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Da Meia-Noite às Seis

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Susana Ribeiro de Andrade é uma locutora de rádio a tentar sobreviver à perda súbita do marido, vítima de Covid-19. Rui Vieira, jornalista na mesma estação de rádio, debate-se com as consequências de um acidente que veio expor as fragilidades da sua vida familiar e amorosa. Ambos vão encontrar um novo alento para reconstruir as suas vidas no programa de rádio das madrugadas, e aquelas horas mortas, da meia noite às seis, serão uma alternativa ao oxigénio, não só para eles, como para os seus ouvintes. Escrita num registo de intimidade que nos envolve, esta narrativa segue a vida, presente e passada, de personagens que se cruzam e cujas opções de vida reflectem o que é prioritário em tempos de pandemia.

Da Meia-Noite às Seis é o regresso de Patrícia Reis ao espaço literário que define a singularidade, a subtileza e a sabedoria da sua voz: o território da complexidade das relações humanas e da busca de identidade.

192 pages, Paperback

Published January 1, 2020

5 people are currently reading
224 people want to read

About the author

Patrícia Reis

57 books89 followers
PATRÍCIA REIS nasceu em Lisboa, a 12 de Dezembro de 1970. Começou como jornalista n' O Independente aos dezassete anos. Passou pela revista Sábado, de que foi editora, fez um estágio em Nova Iorque na revista Time e, no regresso dos EUA, colaborou no Expresso, trabalhou nas revistas Marie Claire e Elle e nos «projectos especiais» do jornal Público. Em 1997 passou a colaborar com o atelier de Henrique Cayatte, na produção de conteúdos para a Expo' 98. Desta colaboração surgiu o Atelier 004 de que é directora e que, entre outros projectos, produz a Egoísta.

Escreveu a curta biografia de Vasco Santana e o romance fotográfico Beija-me (2006), em co-autoria com João Vilhena, a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008), Antes de Ser Feliz (2009), Por este mundo acima (2011), Contracorpo (2013) e O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky (2014).

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5 stars
46 (27%)
4 stars
75 (44%)
3 stars
42 (25%)
2 stars
5 (2%)
1 star
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Displaying 1 - 30 of 33 reviews
Profile Image for Ana.
760 reviews177 followers
August 24, 2024
Patrícia Reis nunca, nunca me desilude!
Obra lida no Kobo.

AMEI

NOTA - 9,5/10
Profile Image for Marta Xambre.
254 reviews29 followers
April 6, 2022
"Da meia noite às seis" foi a minha primeira leitura dos livros da Patrícia Reis e, após a leitura do livro em questão, posso referir, sem reservas, que quero ler mais da autora.
Gostei muito da forma como a autora escreve, recorre a frases curtas, poucos parágrafos, ou seja é uma escrita muito corrida e vemos, de imediato, esse aspeto quando folheamos o livro e deparamo-nos com uma mancha gráfica bem preenchida. Contudo, lê-se com muita fluidez , muita motivação e interesse. A autora consegue tornar o simples em belo, e é essa beleza tão simples e realista que me cativou tanto, desde a primeira página.
A ação da narrativa localiza-se em Lisboa, numa época muito atual, abordando, deste modo, a pandemia, sendo a partir desta "fulana indesejável" que algumas situações se vão desenrolar.
Quanto à história, vamos entrar na vida de pessoas banais, iguais a tantas outras, que o que têm em comum é o facto de terem que enfrentar e lidar com as suas perdas, os seus sofrimentos, fragilidades e fantasmas. Quem é que não os tem?!
No término da leitura, quando fechei o livro, restou um sorriso nos lábios, porque o que encontrei no livro foi um pouco de mim, um pouco de tantos nós...




Profile Image for Rita da Nova.
Author 4 books4,670 followers
Read
April 12, 2024
“Gostei bastante da escrita da autora — até porque sou muito fã deste estilo que imita o que vai dentro da cabeça das personagens —, bem como da estrutura do livro. Saltamos entre pontos de vista, entre passado e presente, até compreendermos como é que as diferentes personagens se vão cruzando e como têm impacto na vida umas das outras. Ainda assim, houve duas coisas que não adorei: a primeira foi o facto de a autora se referir sempre às personagens pelo nome completo, o que acabou por me tirar da leitura algumas vezes; a segunda foi o final dado a uma das personagens e a ligação, a meu ver um pouco forçada, que tentou fazer.”

Review completa em: https://ritadanova.blogs.sapo.pt/da-m....
Profile Image for Sónia Carvalho.
196 reviews17 followers
February 17, 2022
Foi a 1ª vez que li Patrícia Reis e não estava à espera de gostar tanto. A escrita é envolvente, a história muito actual. “Da Meia-Noite às Seis”, conta-nos a história de Susana Ribeiro de Andrade, uma locutora de rádio que tenta sobreviver à morte súbita do marido, vítima de Covid-19. É no programa da madrugada, que conhece Rui Vieira, jornalista, um homem que se debate com as consequências de um acidente de viação que veio explorar as fragilidades da sua vida familiar e afectiva. Naquelas “horas mortas” começam a estabelecer-se laços de partilha e amizade entre duas pessoas que nunca se viram. Ambos vão encontrar um novo alento para continuar a “viver” e aquelas 6 horas por dia serão uma alternativa ao oxigénio, não só para eles, como também para os seus ouvintes. A pergunta cantada por Caetano Veloso na música “Cajuína”, existirmos: a que será que se destina? marca uma viragem na história e faz com que surja a ideia de fazer uma rádio diferente em tempos de pandemia.

A história fala-nos sobre relações humanas e procura de identidade a partir de acontecimentos traumáticos (luto, acidentes, relações afectivas que terminam). Fala-nos sobre tristeza, solidão, esperança, redenção, companheirismo, amor e recomeços. Fala-nos sobre a necessidade de parar e percebermos o que queremos da vida. Um óptimo livro e uma excelente leitura.

"Há três meses e dezassete dias, o meu marido morreu. Por causa deste vírus que tomou conta dos nossos dias. Chamava-se António, era um homem bom, divertido, às vezes insuportável, mas era o meu marido e eu amava-o e ainda estava apaixonada por ele e acho que estaria sempre, porque nós eramos especiais e ele chamava-me luva. Eu assentava-lhe.”
Profile Image for Ana Castro.
339 reviews150 followers
April 19, 2024
Da meia noite às seis

“….e ela percebeu que respondia torto . Rápido e torto …..
A mãe aguentou,como fazem as mães, aguentou o impacto , a hostilidade que não era contra ela, era contra o mundo e contra esse Deus …..” -

Conheci Patrícia Reis no Podcast do Programa “A páginas tantas” da Antena 1 que faz semanalmente com a Rita Ferro e a Inês Pedrosa.
Num dos episódios sobre autores portugueses cada uma leu excertos dos seus próprios livros .
A Patrícia escolheu este seu título que foi publicado em Janeiro deste ano e se passa , portanto, no período difícil da pandemia que todos temos vivido .
Acho a sua escrita fácil de ler tal como é fácil ouvi-la na rádio.
A Patrícia escreve como fala.
De tanto a escutar oiço-a em cada palavra do livro.
Tem uma certeza nos termos um discurso límpido , uma fluência na exposição.
A história é interessante, prende e entretuém .
Gostei da 1.ª parte “da meia noite às 2”.
Menos da 2.ªparte “das 2 as 4”
E menos ainda da última parte e do final.
Cheguei ao fim e pensei :
Isto é literatura ?
Profile Image for Paulo Rodrigues.
254 reviews18 followers
May 29, 2022
Tenho muita pena mas não deu para mim , não percebo porque se tem de por exaustivamente o nome completo dos protagonistas todas as vezes 3/4 vezes na mesma página parece coisa de Meninos ricos , isso irritou-me solenemente. A História até é interessante mas a escrita não me cativou .
Profile Image for CCB.
76 reviews63 followers
December 23, 2024
A autora superou-se na prosa de A Desobediente, a biografia de Maria Teresa Horta, que é uma obra brilhante e maravilhosamente bem escrita.

Este romance, no entanto, não me encantou: é bem escrito mas o enredo de lana caprina e a fórmula excessivamente dissolvida em água com açúcar tornaram a leitura maçadora e pouco interessante.
Profile Image for Ana.
584 reviews11 followers
May 8, 2021
Gostei muito 💙 Em primeiro lugar, a Patrícia Reis escreve muito bem. Esta é uma história sobre personagens que se vão cruzar num programa de rádio da noite. Actual, com pandemia, morte, tristeza, solidão mas esperança e energia de renovação, de segundas oportunidades.
Uma simples e bela escrita sobre os terríveis e estranhos tempos de hoje.
Profile Image for Vera Sopa.
749 reviews71 followers
May 1, 2021
Não é muito frequente uma estória me prender logo nas primeiras páginas como aconteceu com este romance da Patrícia Reis. Rendida a uma narrativa corrida como se fosse um rio solto de pensamentos que expõe partes da vida que não se considera dignas de registo e histórias que contém sentimentos. E a empatia com Susana Ribeiro de Andrade foi imediata. Rui Vieira é a segunda personagem que me deixou fisgada.

Um romance atual, que estabelece contacto com o leitor. Como se fossemos íntimos. Como uma locutora de rádio lúcida e critica, que através da proximidade dos ouvintes descobre o eco de um sentir colectivo em tempo de pandemia. Histórias interrompidas. A busca da identidade e a pertinência de existir.

Um romance sobre o tempo triste que vivemos não parece aliciante mas é simplesmente maravilhoso. Não é pesado, ainda que realista e é um recomeço. No final, este livro é como que uma retribuição. Se o lerem, vão perceber. Eu amei.
Profile Image for Duarte.
76 reviews1 follower
January 9, 2025
"Mas olharam-se, num reconhecimento fácil, sorriram, ela percebeu que Rui Vieira viera fazer o possível, mostrar o rosto, dizer estou aqui, não te conheço mas somos amigos, mas estou aqui para ti, estamos juntos, é possível dizer-to, sem to dizer realmente, que não estás sozinha, que não estamos sozinhos "

Uma pequena obra prima sobre o que une as pessoas e como a solidão não tem que ser sozinha.

---


"Ele dizia que guardava tantos textos dentro dele, falas inteiras de autores variados, que as datas se esfumavam"

"não gostam do nosso amor porque não têm um igual"

"Ele queria apenas partilhar com ela todos os segredos do mundo"

"Disse o nome, pedia desculpa, mas que precisava de a ver, se seria possível jantarem. Sinto que não conversamos o que seria justo"

"Construía e destruía, diariamente, cenários mentais que eram impossíveis para quem a observas se, ela e o seu mundo secreto que, infantil ou meramente humano, perdurou no tempo, como se existisse uma dupla sua que poderia viver uma vida outra, ela a dizer mentalmente todas as palavras que teriam remetido ao silêncio a professora de Semiótica antipatica, o namorado parvo que votou à desgraça, a mãe, o pai, o homem que insistia na ideia que ser contra os ciganos não era ser racista."

"Nada disso voltaria a acontecer. Lembrou-se de uma tarde Agosto, antes do ano 2000. Quando tivermos trinta anos estaremos velhas? A melhor amiga tinha feito a pergunta num final de tarde, estavam a beber um gin tónico e a espreitar o pôr do sol, era Verão, elas estavam felizes umas horas, infelizes noutras"

"Alguém escrevera que a escrita é a mais sofisticada forma de silêncio"

"Num mundo onde podes ser qualquer coisa, sê bom. Nessa noite não aconteceu mais nada. Susana Ribeiro de Andrade não tinha ilusões, ela não era má, nem boa, e o mundo em que seria possível ser-se qualquer coisa já não existia"

"Algumas palavras teriam lá dentro o marido dela, para sempre"

"A médica de família tinha-lhes contado que na subida das montanhas não é aconselhável mirar o topo, o objetivo final, importa olhar para baixo para ver o que já se subiu. Quem olha para cima, geralmente, desiste"

"E, antes que se esquecesse, abriu o microfone para dizer que iriam voltar a ouvir 'Cajuina', de Caetano Veloso, porque um ouvinte a tinha pedido há umas semanas e ela ficara a pensar na canção, existirmos: a que será que se destina? não será a ser felizes, já se sabe, mas a noite raramente é para pessoas felizes, não é? Não me respondam, oiçam a música e depois as notícias"

"que bem que o dizia, um poema é uma revolução. Como a emissão naquela noite.
Era um motim, era uma revolta, era uma manifestação, era uma rebeldia, era uma alegria. E quando chegou à palavra a alegria parou, desacelerou os pensamentos e penalizou-se, não há alegria, não, é outra coisa, é outra coisa. Não saberia dizer o que era, e optou por não pensar nisso, passar à frente, não olhar o topo do monte, carregar apenas a pedra montanha acima."

"a avó sabia, ele tinha a certeza de que ela sabia tudo, porque era esse tipo de mulher, razão pela qual sempre se sentira bem perto de mulheres. Não as temia, não as julgava, ou melhor, acreditava que eram capazes de tudo, talvez por ser esse o exemplo, a avó poderosa, a mãe independente, todas as mulheres podiam ser assim, podiam ser o que entendessem"

"não penses que não vejo as tuas falhas, Miguel, vejo-as e tomo nota, o meu amor por ti não é cego, não me digas que não tiveste sorte, não estudaste simplesmente, se te digo que é à meia noite, entras por aquela porta à meia noite, não me importa que idade tens, a casa é minha, faz-se como digo, a vida é muito mais simples se entenderes algumas coisas que são básicas, és educado, és dedicado, és altruísta na medida certa e egoísta quando tiveres de ser, não há uma receita exata, cinquenta gramas disto e duzentas daquilo, tens de aprender, tens de estar atento, é vigia-te, vê quem és e quem queres ser "

"Ela ouviu, não interrompeu, não questionou. Ouvir é uma arte que poucos dominam, muitos consideram que o que dizem é mais importante do que aquilo que ouvem, a avó sabia ouvir, aprendera cedo, e ouvir, a maioria das pessoas não sabe, é um enorme prazer"

"Jornalismo não é dizer o que se ouviu dizer, e não pode ser feito pelo cidadão comigo, tem regras, técnica, exige um código de ética, pode ser que o mundo não o cumpra, mas nós aqui cumprimos."

"No dia seguinte, Rui Vieira escreveu uma mensagem a Miguel Noronha, a vida é curta, não quero que fiquemos assim, talvez um dia possamos beber um café, quando tudo isto passar.
Não obteve resposta."

"Casei com o amor da minha vida, estamos juntos desde os dezoito, quando casámos tínhamos mais de cinquenta, ele continua a ser o amor da minha vida, e eu continuo a pensar que não o mereço, as pessoas perguntam qual é o segredo e eu respondo sempre que não existe segredo, é uma escolha, é uma escolha diária e é saber que o amor é possível "
Profile Image for António Ganhão.
Author 2 books28 followers
Read
September 25, 2021
As horas mortas de uma estação de rádio estabelecem laços de partilha entre pessoas que nunca se viram, nunca se falaram, mas com algo a dizer que é sentido por todos. A perceção de que a pandemia está lá fora, condenando-nos a viver relacionamentos de distanciamento, cada vez mais próximos aos das redes sociais.

Ler mais em Acrítico - leituras dispersas

Profile Image for Adelaide Silva.
1,301 reviews15 followers
January 30, 2025

Não estava à espera de gostar tanto deste livro. Um livro sobre emoções e sentimentos em tempos de pandemia. Um livro tão actual
Profile Image for Alexandra Maia E Silva.
433 reviews
January 2, 2022
A cadência é incrível, uma velocidade de leitura, que por vezes me faz parar e pensar com calma para não tropeçar nas palavras, nos ritmos, na narrativa de não uma mas 2 histórias pessoais que se desenrolam a um ritmo vertiginoso.
É incrível como vou ouvindo a voz da Patrícia ao longo da leitura, com o primeiro livro dela, o que nos separa dos outros..., descobri o podcast a páginas tantas, a voz dela é suave, por vezes indecisa, talvez pense bem antes de falar, ao contrário da velocidade das palavras escritas.
Gostei muito, mas acho que não ficou fechado, queria mais, queria que os personagens tivessem uma conclusão, mas se calhar não porque isso é a vida,. Um livro que fala de vidas, e a vida na realidade só fecha com a morte, ou talvez não.
Profile Image for Joao.
198 reviews4 followers
May 2, 2021
Excelente livro! Uma verdadeira história ou várias histórias de amor em tempos de pandemia!
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
October 6, 2024
Da Meia-Noite às Seis, passa-se durante a pandemia de Covid-19, numa realidade mais ou menos fiel ao que todos nós vivemos, embora no livro pareça que o confinamento terá sido mais prolongado, e é nesse contexto que conhecemos a Susana e o António Ribeiro de Andrade, o Rui Vieira, o Miguel Noronha e a Laura.


Susana trabalha na rádio, à qual regressa, após um período de luto pela morte do marido que morreu com covid. Regressa para o horário da meia-noite às seis, para o qual se voluntariou, porque não se sente capaz de enfrentar os dias, a luz e o sol. Descobre no horário da noite uma forma de fazer o luto pelo amor da sua vida e pelo tanto que ficou por viver. Vamos conhecendo a Susana e, através dela António, o marido que morreu cedo demais e a deixou perdida num mundo cada vez mais estranho.


Rui Vieira, também trabalha na rádio. A mesma onde Susana trabalha mas, nunca se tinham cruzado porque, ela trabalhava de dia e ele fazia parte da equipa da noite. O Rui teve um acidente grave, há uns anos, que o deixou com algumas sequelas, sendo que a mais visível é nunca mais ter dito uma palavra. Ficou mudo e, por isso, passou a escrever as notícias para que outros locutores as leiam na rádio. Foi também, na sequência do acidente, que toda a sua família ficou a saber que Rui é gay e, desde então nunca mais falou com os pais.

É no turno da meia-noite às seis que Rui e Susana  se conhecem, trocam emails, e é assim que dão início a uma bonita amizade que os vai ajudar a sobreviver e a superarem as suas tristezas.


Miguel Noronha, quando o conhecemos, namora com o Rui. É um homem do norte, que pertence a uma família com algum nome, é ambicioso e um pouco frio e distante nas relações amorosas. Tem alguma dificuldade em assumir compromissos. Nem ele nem Rui percebem muito bem que tipo de relação têm e o que pretendem um do outro.


Laura é a irmã do Rui, a única que continua presente na sua vida, depois de os pais se terem afastado do irmão por causa da sua homossexualidade. Laura é aquilo que todos esperam dela, sorridente, disponível, boa filha, casada com alguém que os pais aprovam e com dois filhos. Avessa ao confronto e com medo de desiludir os pais, vive presa a um casamento infeliz. Nunca abandonou o irmão que, juntamente com Miguel Noronha, ajudou a recuperar após o acidente.


Patrícia Reis é uma das favoritas, embora, como leitora, reconheça que nem tudo o que escreve é igualmente inspirado. No entanto, gosto muito da forma como escreve e das histórias que nos dá a conhecer. 

No caso deste Da Meia-Noite às Seis, acho que é dos que gostei. É um livro pequeno, que se lê muito bem e é fácil gostarmos das personagens.

Ainda não sei se é demasiado cedo para lermos ficção que tem como pano de fundo a realidade vivida durante a pandemia. Confesso que me desconcentrou um pouco, embora a história não seja de todo sobre a Covid, traz de volta algumas das sensações daqueles tempos. E, por estar num livro, quase parece ficção científica. É um pouco estranho, não nego.


Recomendo sempre Patrícia Reis, sem qualquer hesitação.


Boas leituras!
Profile Image for Adelaide Silva.
1,246 reviews68 followers
April 26, 2021
Não estava à espera de gostar tanto deste livro. Um livro sobre emoções e sentimentos em tempos de pandemia. Um livro tão actual
10 reviews5 followers
June 18, 2021
Uma escrita suave, simples e aprazível. Mas encerra um conteúdo que nos atinge de uma forma brutal, gelada. O que trouxe a pandemia? O confinamento? Como se vive só e feliz? Como se vive só, solitário, confinado na tristeza, na amargura e na diferença do ser, no preconceito inscrito nos genes, o tal que não sai, que se cola à membrana, aos tecidos, que se tem desde que se existe. A par da letra e depois da voz e som da Cajuína de Caetano Veloso, "existirmos: a que será que se destina?", assim decorre o confinamento exigido e o confinamento do eu/nós.
Profile Image for Mafalda Serra.
88 reviews13 followers
December 7, 2023
Gostei muito!! Há algo que me atrai muito em estórias simples, do dia-a-dia, cruas e reais. E este livro foi tudo isto. Passando-se durante a pandemia, há uma sensação de proximidade que me prendeu.
Adorei o papel que a rádio teve na vida da personagem, como a ajudou a conectar-se com outros, mesmo estando sozinha.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Graciosa Reis.
543 reviews52 followers
May 14, 2023
Este último livro de Patrícia Reis tem como pano de fundo a pandemia que vivemos. É, por isso, um livro na ordem do dia.
É o primeiro livro que leio sobre este tema, e escolhi-o porque sei que a autora não trataria o assunto de forma lamechas, mas sim de forma directa, envolvente e que nos fará reflectir. Não me enganei, a autora aborda a perda, o recomeço, os efeitos da pandemia, mas também versa sobre homofobia, racismo, conservadorismo, jornalismo, fake news, política e redes sociais.
“Qualquer pessoa nas redes sociais era jornalista, dizendo coisas, atiçando os espíritos, destilando fel, muito fel. A Rui Vieira faltava-lhe a capacidade para compreender como a ética deixara de ser fundamental.” (p. 117) “ Ele sabia estar a viver um tempo em que a verdade era essa: valia tudo:” (p. 116)

A protagonista, Susana Ribeiro de Andrade, perde o marido, em plena pandemia e vê-se completamente desamparada, confinada, obrigada a cumprir normas e, assim, a fazer o seu luto em casa, sozinha. Nesse período, ela é transportada para “um elevador de memórias” e dá-nos a conhecer a sua vida e sobretudo os seis anos de casamento com António Ribeiro de Andrade. São tempos angustiantes e de dor, mas também de referências culturais.
“ E estes pensamentos iam surgindo, assim como fios desatinados num novelo que já não se mantinha inteiro, a esfarelar-se no chão que era o que restava do coração dela. Restava-lhe isso, uma certa memória que lhe devolvia o marido através da música, da arte, dos livros.”
(p. 74)

Forçada a retornar ao seu emprego como locutora numa estação de radio, acaba por aceitar o horário da meia-noite às seis, pensando que é a melhor maneira para não enfrentar a noite, em casa. De início, é apenas a voz das notícias, à hora certa, escritas pelo jornalista Rui Vieira, também, ele, vítima de um acidente no qual perdeu a voz. A cumplicidade que se estabelece na relação de trabalho acaba por ser a sua salvação. Ambos, um pela escrita, outra pela voz vão recriar o programa da noite e reinventar a solidão dos ouvintes e sobretudo a deles.

Com uma escrita muito característica de Patrícia Reis, as palavras fluem e o leitor ávido vai atrás do enredo e acompanha cada personagem nas suas angústias, nas suas fragilidades, nas suas resoluções e nas conversas tidas via email com Rui Vieira e via WhatsApp com os ouvintes do programa. Dois meios, que representam bem a forma como a pandemia nos apartou das relações presenciais e nos coagiu às tecnologias. Patrícia Reis toca na ferida, mostra o quão urgente é alterarmos a forma de viver no que toca às relações humanas, de repensarmos a vida.

É um livro sobre pessoas, sobre a solidão e a perda, mas sobretudo sobre a recuperação da identidade, sobre esperança e amizade, de redenção graças ao poder de uma voz que na noite, na solidão, vence barreiras e encontra apoio e ânimo ao pedir que lhe contem histórias felizes. Só isso!
Profile Image for Raquel Agostinho.
15 reviews
December 31, 2024
Foi a minha primeira experiência com a autora e gostei muito! Queria muito ler este livro por ser de uma escritora portuguesa e por ter a rádio como pano de fundo, mas ao mesmo tempo ia com algum receio por se passar em termos de pandemia. Dei por mim envolvida nestas personagens e a relembrar os momentos difíceis que passámos (uns mais do que outros), e a refletir como ultrapassámos tudo isso. A nível da história, gostava que se tivesse focado mais na Susana e no Rui, e não senti necessidade de saber mais sobre esta terceira personagem mais destacada. Adorei o final e não me importava de ficar com estas personagens por mais algumas páginas. Estou muito curiosa para ler mais obras da Patrícia Reis.
42 reviews4 followers
April 19, 2025
4,5*
Embora tenha gostado bastante da forma como a história é contada logo desde o início, algo na escrita de Patrícia Reis me incomodava, talvez por ser um pouco seca, sem muitos artifícios. Porém, à medida que fui avançando na leitura, percebi que o objetivo da autora é mesmo esse, contar uma história que vai direta Ao ponto, com poucos floreados ou divagações poéticas, e acabou por ser isso o que mais me encantou no livro.
os capítulos longos, que desagradam muita gente, Mas que eu adoro, fizeram-me terminar a leitura bastante rápido, de tão embrenhado que fiquei na narrativa.
gostei também muito das personagens, das quais me irei lembrar, Com certeza, durante muito tempo.
Profile Image for Marisa Martins.
329 reviews9 followers
September 20, 2025
Susana Ribeiro de Andrade é locutora de rádio nas emissões da madrugada. A morte repentina do marido, vítima de Covid-19, deixa-a sem chão. Rui Vieira, colega jornalista na mesma estação, atravessa também uma crise pessoal.
O romance centra-se no programa de rádio que Susana e Rui conduzem juntos durante a noite e que, em plena pandemia e com todas as suas restrições, se transforma num espaço de cura — para eles próprios e para os ouvintes.

Pandemia. Presente. Passado. Memórias. Momentos. Fragilidades. Conexão humana. Sofrimento. Cura. Companhia. Empatia.
Muito recomendado.
Profile Image for Sónia.
40 reviews3 followers
December 28, 2021
3.5*

"(...) escreveu-lhe um e-mail comovente, quase poético, revelando que não conhecia a ternura materna, duvidava até da possibilidade da sua existência, contudo sabia que a descrença se devia aos seus traumas e nada mais, as mães podem ser um enorme consolo, espero que a tua o tenha sido e que fiques com memórias felizes. As infelizes deita-as fora, a morte leva-as, já não precisam de pesar tanto. "
Profile Image for Fernanda Loureiro.
71 reviews
May 1, 2022
Adorei o livro escrito de uma forma tão intimista e nem queria acreditar quando chegou ao fim. Só tenho pena de ser um livro tão pequeno...
Displaying 1 - 30 of 33 reviews

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