De jornalista a cafetão
Uma garagem, um carro, uma prostituta, um cafetão e um assassino. O que teria culminado nessa imagem?
Raul, jornalista, casado há 6 anos com Ariela, recebe na sala do apartamento o anúncio da separação. Fabi, melhor amiga da esposa, acaba sendo o consolo do homem, segunda mulher de sua vida, aquela que sempre bateu ponto em suas punhetas.
Depois de certo tempo, nova separação. Agora, o jornalista passa a viver no flat do amigo. Conhece Carla e vê no agenciamento de garotas de programa uma ocupação lucrativa, livre de impostos, já que foi demitido da redação.
O jornalismo é destacado como algo pesado, que pode afetar negativamente relacionamentos, mas também como uma profissão-refúgio, perfeita para mergulhar e evitar os problemas. Raul a usou dessa forma, mas não por muito tempo. O lado traiçoeiro dos jornais se manifestou.
O novo agenciador, além de se dedicar às prostitutas, ocupava-se com filosofia e poesia. Ariela não fugia de seus pensamentos ao escrever. "O amor não acaba".
O cafetão investe consideravelmente no ramo, cria site, chama amigos para ajudar. Possui um grande amor e respeito pelas garotas, e elas por ele. Ao promovê-las, foca no lado mulher delas. Não são apenas putas, piranhas, vadias, e sim mulheres, como quaisquer outras, que oferecem sexo. Apenas.
Curiosa a maneira como o tema prostituição é abordado na obra. Apesar de conter esterótipos, enxerga-se o lado humano, pessoa, mulher nas moças. Tudo é bem natural e normal.
Entretanto, no fim, o leitor sente-se traído. Durante a trama, todo um discurso é construído por Raul e termina que o escrito e declamado por ele não condizem com as últimas páginas de "A Segunda Vez Que te Conheci".
O carnal era o que importava, na realidade, para "Lu".