No livro de Lilian Sais, na chave estética de uma temporalidade cindida e simultânea, a mãe é uma citação, uma existência encarada postumamente e que, no entanto, parece também conectar-se à filha, sentir sua dor, condoer-se, querer-se morta, querer-se viva, forjando uma unidade indivisível entre as duas mulheres. Deflagram-se, nesses diálogos entre fantasmas vivos e mortos, outras possibilidades de manuseio da linguagem, impossível linguagem, que desativa a morte como princípio básico do fim. A mãe em O funeral da baleia é o instante suspenso da explosão, no qual ela se torna capaz de multiplicar-se pela totalidade atmosférica. A mãe está para sempre e ao mesmo tempo já não está: dialeticamente ínfima e eterna, diante do mar, presente em todas as coisas do mundo.
leitura coletiva de Março do clube do livrismo. Gostei que muita coisa fica nas entrelinhas, contando com a sensibilidade de quem lê. A personagem mais interessante da história é oculta, o que aumenta o mistério.
No meio da leitura do livro já planejei a releitura tamanho o impacto que me causou. Talvez eu precise de um tempo pra digerir e conseguir escrever uma resenha, mas acho que é interessante ler sem saber muito, apenas tendo em mente a ideia de luto.
Eu achei o livro envolvente de um jeito diferente do habitual. A história traz muita melancolia, uma tristeza, e até uma estranheza sobre a analogia da história. Mas é quase palpável os sentimentos dessa família. Adorei a leitura. Lilian é incrível, e foi super maravilhosa no encontro do clube do livro.
ainda intrigada com essa imagem da poeira que gesta algo diante de um luto que pode ser tão íntimo quanto perder uma mãe. me atravessou rápido quanto um facão no mato.
Esse livro aborda de forma muito bonita, sensível e poética o luto da perda inestimável de uma mãe. Eu já estava chorando nas primeiras páginas!!! Acho que além disso, o livro trata muito de rotina, de como uma notícia dessas pode interromper a rotina da casa. De como um simples telefone tocando 00:37 pode ter um peso gigantesco. De como fica a rotina de alguém que perdeu uma pessoa tão importante e tão essencial dentro de casa, a ausência de alguém que está ali diariamente, e de repente, não está mais. Também fala um pouco sobre como tentamos proteger aqueles que amamos em um momento como esse, mesmo que a gente também esteja vivendo o luto. Muito lindo.
𝐓𝐫𝐞𝐜𝐡𝐨𝐬 𝐟𝐚𝐯𝐨𝐫𝐢𝐭𝐨𝐬:
“E de repente me pareceu impossível viver sem aquelas mãos não especialmente bonitas, mas que seguravam.” (p. 34)
“No entanto, se é hora de dizer a verdade, a memória do som estridente do telefone tocando com urgência, meia-noite e trinta e sete minutos, essa permanece sem sombra de pó que a encubra, porque atendi já sabendo de onde ligavam e o que iam dizer.” (p. 21)
“A mãe está para sempre e ao mesmo tempo já não está: dialeticamente ínfima e eterna, diante do mar, presente em todas as coisas do mundo.” (p. 131)