"Desde o início, muitos sectores da direita viram na saúde uma oportunidade de negócio e o SNS como um obstáculo a esse negócio. Mas havia um obstáculo ainda maior a esse apetite pelos negócios da saúde: o sucesso do SNS! O SNS levou o serviço de saúde a zonas de Portugal onde nunca tinha passado um único médico. As taxas de mortalidade infantil deixaram de ser das mais altas do mundo para passarem a ser das mais baixas. As taxas de mortalidade materna caíram a pique. A esperança média de vida alcançou o nível dos países mais desenvolvidos da Europa. Criou-se um plano nacional de vacinação que foi um sucesso. Estendeu-se a rede de cuidados primários e de proximidade, levando um médico de família a quase todos os portugueses. Criaram-se serviços hospitalares de referência e com alta capacidade tecnológica. E o povo português percebeu esse sucesso, reconhecendo no SNS um garante de estabilidade e segurança nas suas vidas. O SNS passou a significar democracia, igualdade, desenvolvimento e progresso. E é por isso, e por mais razão nenhuma, que se tornou politicamente difícil atacar o SNS, propondo uma alternativa privada. As juras de amor ao SNS generalizaram-se da esquerda à direita e a sua defesa passou a ser um daqueles chavões fáceis que constam de qualquer programa eleitoral."
Páginas 86 e 87