Os traços de Ivone irradiam vida, luta, justiça e esperança. Tornou-se freira aos vinte e dois anos, optou por viver ao lado daqueles que mais necessitam, foi silenciada pelo Vaticano, é feminista e favorável à legalização do aborto. São mais de sete décadas vivendo a desobediência com a energia dos adolescentes que teimam em acreditar na esperança e num mundo menos desigual e opressor. Neste livro, Ivone reflete sobre o seu agora: habitar a velhice, nas suas palavras, enquanto a lucidez ainda a habita. E o faz desenhando seu próprio traço: nomeando o envelhecer numa sociedade que não aceita e não cuida dos seus mais velhos. "O mundo capitalista inventou muitas atividades para idosos, mas nenhuma que preencha o vazio que se apossa de muitos de nós. O que é mesmo este vazio que poucos ousam enfrentar e partilhar?"
Que surpresa boa esse livro. Descobri por acaso, pesquisando e-books de graça na Amazon e gostei muito das reflexões da autora. Acho fantástico que mesmo pertencendo a Igreja, ela começou a questionar certas atitudes e falas dessa comunidade. Se a maioria das pessoas religiosas fossem assim, conseguissem acreditar em algo maior e ainda assim ter críticas e ressalvas às ideias difundidas por homens, o mundo seria um lugar muito mais empático e justo do que é hoje.