«Todo o futuro é fabuloso», escreve Alejo Carpentier. Será? E será uma fábula feliz ou uma efabulação quimérica? A resposta está no presente, aquele que hoje vivemos, que é o de uma sociedade de medo. Foi isto que desaprendemos com a pandemia: o medo dos outros ou de nós próprios fechou-nos numa vida em zapping, mergulhou-nos em identidades ilusórias no Facebook, avassalou-nos com imagens dominadas pelo tribalismo - seja de religiões fanatizadoras, seja de supremacismo agressivo. O nosso mundo está a mudar e ressurgem fantasmas do passado, a necropolítica, que usa a destruição como normalização, e a bufonaria, que eleva títeres ao poder fazendo com que, como adivinhava Foucault, «o grotesco seja um dos procedimentos essenciais da soberania arbitrária».
O Futuro Já Não É o Que Nunca Foi discute esta modernidade destroçada. Mostra como o predomínio da intoxicação nas redes sociais constitui uma tecnologia da razão sonâmbula, com um regime de avalancha que esgota a informação e que se constitui como arma do capitalismo tardio, com a plataformização do trabalho e a vigilância dos dados da nossa vida. Tornámo-nos cobaias do maior espaço social que existe, sem regras que não sejam as da privatização por um mercado totalitário, e é nele que nasce a agressividade da extrema-direita trumpista, ou da multidão dos seus seguidores. A resposta, urgente, é a luta pela democracia como força emancipatória e como responsabilidade social. Este livro propõe-lhe que nem espere nem desespere: é no presente que definimos a nossa vida.
FRANCISCO LOUÇÃ nasceu em Lisboa, a 12 de Novembro de 1956. Licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG/UTL), onde ainda fez o mestrado e concluiu o doutoramento e é, actualmente, professor catedrático. Tem livros e artigos científicos publicados em onze línguas. Publicou recentemente The Years of High Econometrics - A Short History of the Generation that Reinvented Economics (Londres e Nova Iorque, Routledge, 2007), Economia(s), com José Castro Caldas (Porto, Afrontamento, 2009), Robert Solow and the Development of Growth Economics, com outros economistas (Durham, Duke University Press, 2009), Os Donos de Portugal - Cem Anos de Poder Económico, 1910-2010, com Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda e Fernando Rosas (Porto, Afrontamento, 2010). Foi Coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, entre 2005 e 2011, deputado à Assembleia da República entre 1999 e 2012 e candidato à Presidência da República, em 2006, pelo BE, tendo obtido 5% dos votos. É, desde Dezembro de 2015, conselheiro de Estado.
Louçã procura neste livro explicar o nosso presente como os acontecimentos históricos mais recentes moldaram o nosso panorama político não a nível nacional, mas sim a nível internacional.
Começa primeiramente por explicar a sociedade do medo as suas origens históricas e como se foi adaptando ao longo dos tempos nunca se apaziguando por completo guiando-nos a um sistema político intitulado de necro-política que é a base da nossa estrutura hierárquica económica descrevendo também as vozes que as premiaram.
Uma dessas vozes mesmo que não feita para esse propósito são as novas formas de comunicação mais nomeadamente a internet e redes sociais. Entra em detalhe com o conservadorismo norte-americano com a campanha do Trump e no Brasil com o Bolsonaro, conseguindo instrumentalizá-la explicando o porquê de funcionar bem para a propagação da sua propaganda passando por falar da recolha de dados das gigantes da tecnologia, da forma como o Facebook cria experiência isoladas para todos os seus clientes mantendo-as no conformismo permanente guiando a uma polarização atroz da nossa sociedade equiparando todo este mecanismo à sociedade orwelliana.
Acaba por definir toda esta era como capitalismo tardio onde a população trabalhadora está cada vez mais alienada do seu produto e existe uma incessante plataformização do mercado, de tal forma modular procurando as empresas captar o maior monopólio não trabalhando em prol do consumidor mas sim no controlo de mercados, segregando cada vez mais as nossas classe acabando por existir uma modularizando ao extremismo em que acabamos por não perceber quem realmente controla a nova sociedade, pessoalmente lembrando-me a obra Processo de Kafka.
No fim acaba numa nota mais positiva sobre a sobrevivência da democracia a estes novos desafios e como Um dia chamou-se-lhe liberdade, igualdade e fraternidade e foi tendo outros nomes desde então, socialismo, cooperação, humanidade. No pior dos mundos, o melhor dos mundos luta por si.