Um relato sensível e atroz sobre o corpo, a doença e a vida, por um dos maiores críticos de cinema do país.
Desde que tornou público, na década de 1990, ser soropositivo, Jean-Claude Bernardet sofreu de meningite, perdeu parte da visão e foi diagnosticado com câncer duas vezes. Da primeira, achou que estaria curado ― até a reincidência da doença, que, desta vez, decidiu não tratar. Os ensaios aqui reunidos ponderam sobre a suposta obrigatoriedade da cura, imposta pela medicina em detrimento do bem-estar do paciente. O que Bernardet vê como realmente incontornável é a necessidade de se estar sempre em movimento, atuando como agente da própria vida. “Preciso sair desse limbo dos pré-mortos para onde vou sendo empurrado, o que vai me matar não é a doença, é a rede que está se fechando em volta de mim”, diz o crítico. Abdicando da constante perspectiva da morte, Jean-Claude Bernardet constrói um sólido manifesto sobre a liberdade do corpo e o poder da escolha, seja para dançar, andar sem rumo ou se curar.
Com a reprodução integral de A doença, uma experiência.
“Se pareço estar doente, é que não me norteio pelas aparências nem pelo meu relativo bem-estar, sei profundamente que estou doente, sei que estou profundamente doente.” (p. 107)
personagens que buscam, não sabem o que buscam e nada encontram, essa melodia que sempre se anuncia mas nunca se realiza. considerar a ironia como um valor acima de qualquer outro.