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O Teodolito

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16 pages, Paperback

First published January 1, 1962

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Luiz Pacheco

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Luiz José Gomes Machado Guerreiro Pacheco foi escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura.
Nasceu em 1925, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, numa velha casa da Rua da Estefânia, filho único, no seio de uma família da classe média, de origem alentejana, com alguns antepassados militares. O pai era funcionário público e músico amador. Na juventude, Luiz Pacheco teve alguns envolvimentos amorosos com raparigas menores como ele, que haveriam de o levar por duas vezes à prisão.

Desde cedo teve a biblioteca do seu pai à sua inteira disposição e depressa manifestou enorme talento para a escrita. Estudou no Liceu Camões e chegou a frequentar o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi um óptimo aluno, mas optou por abandonar os estudos. A partir de 1946 trabalhou como agente fiscal da Inspecção Geral dos Espectáculos, acabando um dia por se demitir dessas funções, por se ter fartado do emprego.
Desde então teve uma vida atribulada, sem meios de subsistência regulares e seguros para sustentar a família crescente (oito filhos de três mães adolescentes), chegando por vezes a viver na maior das misérias, à custa de esmolas e donativos, hospedando-se em quartos alugados e albergues, indo à Sopa dos Pobres. Esse período difícil da vida inspirou-lhe o conto "Comunidade", considerado por muitos a sua obra-prima.

Nos anos 60 e 70, por vezes viveu fora de Lisboa, nas Caldas da Rainha e em Setúbal.
Começa a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, como O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova. Em 1950, funda a editora Contraponto, onde publica escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Natália Correia, Herberto Hélder, etc., tendo sido amigo de muitos deles. Dedicou-se à crítica literária e cultural, tornando-se famoso (e temido) pelas suas críticas sarcásticas, irreverentes e polémicas. Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime salazarista. Denunciou, de igual modo, plágios, entre os quais o cometido por Fernando Namora em Domingo à Tarde e sobre o romance Aparição de Vergílio Ferreira.

A sua obra literária, constituída por pequenas narrativas e relatos (nunca se dedicou ao romance ou ao conto) tem um forte pendor autobiográfico e libertino, inserindo-se naquilo a que ele próprio chamaria de corrente "neo-abjeccionista". Em "O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor" (escrito em 1961), texto emblemático dessa corrente e que muito escândalo causou na época da sua publicação (1970), narra um dia passado numa Braga fantasmática e lúbrica, e a sua libertinagem mais imaginária do que carnal, que termina de modo frustrantemente solitário.

Alto, magro e escanzelado, calvo, usando óculos com lentes muito grossas devido a uma forte miopia, vestindo roupas usadas (por vezes andrajosas e abaixo do seu tamanho), hipersensível ao álcool (gostava de vinho tinto e de cerveja), hipocondríaco sempre à beira da morte (devido à asma e a um coração fraco), impenitentemente cínico e honesto, paradoxal e desconcertante, é sem dúvida, como Pícaro, personagem literário, um digno herdeiro de Luís de Camões, Bocage, Gomes Leal ou Fernando Pessoa.

Debilitado fisicamente e quase cego devido às cataratas, mas ainda a dar entrevistas aos jornais, nos últimos anos passou por três lares de idosos, tendo mudado em 2006 para casa do seu filho João Miguel Pacheco, no Montijo e daí para um lar, na mesma cidade.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for tiago..
469 reviews133 followers
October 31, 2021
Foda-se, Pacheco.

O Teodolito abre desartificioso, como quem não quer a coisa, como texto que não tem grande fim senão falar do que vier ao canto da página. Neste caso, um teodolito - um instrumento de medição de distâncias - e a Umbelina, criada na casa de Pacheco, que trata de lhe acariciar o seu próprio 'teodolito'. Parece, portanto que me estou a entregar à leitura de dezasseis páginas de piadas javardas em que Luiz Pacheco usa 'teodolito' como um eufemismo para o pífaro que deus lhe deu. Mas com Pacheco, verdade seja dita, já aprendi a esperar outra coisa.

Na sala de visitas é, de facto, ao que parece, um corpo que estão a velar. Registo quem poderá ser: nesta casa só eu vivo agora e alguns retratos de mortos. Falo com eles e eles riem-se muito de mim. Falo com eles e não os entendo. É rara a noite em que isto não acontece. Alguns estão vivos noutro sítio da terra e sou eu o morto para eles. Vamos criando distâncias pela vida fora, vamos morrendo uns para os outros. E também vamos morrendo dentro de nós.


Rapidamente a ilusão inicial começa a desintegrar-se: horizontes temporais entram em colapso, mortos revivem e imagens contrárias cruzam-se: são velhas memórias a desenterrarem-se das profundezas do tempo. Tudo isto lhe invade a casa, a casa silenciosa, solitária, regressa a mãe há muito morta, regressa o cheiro a carne podre que se exala dos cadáveres, regressa a criada da juventude, encaveirada, os cabelos em farripas, a acariciá-lo uma vez mais. E com todos estes regressos e reencontros parece ser, ironicamente, cada vez mais evidente e mais omnipresente um sentimento irrevogável de separação. Separação de quê? De tudo, de todos. A isso, dizem, chamam solidão. Que é como quem diz: a morte.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Andreia Santos.
84 reviews
June 29, 2021
“E já não sei onde estava a vida (a minha, ao menos), se começou e para onde, se era para ali, e que lhe fiz.”
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Margarida Sajara Vidinha.
14 reviews
January 27, 2023
Confesso que ia com as expectativas baixas para esta segunda edição de “O Teodolito”. Baixas como quem diz “não tão altas” como as expectativas que coloquei na leitura futura que irei fazer de “Comunidade” de Luiz Pacheco.
Contudo, como sempre, Pacheco consegue surpreender. Neste livro sentimo-nos na cabeça de L. P. e colocamos as dúvidas que nos são expostas numa leitura que se faz em poucos minutos. São 16 páginas de questões e admirações pelo nojento que nos colocam um travo agri-doce na boca. Começamos a embelezar a morte e o nojo que ela nos traz. Pacheco consegue, mais uma vez, transportar-nos para o mundo dele e no final empurra-nos de volta para a realidade com uma pergunta direta ao leitor. Sentimos que para cada um de nós, há uma Umbelina.
Perfeito para uma leitura de cabeceira.
This entire review has been hidden because of spoilers.
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