A educação como ferramenta de insubordinação contra o assombro colonial, como instrumento de transgressão das hierarquias do poder. Este pode ser um breve resumo do que Luiz Rufino apresenta nesta coletânea de artigos sobre educação e descolonização. Pensada não para gerar conformidade, mas divergência, a educação é a força que possibilita o processo de descolonização. A partir dessas premissas Rufino levanta discussões relevantes e atuais sobre o processo educacional, além de apontar caminhos.
Nos sete artigos que compõe a obra, o autor traz para o centro do debate a descolonização como tarefa da educação, fala da importância da “desaprendizagem”, da educação como prática da liberdade, realiza o encontro entre Exu e Paulo Freire, fala da gira descolonial como uma contínua batalha do colonizado na tentativa de deslocar a ordem vigente, da escola do sonho, aquela que deve ser habitada pelo conflito, pelo questionamento e finaliza lembrando que brincadeira é coisa séria.
Se a escola tem sido ao longo do tempo um espaço estratégico para a propagação da agenda curricular colonial, ela é também um lugar necessário para a emergência da descolonização, principalmente por ser potente ao ‘cruzo’ de inúmeras práticas de saber, ser arrebatada pela imprevisibilidade e inventividade dos cotidianos e concentrar parte dos corpos políticos que, ao longo do tempo, são alvos dessa engenharia de destroçar vida e esperança.
Pedagogo, escritor, Doutor em Educação pela UERJ, pós-doutorado em Relações étnico-raciais (Cefet/PPRER) é professor da UERJ-FEBF no Departamento de Ciências e Fundamentos da Educação. Desenvolve pesquisas sobre Crítica ao Colonialismo, Linguagens, Conhecimentos e Educações Populares. É autor de “Histórias e Saberes de Jongueiros” (Multifoco, 2014), “Pedagogia das Encruzilhadas” (Mórula, 2019) e em parceria com Luiz Antonio Simas “Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas” (Mórula, 2018) e “Flecha no Tempo” (Mórula, 2019).
Por uma educação sem apagamentos Por meio desse livro, Luiz Rufino nos faz pensar nas possibilidades que há na educação para a construção de uma sociedade melhor. Mas para isso precisamos deixar para trás todas as ideologias coloniais enraizadas no sistema. Descolonizando. A educação precisa passar por um processo de descolonização. Assim haverá possibilidades de uma construção plural e múltipla, de identidades diversas e reais. Sem anular a natureza, a espiritualidade e a cultura. Sem descredibilizar o outro. Sem apagar o outro. Sem hierarquias e dominações.
uma didática incrível. me senti um pouco perdida com as palavras, mas reconheço que isso é por uma falta de costume meu de ler esse tipo de livro. o livro é curto, mas fala por mais de 200 páginas. foi a primeira vez que vi muitas das minhas ideias cravadas em uma escrita tão admirável. luiz rufino fez um trabalho impecável em transmitir a mensagem proposta.