Um enigma na curva de uma estrada e os quatro braços de uma cruz. Um homem que vê a mãe perder a sanidade aos poucos. Outro que confere o obituário de jornais em busca de um nome conhecido. Uma refeição que evoca todas as últimas ceias. Uma amizade de infância, em meio a empurrões e quedas, leva a uma decisão irreversível.
Em De folhas que resistem, Raïssa Lettiére compõe uma proposta literária potente, em harmonia com o que há de melhor na produção literária contemporânea. A autora traz contos com aroma e cor, para que os leitores possam experimentá-los com todos os sentidos de que puderem lançar mão e misturá-los de forma sinestésica no embate com o texto. Temas como memória, desejo e conflito familiar se descortinam no embate entre a intimidade e a vida social de suas personagens.
"QUANDO NOS SENTIMOS SOZINHOS, BUSCAMOS NOS APROXIMAR DE SERES ENIGMÁTICOS."
Os contos me permitem mergulhar na obra de um autor ou autora de forma polivalente.📚 Tenho a sensação de ter a oportunidade de percorrer vários caminhos dentro de uma mesma trajetória. Acho que por isso me agrada tanto a leitura de contos!😊
🍃 O último livro de contos que finalizei foi "de folhas que resistem" da Raïssa Lettiére.
📜 Com orelha assinada por João Anzanello Carrascoza (um dos autores nacionais do meu coração) e prefácio por José Castello, "de folhas que resistem" é o livro de estreia da Raïssa Lettiére.
"ESPAÇO É UM SUBSTANTIVO QUE NÃO É PALPÁVEL NA VIDA REAL, E ELE PODE SER ROMPIDO, OU MELHOR, REINTERPRETADO EM QUALQUER MOMENTO DE DISTRAÇÃO."
📜 O livro reune 21 contos curtos que representam cotidianos nada genéricos, com tons fortes, bruscos e até um tanto perturbadores. Mas que, quando comparados aos momentos atuais, podem ser um respiro.
✨ Anzanello diz que "Raïssa Lettiére apresenta uma nova paisagem no descampado da nossa literatura - não um bosque coberto por relva delicada, mas uma mata voraz e misteriosa..." 🌳 e em várias passagens é possível perceber os sentimentos mais rudimentares do ser humano entrelaçados com a força da natureza. E é assim que sinto muitas vezes quando, para entender a vida, é preciso debruçar sobre ameaças e separar folha por folha para ter pequenos vislumbres do que sou, do que quero.
🍃 Para ter uma experimentação diferente, acabei optando em ler os contos em ordem diversa, e eles me causaram grande estupefação.
◽ Vi seres humanos errantes e multifacetados, gente como a gente, que se perde em memórias, que toma decisões irreversíveis, que se padece com familiares e amigos e que se culpa ao reviver tormentos de épocas distantes.
◽ A subjetividade da arte imitando a vida me salta aos olhos, de tão densa, chega a ocupar espaço nas fendas que sofremos diariamente. É uma impalpabilidade que nos move numa busca interminável por algo há muito perdido, brumoso pelas incertezas da mente, e que clamam por resistência.
"FOI QUANDO EXAMINEI SUA PUPILA QUE PERCEBI A INTENSIDADE DO QUE NUNCA NOS DISSEMOS."
🍃 Caóticos e pungentes, os contos de "de folhas que resistem" são uma ótima pedida para quem curte o gênero.
"PARA EVOLUIR É PRECISO, ANTES DE MAIS NADA, SOBREVIVER."
De folhas que resistem é o primeiro livro de Raïssa Lettiére, uma antologia com 21 contos publicada pela editora Biblioteca Azul.
Os contos são curtos e, também por isso, muito potentes: a escrita da autora se condensa no espaço de poucas páginas, intensificando toda a experiência para quem lê. Uma das imagens mais frequentes na antologia é a da retina e do olhar, essa superfície escorregadia que capta vislumbres, impressões, não imagens concretas. Por isso, nem tudo na leitura é o que parece em um primeiro instante, ou mesmo trazem um sentido fixo. Aliás, os jogos de palavras, bem como as referências bíblicas e históricas, possibilitam uma brincadeira com os significados, proporcionando diferentes interpretações. Também, Raïssa Lettiére trabalha muito bem as quebras de expectativa e reviravoltas, além de demonstrar o rotineiro de forma não habitual. Embora os cenários sejam quotidianos, a complexidade das personagens e de suas emoções conflitantes fazem delas tudo, menos triviais.
A morte perpassa todos os contos — seja a morte física ou de ideias e expectativas — e, com ela, entrega as noções de efemeridade, melancolia, transformação e, até mesmo, do sombrio. Porém, acima de tudo, a morte traz a noção de potência da vida, já que não existe sem ela.
Apesar de ser um livro curto, De folhas que resistem é daqueles para se ler aos poucos, degustando cada palavra e refletindo tudo que delas pode ser extraído. Inclusive, alguns contos li mais de uma vez, tanto para apreciar a bela narrativa de Raïssa Lettiére quanto para buscar sentidos que eu poderia ter deixado passar em meu primeiro contato com o texto.
Uma coletânea de contos com uma escrita elegante, caprichada, inteligente, com rica possibilidade de interpretação, a autora aborda temas próprios do humano. Sem a pretensão de apresentar fórmulas mágicas ou respostas fáceis para questões complexas que envolvem o sofrimento, a dor e as perdas do ser humano. A autora aborda questões complexas deixando para o leitor portas abertas para que a sua sensibilidade e sentimentos o conduzam através dos contos . Um convite à reflexão. Uma leitura desafiadora, profunda e compensadora .
Simplesmente incrível. Cada conto obriga o leitor a sair da sua própria zona de conforto, e o força a tirar suas próprias reflexões e conclusões, com temas relacionados ao nosso cotidiano que trazem tantas discussões e angústia.
Este livro é um mergulho profundo na natureza humana. Ele é inquieto e inquietante. Ele provoca. Faz o leitor se espelhar em tantos sentimentos... é uma leitura imprescindível na categoria contos. Super recomendo!