Os problemas de integração dos emigrantes portugueses são retratados numa intriga à volta da vida de uma professora portuguesa de liceu, em França. A emoção do sentimento e do sentir da rejeição dos professores franceses atravessa todas as 208 páginas deste romance escrito em 1997. É ficcional e autobiográfico, porque a autora inspira-se na sua própria vivência de luso-francesa, alternando, amiúde, a sua residência entre Portugal onde nasceu e França onde trabalha. E a linguagem do livro é num português traduzido do pensamento francês, que o enriquece. A fala enriquece a língua escrita, neste caso a portuguesa "de Portugal", na tradição das "descobertas portuguesas", que continuam, todos os dias, a influenciá-la. Um testemunho de uma jovem emigrante que nos obriga a reflectir sobre a emigração e a pertença individual a uma comunidade ou a várias. Afinal não somos todos emigrantes europeus?
Por Helena Roldão - Moderadora da Comunidade de Leitores da Hemeroteca Municipal de Lisboa (livro a debater em 26 de Setembro e 17 de Outubro de 2017).