅🤣