Em 1926, a Primeira República é deposta e no seu lugar é implementada a Ditadura Militar, dando assim início ao regime autoritário mais longo da Europa Ocidental, no século XX. Ao mesmo tempo que a República caía, dois meninos de dez anos encontravam-se na Colina Verde para, despreocupadamente, brincarem e partilharem histórias. Vida Censurada conta a história de vida de dois melhores amigos, João Maia e Toni Ribeiro, ao longo dos quarenta e oito anos de Ditadura em Portugal, acompanhando o seu crescimento, entrada na vida adulta e separação, quando o rumo que dão à sua vida torna impossível a manutenção desta amizade de infância: João procura combater o regime, enquanto Toni ingressa na PVDE.
Esta obra é o recordar de um período que faz parte do lado mais obscuro da nossa História e que nunca, em situação alguma, pode voltar.
Francisco Ramalheira é professor, gosta de jogar à bola com os amigos e de comer tudo aquilo que acrescenta tecido adiposo. Quem o conhece diz que é um pouco distraído. Quem o conhece bem, sabe que «pouco» é um eufemismo. Tem uma cadela, chamada Luz, e dois gatinhos, a Farrusca e o Ranhoso, não sendo da sua responsabilidade o processo de batismo deste último.
O escritório da sua humilde habitação está repleto de todo o género de livros (incluindo de banda desenhada), videojogos e jogos de tabuleiro. É para lá que vai quando quer abandonar a civilização.
É o autor do podcast «Ora Eça», no qual conversa com várias personalidades do mundo literário português.
Este foi um livro que me apanhou desprevenida e me agarrou desde a primeira frase. Honestamente, estava algo curiosa com a premissa do livro e escrito então pelo autor Francisco Ramalheira fiquei logo com a pulga atrás da orelha. Este livro trata-se de um romance histórico que nos conta a vida de personagens que viveram em primeira mão a altura que Salazar ganhou poder em Portugal, indo parar à altura da Segunda Guerra Mundial e as consequências que esta teve no nosso país.
Achei as personagens deste livro super bem desenvolvidas e com histórias de vida que me faziam querer saber mais e mais sobre eles conseguindo criar imensa empatia com os seus pensamentos , problemas com a autoridade política em vigor na altura e até com as crises amorosas por que iam passando.
Umas das coisas que mais gostei no livro foi o facto de ser baseado em factos e situações reais que se passaram no nosso país, na altura que a ditadura fazia com que houvesse tantas injustiças acontecerem a pessoas ditas "comuns".
Há tanta coisa a dizer sobre este livro mas vou-me manter calada e deixar-vos descobrir esta história super bem construída e pela qual estou ansiosa de ler a continuação!
🇵🇹 Um livro onde ficção e História caminham de mãos dadas, uma história cativante que de uma forma inteligente vai relatando os acontecimentos do nosso passado.
Os capítulos são pequenos e a escrita é fluída e cativante - os primeiros sinais de uma receita para um livro fantástico! Num fiel retrato da factualidade que conta, o livro tem a sua quota-parte de humor inteligente que me fez rir e sorrir por diversas vezes. Ramalheira conseguiu, tanto nos diálogos como nos acrescentos das notas de rodapé, recontar dados históricos de um modo diluído e descontraído que ensina, relembra e não cansa. As personagens fictícias ligam-se às reais de um modo tão sublime que não parecem recortes cosidos ao que aconteceu, e sim parte da História. E todas são bem construídas, desde a infância até à idade adulta com um desenvolvimento fantástico e um papel relevante na narrativa!
Este é um livro para todas as idades e para todas as pessoas. A mensagem é simples: o ensino como arma e a história como um lembrete dos erros a evitar. E por isso mesmo é um livro muito, muito importante. Termino com um maldizer singular: o livro é demasiado curto e só isso tem de mal.
Esta leitura transportou-me para algumas conversas em família, em que muitas vezes a época da Ditadura foi motivo de diálogo. Para mim a Guerra ultramarina, a polícia política e a Censura são temas reconhecidos, mas com este romance histórico ganharam uma dimensão diferente. Os protagonistas, João e Toni, conseguiram através das suas vivências interligar os acontecimentos dando-lhe coerência histórica.
Para aqueles que me conhecem bem, a afirmação "adoro ficção histórica" não é uma surpresa. Ela é verdadeira, e é igualmente fácil compreender o porque do meu entusiasmo ao conhecer este livro
"Vida Censurada" é um livro que se foca na nossa história. O livro retrata um ambiente social, cultural e familiar durante o Estado Novo. Traz para as nossas mentes uma ligação não só com aquilo que aprendemos durante a escola, mas através das histórias populares e familiares.
"Vida Censurada" segue duas personagem principais, e não só. Começamos por conhecer João Maia e Toni Ribeiro, dois amigos de infância. Compreendemos como foi o crescimento deles até que a vida os leva por caminhos diferentes. Tornamo-nos próximos deles, compreendemo-lo, rimos e emocionamo-nos com cada momento que partilhamos com eles.
É com eles, e com todas as outras personagens que vamos conhecendo, que relembramos aquilo que aprendemos e nos contaram sobre aquele período na nossa história. Um relembrar do passado para que não se repita no futuro.
Algo que adorei foi a ligação familiar. A Família é um elemento importante, algo que para mim me aproximou ainda mais das personagens. Eu tenho também um forte ligação com a minha família. Somos do campo. Migrantes em França. Uma grande família com histórias loucas... Por isso, conhecer a família Maia e ver a proximidade do João ao seu avô, aqueceu o meu coração e me lembrou da minha relação com a minha avó, uma vez que também nós tinhamos algo em comum.
Todos nós nos vemos ou vemos alguém que conhecemos nestas personagens e isso é maravilhoso e deixou-me emocional pela conexão que estabeleci. No livro "Vida Censurada", o autor abre uma porta para fazermos parte da família Maia e do grupo de amigos.
Como referi no início, o livro toma lugar em Portugal durante o Estado Novo, desde a implementação da Ditadura Militar e extendendo-se ao longo dos quarenta e oito anos de Ditadura em Portugal. Claro está, "Vida Censurada" é apenas o primeiro livro, a primeira parte da história relatada. E mal posso esperar pela continuação.
Por ter lugar durante o Estado Novo, existem a temática da política e de todo o que o povo português viveu durante a Ditadura. O autor não nos atira as informações e factos, ele tece o dialogo, abre oportunidades de reflexão por parte das personagens e dos próprios leitores. E as notas de rodapé acrescentam informação para complementar o que é falado, algo que adorei ver.
Os assuntos são efetivamente colocados de uma forma dinâmica e interessante, até fácil de compreender. O Francisco Ramalheira traz também diversos tons no que toca a esta temática, aliás durante todo o livro é algo que é regular: O uso do humor. O equilibrio entre a seriedade da temática do Estado Novo, com a reflexão provocada e os momentos emocionais que relatam o que acontece (e aconteceu), só é possível graças ao humor adicionado.
Desta forma, a narrativa teve um tom maravilhoso. Soltei uns risos. Contive lágrimas e revolta. Relembrei o que me foi em tempos contado. Tudo numa história que me manteve cativa nas páginas. Mesmo quando pousava o livro após determinados momentos mais intensos, nunca era por algo negativo, mas sim porque a narrativa pedia a minha reflexão e pedia que respirasse fundo.
De modo geral, adorei! Realmente estou entusiasmada com a continuação. Quero saber o que acontece ao João e ao Toni, quero saber o que acontece à restante família Maia, quero saber o que acontece com tantas outras personagens que já conquistaram o meu coração.
Por fim… Obrigada, Velha Lenda, por apostarem em históricos. Obrigada, Francisco Ramalheira, por escreveres sobre a nossa história. [Quero agradecer à editora Edições Velha Lenda por me terem gentilmente fornecido o ARC deste livro. Todas as opiniões expressas nesta review são completamente minhas.]
Se há algo que a História nos ensinou é o seguinte: o problema das ditaduras é que elas surgem sempre - invariavelmente - disfarçadas de utopia. Se olharmos com atenção para os vários regimes ditatoriais que tiveram lugar na Europa no século XX, nomeadamente o que se desenrolou em Portugal durante quarenta e um longos e ininterruptos anos, podemos perceber que a justificação para a violência (que nunca começa por ser explícita) e para a eliminação de algumas liberdades individuais (que, com o tempo, deixam de ser apenas "algumas") é sempre a melhoria de uma situação caótica no país. Hitler afirmava que os judeus eram a causa para todos os males da Alemanha. Dessa forma, as pessoas acabaram por concluir que a solução era simples: todos os judeus deveriam ser penalizados. Simples! E isso não parecia trazer qualquer mal. Afinal, os criminosos devem ser castigados. Esse pensamento genocida e fascista era incutido na cabeça da população, fazendo com que muito boa gente acreditasse que, de facto, a melhor solução para acabar com a pobreza era exterminar uma raça inteira. Uma raça que, segundo Hitler, era "inferior". "Vida Censurada" fala-nos sobre o que aconteceu em Portugal com a Revolução de Maio de 1926. Fala-nos sobre o início de um período negro da História do nosso país, sobre como as pessoas foram silenciadas, subjugadas e, em certos casos, torturadas. Grita-nos algo que, embora devêssemos saber bem demais, estamos a esquecer à medida que os anos passam: a liberdade é sempre o mais importante! À medida que li este livro, senti-me verdadeiramente assustada. A forma subtil como a ditadura de Salazar começou em Portugal é verdadeiramente aterrorizante. Consegui encontrar semelhanças com alguma coisas que acontecem hoje, numa sociedade que deveria ser uma das mais desenvolvidas da História do mundo. Estamos em pleno século XXI e, depois de tanto lutarmos pelos nossos direitos, estamos a esquecer-nos de que nada vale mais do que eles. Estamos a deixar que pessoas radicais cheguem ao poder. Não quero falar de política, tendo em conta que isso geraria uma dissertação sem fim e não uma opinião sobre um romance histórico, mas não posso deixar de mencionar o exemplo do Brasil. O governo de Jair Bolsonaro, disfarçado de democracia, tenta a todo o custo calar cidadãos que se rebelam contra o poder. Se isto não é um exemplo de fascismo, o que lhe podemos chamar? "Vida Censurada" serve para que nunca nos esqueçamos de que não podemos deixar a nossa liberdade ir embora. É uma obra repleta de exemplos claros de que o poder totalitário não é tão aparente como muitos pensam e que devemos estar sempre atentos ao que se passa na nossa sociedade. Com uma escrita sublime e um sentido de humor que permite desanuviar o ambiente extremamente carregado que os personagens da sua obra vivem, Francisco Ramalheira brinda-nos com uma história incrivelmente importante e, sem dúvida alguma, impecavelmente edificada para que não nos restem dúvidas de que, embora vivamos numa democracia, a luta pela liberdade nunca pode acabar. Porque é quando paramos de a procurar que ela desaparece.
Partindo da amizade de duas crianças, Joãozinho Maia e Toni Ribeiro, "Vida Censurada" transporta-nos para um Portugal na transição da Primeira República para o Estado Novo (regime autoritário mais longo da Europa) e reflete as duras condições de vida da população empobrecida e pouco instruída...
Inteligente e estudioso, João parte para Coimbra para prosseguir os estudos, onde se vai sensibilizar ainda mais para a luta contra o Regime Salazarista. Na sua aldeia, deixa a família (adorei cada membro!) e o amigo Toni, com quem partilhou sonhos e brincadeiras e que acabará por se juntar, mais tarde, à temível PVDE.
Já ia com algumas expetativas, pois gosto muito deste período da história nacional, mas gostei ainda mais do que imaginava! O livro está muito bem escrito e confere um retrato político e social muito preciso do nosso país, durante estes anos do século XX.
Gostei, especialmente, da forma como se vão intercalando dados históricos, mais densos e factuais, nos diálogos descontraídos das personagens e as notas de rodapé são um ótimo complemento para percebermos melhor a ascensão de Salazar, a implementação das medidas nacionalistas, da polícia política e da censura, e as reações e atitudes do Presidente do Conselho face à Segunda Guerra Mundial, conflito do qual conseguiu manter Portugal excluído, o que lhe conferiu ainda maior popularidade entre o povo. Também gostei de conhecer melhor as prisões do Aljube e Tarrafal, esta última, em Cabo Verde, um autêntico Campo de Concentração de tortura de prisioneiros...
Apesar de alguns clichés, há reviravoltas surpreendentes e a referência a figuras como Aristides de Sousa Mendes ou aos pais de Salgueiro Maia (ainda não nascido, à data) enriqueceu imenso o livro. Gosto muito de aprender enquanto leio ficção e creio que nunca tinha lido assim tão informativo sobre o período da Ditadura em Portugal. Até às opiniões e poemas críticos de Fernando Pessoa temos acesso, heheh!
Sem dúvida que recomendo e estou muito ansiosa para o segundo volume!
“(…)quando achamos que sabemos tudo, deixamos de aprender.”
Começo esta review com esta frase, porque acredito firmamente que o conhecimento é a nossa melhor arma e aprendi imenso com este livro.
A ação deste livro inicia-se em 1926, altura em que é implementada a ditadura militar em Portugal, dando, assim, início ao período mais sombrio da história portuguesa. Nunca é demais relembrar tudo aquilo que ocorreu nesta época, porque é algo que nunca, jamais, poderá voltar a acontecer. Ao longo do livro, acompanhamos a vida de dois melhores amigos, João e Toni, desde a infância até à idade adulta. Enquanto assistem ao desenrolar de acontecimentos que mudaram, para sempre, a história de Portugal, a leveza e ingenuidade da infância é deixada para trás e esta amizade �� posta à prova.
A escrita é maravilhosa, com momentos pontados pelo humor, a ação tem um bom ritmo e os capítulos são bem curtos. Se com isto não vos convenço, digo que, contrariamente a outros livros que possam ter lido do género, “Vida Censurada” não é um livro maçudo. Pelo contrário, através dos diálogos e notas de rodapé, o autor conseguiu, de forma simples e descontraida, recontar momentos importantes da história portuguesa, de um modo que não cansa o leitor. O Francisco conseguiu um excelente equilíbrio entre a ficção e a realidade, criando personagens encantadoras que parecem ter, verdadeiramente, feito parte da história. Por nenhum momento, ao ler o livro, senti que fosse demasiado ficcionalizado, porque está lá a verdade, nua e crua, daquilo que aconteceu no nosso país.
Recomendo muito que leiam este livro e que relembrem aquilo que aprenderam nas aulas de história (e que varreram para um cantinho escondido da vossa mente). Nunca parem de aprender e nunca se esqueçam que a liberdade não é um dado adquirido, há que lutar por ela todos os dias das nossas vidas.
Que recompensador que é ler o livro de um escritor que sabe perfeitamente a história que quer contar.
Na sua estreia na literatura fantástica - primeiro livro que li do autor -, achei que este poderia estar, talvez, a começar demasiado forte, apresentando demasiadas personagens e histórias de uma só vez, em detrimento do produto final. Neste romance, o autor demonstrou, com grande desenvoltura, a sua habilidade para a escrita, tendo criado um romance de leitura compulsiva e no qual é impossível o leitor não torcer pelas personagens.
Vida Censurada foi como um bálsamo para a alma. Fala do período mais negro da História contemporânea de Portugal, mas fá-lo de uma maneira suave e fácil de digerir. Embora fale de todas os aspetos terríveis do período do Estado Novo, o sentimento predominante é a esperança. É um romance curto e simples, mas inesquecível na sua simplicidade.
Este livro transporta-nos para um momento negro da história de Portugal. Toda a ação é passada entre 28 de maio de 1926 até 30 de janeiro de 1941. A vida dos portugueses desde a Ditadura Militar até ao período da 2a guerra mundial. Acompanhamos a vida do João Maia, da sua família e amigos ao longo de quase 20 anos. Percebemos a dificuldade de quem não tinha possibilidades financeiras para estudar, o analfabetismo presente na maior parte da população portuguesa, principalmente nas mulheres… e acompanhamos a descrição dos horrores passados por presos, do terror em que a maior parte das famílias portuguesas viviam e da importância de um bem que damos por adquirido, a nossa Liberdade. Gostei muito da escrita do Francisco e da forma como colocou as personagens fictícias no meio de todos os acontecimentos verídicos. Apeteceu-me gritar no fim do livro… preciso de saber mais sobre as personagens. Fico a aguardar o próximo livro.
Estava super entusiasmada pelo lançamento deste livro. Em primeiro por ser fã do autor, e sabia que a escrita não me ia desiludir, e em segundo, apesar de não ser fã de livros históricos, fala sobre a nossa história, o nosso país. Acho que só o nome diz tudo. Vida Censurada conta a história de vida de dois amigos: João Maia e António Ribeiro. O livro é muito mais que o relato de uma amizade.
A história foca-se mais no percurso de João Maia. Inicia-se com a implementação da Ditadura Militar, e segue o crescimento dos jovens dentro desse regime. Todas as personagens são bem construídas, e cada uma traz algo de importante para a história, nenhuma aparece ao acaso.
O livro é constituído por capítulos pequenos, que facilitam imenso a leitura. O que me assusta em livros deste género, é o despejar de informação histórica que torna a história um pouco aborrecida. Isso não acontece aqui. O livro está repleto de acontecimentos verídicos, mas que não são lançados em parágrafos longos e enfadonhos. Está tudo muito bem colocado ao longo da história.
Fiquei fã de João Maia, e aquele final... Quero muito ler o próximo e saber o que vai acontecer a seguir. Este livro abriu portas para muita coisa. Agora que terminei, e após ler o Epílogo, vejo este livro mais como uma introdução.
É um livro que aconselho a toda a gente porque é preciso abrir os olhos, e ir ao passado para evitar repetir os mesmos erros. Ler esta história, obviamente que não me revi nas páginas, mas foi quase como sentir a presença constante da minha bisavó, ou mesmo dos meus avós comigo. Foi na minha bisavó em que pensei durante quase toda a leitura.
Imaginar, e ler sobre os anos de Ditadura em Portugal deixa-me revoltada. O livro mostra bem, e é também mencionado no posfácio que não importa se estás ou não do lado do poder. Recai tudo sobre se estamos ou não a agradar a quem manda. Isso diz tudo. Não há liberdade nem para pensar sequer diferente.
João Maia tem a sorte de seguir os estudos. Já o seu melhor amigo Toni não o faz, e os caminhos que seguem não podiam ser mais diferentes. João não consegue evitar os pensamentos e ser contra o regime. Acabar por ficar em apuros, e mais uma vez vemos o nível a que as coisas chegam.
Numa visita que Toni faz a João em Coimbra, eles nem podem conversar entre si livremente porque alguém pode ouvir e denunciar. Nem uma conversa entre amigos é segura.
É importante falar da história, é importante ler este livro. É ficção, mas não só. É importante lutar pela nossa liberdade, mas ter a noção dos privilégios que temos hoje em dia. Eu posso estar aqui a escrever a minha opinião sobre este livro; ser abertamente contra este regime, e contra a ditadura e ninguém vai entrar aqui em casa para me levar.
As pessoas usam e abusam das suas opiniões, e da Internet para defender partidos, e muitos para incentivar e querer de volta alguém como Salazar sem sequer terem a noção de como eram as vidas durante esse período vivido em Portugal. Defendem um regime que não lhes iria permitir fazer o que fazem agora tão abertamente.
Este livro vem numa altura das nossas vidas em que não consigo deixar de sentir que a nossa liberdade está a ser roubada aos poucos. Se o povo se desleixa... Nunca podemos esquecer o que aconteceu. Acho que muitas pessoas também veem a liberdade como garantida.
Não quero falar de política, até porque não sou pessoa de me envolver em discussões sobre o assunto, mas só me apetece esfregar este livro na cara de algumas pessoas que sei que estão a precisar.
Leiam. Leiam muito.
Quero agradecer ao autor por este livro. Por escrever esta história. Vou ficar a aguardar no início da fila pelo próximo livro.
Um dos favoritos do ano!! Uma escrita extraordinária e cativante. Uma história com alguns dos relatos daquela que foi uma das épocas mais importantes da nossa história e que não deverá, jamais, ser esquecida. Só conhecendo a história do nosso país poderemos evitar que os erros do passado voltem a suceder-se no futuro, este livro relembra-nos precisamente disso. E numa época em que pleno séc. XXI observamos as crenças de alguns dos nossos partidos políticos, é importante, mais do que nunca evitarmos retroceder no tempo. Que livro incrível, o Francisco é um autor extraordinário, fiquei completamente fã desta escrita e mal posso esperar por ler o próximo livro do autor. Este livro já deveria ser topseller!
Só o prefácio já é prenúncio que temos um grande livro pelas mãos, nisso dou os parabéns ao Ricardo. Numa altura em que extrema direita está de novo a crescer pelo Mundo, “Vida Censurada” é o livro que se quer.
*Uma história forte sobre a ditadura, um Povo, um País, a Família. Onde o papel Principal pertence a João Maia. João um menino de uma localidade perto de Coimbra, que com os esforço dos Pais, Avô e seu Professor primário se forma em Jornalismo, e com seus Amigos e Família terá que lidar bem de frente com os tempos hediondos da ditadura do estado novo de Salazar.
* Uma construção muito bem feita em termos históricos, nada é deixado ao acaso. Aborda a questão da PVDE(polícia de estado), às atrocidades por eles cometidas a presos políticos. Também mostra o lado que a ditadura tentou esconder como a pobreza extrema, a falta de direitos humanos e o relativizar para segundo plano o papel da Mulher na sociedade da altura. Temos também presente a clandestinidade, a que os Homens que lutavam contra aquele sistema opressor eram obrigados a viver.
* É um livro que nos prende à sua leitura, pois não é só um debitar de história e tem até momentos em que o Autor nos deixa com o seu cunho humorístico. Uma escrita bastante corrida sem grandes pausas e bastante cativante.
* Mais que um livro, Vida Censurada é um alerta para os tempos que correm, não devemos deixar acontecer de novo o que tantos sofreram para que hoje vivêssemos num estado democrático e em liberdade.
Quero agradecer ao Francisco por ter a coragem de dar luz a um livro tão importante. Agradeço também à Editora Velha Lenda a oportunidade que me deu de ler esta obra, disponibilizando um exemplar ebook. E também por ser uma Editora que aposta nos Autores Portugueses parabéns.
Sou uma apaixonada por História e pelo período mais negro da História de Portugal. Por isso, quando descobri este livro do Francisco Ramalheira, o primeiro volume desta duologia, sabia que tinha de o ler e acreditava (ainda antes de iniciar a leitura!) que iria gostar dele. Após fechar o livro (e ainda com as emoções a quente) posso dizer que A-DO-REI a "Vida Censurada".
É com grande mestria que o Francisco nos conduz pelos meandros de um Portugal obscurecido e pouco esclarecido, que durante 48 anos esteve sob o jugo de um regime ditatorial personificado por alguém que queria ser conhecido como o "salvador da Pátria".
É impossível não apaixonarmos por Mogofores e pelos seus simpáticos habitantes. Foi com sofreguidão que segui as peripécias de João Maia e Toni Ribeiro, o seu amigo de infância, e que acompanhei, ao longo destas páginas, a sua chegada à vida adulta e às difíceis escolhas que esta, por vezes, nos traz.
A construção das personagens, da sua personalidade, das suas emoções e amadurecimento são incríveis. E mesmo as mais detestáveis estão tão bem desenhadas que nos fazem querer mergulhar nestas páginas e confrontá-las com a sua brutalidade.
Muitos parabéns, Francisco, por esta história que tão bem enaltece a luta do nosso Povo pela sua Liberdade, num momento em que as liberdades se vão esbatendo a pouco e pouco, nesta era caótica. Salto já de seguida para o segundo volume, sem olhar para trás!
Desde miúdo sempre fui apaixonado por História, era o meu 5 garantido, apesar de ter ido para ciências.
Sabemos que consumimos bastantes livros da primeira e segunda guerra, mas Portugal tem tanta história que não sei como não é mais explorada, ou eu é que sou leigo e não conheço os livros. Também é possível.
Vida Censurada, passa-se durante algumas décadas da nossa transição para um regime ditatorial e acompanha a vida de dois miúdos amigos que acabam por seguir vidas distintas durante essa mesma época.
Sempre ouvi a minha família falar desta época, e apesar de sentir empatia, é difícil me imaginar em tal situação, porque em toda a minha vida a liberdade sempre foi um dado adquirido. Mas temos que abrir o olho, porque a história é como a moda, ela tende a repetir-se e os grandes culpados seremos sempre nós.
Apesar de ter ideia das diferenças sociais da época, é sempre chocante para mim ler sobre, o quão atrasados nós eramos, e quão conveniente isso era para a politica.
Sendo um dos capítulos mais negros da História Portuguesa, o livro consegue ter um cariz humorístico que é bastante característico do autor.
O livro acaba com um excelente plot twist que me fez ter curiosidade para ler o segundo volume.
Já é o terceiro livro que leio este ano em que a moral da história é : "A educação é a melhor arma para qualquer coisa" e não poderia concordar mais.
(◔◡◔) 𝔹𝕠𝕠𝕜 𝕣𝕖𝕧𝕚𝕖𝕨 . тíтυℓσ: "Vida Censurada" αυтσя: Francisco Ramalheira ρágιηαѕ: 246 ¢ℓαѕѕιƒι¢αçãσ:⭐⭐ ⭐⭐ ⭐ . "Vida Censurada" é um livro repleto de História, da nossa História e muito amoroso por sinal. Neste livro vê - mos retardada a vida de dois meninos que se viram na mudança que Portugal sofreu com a ditadura militar. É certo que estes dois meninos eram melhores amigos, mas com o correr dos anos e com as adversidades da vida eles viram-se afastados e seguiram vidas completamente opostas. Estes dois amigos eram João Maia e Toni Ribeiro. João Mais vai trabalhar arduamente como jornalista e como "revolucionário" para combater esta ditadura. Contrariamente, Toni Ribeiro vai integrar a PVDE. No final deste livro, as duas histórias vão cruzar - se novamente. Mas esperem lá que não é tudo! João Maia é completamente apaixonado por uma rapariga que, acaba por lhe perder o rasto. Anos mais tarde, está rapariga vai necessitar da ajuda da família de João. Para sabermos mais acerca desta história, vocês têm de ler este volume e eu tenho que chatear o autor @franciscoramalheira_autor para acabar rapidamente o próximo volume. . Sobre o livro eu adorei a história, está muito bem encadeada. Quando recebi o livro, a primeira coisa que me chamou à atenção foram as páginas que contêm o número dos capítulos. Elas são todas ilustradas e são muito apelativas. O que não me agradou tanto no livro foi o facto de ser uma publicação deste ano e estar escrito com o antigo acordo ortográfico. Confesso que me fez confusão. Mas tirando este facto, o livro está mesmo muito bem escrito, sequênciado e dividido por capítulos. Esta é uma história deliciosa, com conteúdos históricos à mistura que nos agarra do início ao fim. . Continuo a achar que temos escritores portugueses maravilhosos 🤩 este é mais um deles! . Até breve 😍 . #ler #lerdoceler #lerfazbem #lerjuntos #amoler #adoroler #livrosemaislivros #livros #boaleitura #boasenergias #book #bookstagrampt #bookstagram #bookstagramportugal #booklover #portoeditora #literatura #lererespeitarahistoria #historiaportuguesa #históriaportuguesa #salazar #25deabril #25deabril1974
Adorei este livro. Em primeiro lugar, retrata uma época em Portugal muito sombria e que não leio tanto sobre como gostava: a ditadura. Entusiasmou-me logo por aí porque eu adoro história e ainda mais sendo do meu país. A escrita é sensacional. é muito envolvente e simples, na medida certa. As personagens cativaram-me muito. São todas elas peculiares à sua maneira e o autor conseguiu desenvolve-las na perfeição, mesmo sendo um livro curto (o que é bastante raro). Com este livro consegui aprender bastante. É um livro de ficção, mas temos bastante informação ao longo da leitura que conseguimos aprender com ela. Estou muito curiosa para ler o segundo.
Este livro foi-me cedido pelo autor @franciscoramalheira_autor e pela editora @editoravelhalenda em troca de uma review com a minha opinião sincera. O Estado Novo e a Ditadura Militar é um assunto pela qual tenho bastante interesse. Já vi imensos filmes e séries sobre o assunto, já ouvi várias histórias de pessoas que viveram nesses tempos difíceis e é sempre bom recordar o que aconteceu. A última coisa que devemos fazer é esquecer-nos. Infelizmente, até agora, nunca tinha lido nenhum livro sobre o assunto. No geral, os livros que se encontram não são propriamente cativantes ou destinados a uma faixa etária mais jovem e que precisa (ou quer) que o tema seja abordado de uma forma diferente. No entanto, posso garantir-vos que este livro é o ideal! Aborda o assunto de uma forma jovial e cómica, sem deixar de nos mostrar como é importante e sério. Foi sem dúvida uma ótima leitura e com uma escrita bastante fluída. Adorei as personagens principais e vê-las crescer. Adorei que tivéssemos a oportunidade de ver o João e o Toni numa época em que havia total liberdade e vê-los depois a lutar contra o regime e a enfrentar tudo o que se passava no país. Recomendo muito que leiam este livro e mal posso esperar para ler o próximo!
Bem, gostaria de começar por referir que adorei este livro! A história, o tempo histórico abordado, a evolução das personagens... tudo! Para quem não sabe a ação deste livro passa-se entre o início do Estado Novo (fim da 1°República) e a 2° Guerra Mundial. A leitura deste livro veio mesmo no momento certo: estou neste momento a estudar para o exame nacional de História A e posso vos comprovar que toda a informação histórica é verídica (como se a minha pouca sabedoria tivesse alguma importância)! Recomendo vivamente a leitura deste livro! (não se vão arrepender) Ditadura em Portugal, nunca mais! 5⭐
Este livro trata-se de um romance histórico, mas é tão mais que isso. Transporta-nos para muito tempo atrás quando Salazar ganhou poder em Portugal, indo parar à segunda guerra mundial, um tempo do qual só lemos nos livros. Confesso que não esperava que me cativasse tanto como o fez, fiquei rendida desde a primeira página. Adorei a forma como os factos históricos se vão encaixando na história sem se tornar maçador de ler, muito pelo contrário. Acabamos sempre por querer ler mais e as notas de rodapé que nos dão ainda mais informação sobre aquele tempo e corroboram a veracidade dos acontecimentos, acaba por ser a cereja no topo do bolo. Acho que nunca li nada tão informativo, mas ao estar misturado com ficção, mostrando o seguimento da vida de João Maia, da sua relação com as outras personagens (que eu amei igualmente) acaba por ter tudo na medida certa e tornou-se tão bom de ler que me faz pensar que este sim é um livro que se deveria ler na escola. Único ponto negativo que encontro aqui é que está escrito com o acordo ortográfico antigo e isso faz-me confusão, especialmente sendo um livro recentemente publicado, não consigo entender a lógica.
"É certo que vivemos em democracia, mas não se esqueçam de que a liberdade se defende todos os dias. E nunca, como hoje, a nossa liberdade esteve tão ameaçada. Curiosamente uma das maiores ameaças vem disfarçada de liberdade... de opinião nas redes sociais. Nunca como hoje, o acesso à informação foi tão fácil e até democrático por via das novas tecnologias e também, nunca como hoje o perigo da desinformação foi tão grande e consumindo-se, nas plataformas digitais, opiniões desprovidas de fundamentos lógicos e factuais como se fossem factos, como se fossem informação isenta, séria e credível. (...) E o erro da Ditadura é um que não podemos voltar a cometer." - O que aqui vos transcrevo não figura no enredo deste 'Vida Censurada', mas sim no seu posfácio do historiador Rui Pinto. É, certamente, a reflexão que todos devemos fazer não apenas após ler este livro, mas todos os dias da nossa vida. Comprei este livro após ouvir falar dele numa conversa do podcast 'Entre Escritores' porque o autor, Francisco Ramalheira, dizia ter escrito um livro sobre o período mais negro da História de Portugal que não fosse enfadonho e factual, mas sim um livro que todos quisessem ler - e é isto mesmo que o livro é, li-o num ápice, com genuíno entusiasmo e preocupação pelos seus personagens. Ao longo do romance, muito do que aconteceu durante o Estado Novo é aqui aflorado (com mais ou menos pormenor): a ascenção ao poder doentio de alguém que era visto como o salvador da pátria, o clima de medo, a troca de favores, a fuga de presos políticos, a disparidade entre o campo e a cidade, a espionagem para os aliados na 2ª Guerra Mundial, a realidade do denominado Campo de Concentração do Tarrafal... A história termina a 30 de Janeiro de 1941, por isso estou a torcer para que ainda venha a continuação. Este livro é, na minha opinião, uma forma cativante de conhecer mais sobre um período que não podemos esquecer. Para quem gostar do género, recomendo este livro com um quentinho e um aperto no coração - tudo ao mesmo tempo.
"Hoje é um dia triste para a nossa pátria." É assim que, logo nas primeiras páginas, nos é apresentada a ditadura militar que vigorou em Portugal durante quarenta e oito anos.
Que foi um dia triste, imaginamos nós. Que foi triste para muitos, mais uma vez, também nós imaginamos. O que por lá aconteceu, isso, muitos de nós não sabemos nem nunca saberemos. No entanto, com "Vida Censurada", o Francisco Ramalheira leva-nos a conhecer um passado não tão distante assim. Uma época da nossa história que marcou uma nação. Isto porque, no meio da ficção, das personagens apaixonantes e das suas aventuras ao crescer, estão incluídos factos verídicos. Isto é, ao longo da obra deparam-nos com ocorrências baseadas em factos reais, como descrições de locais que, infelizmente, existiram e o que por lá se passou. Além disso, são apresentadas informações/explicações extra (em notas de rodapé) que remetem para a realidade da época.
Por dentro de uma história ficcional, vemos estampada a triste verdade do que foi aquela época tão conturbada para os portugueses.
Só posso dar os parabéns ao Francisco, pois foi uma leitura que me agarrou do princípio ao fim. E agradecer à Velha Lenda por apostar nos nossos fantásticos autores portugueses.
Adorei. Ainda mais do que estava à espera. Esta editora escolhe os livros a dedo, cada um tem mais qualidade que o anterior. Só tem dois defeitos na minha opinião. Não ter ebooks na Kobo, e os valores tão elevados dos livros. Relativamente ao livro acompanhamos a vida de dois amigos, mas mais do que isso um período da história fundamental para compreendermos o Portugal de hoje. Como bibliotecária só o posso recomendar, como professora de história só peço pelos seguintes.
"Apenas conhecendo bem a nossa História é que podemos preparar bem o nosso Futuro." 4⭐ Agora, mais do que nunca, é importante lembrar que Portugal não está isento de erros. Temos um passado problemático, e Francisco Ramalheira mostra-nos neste seu Romance Histórico um dos períodos mais complicados do século XX, o Salazarismo, a partir dos olhos do jovem João Maia, uma criança pobre do interior que se vê muito afortunado ao poder continuar a sua educação para lá da 4.ª classe. A história passa por várias fases da vida de Joãozinho, mostrando não só a sua evolução como pessoa, mas também do estado sociopolítico do nosso país há quase 100 anos, acabando por coincidir também com o período da Segunda Guerra Mundial. Também importantes de referir são Toni, o melhor amigo de João, que o apoia incondicionalmente das formas mais (in)esperadas, e o avó Maia, a grande inspiração e exemplo de João, o modelo de um senhor sábio que percebe o mundo à sua volta e se recusa a abandonar os seus ideais. Estes personagens e outros (como a Maria Flor, a Madalena, o Júlio e o Frasco) estão extremamente bem desenvolvidas e todas mostram faces diferentes da influência do Salazarismo nas classes sociais. Quanto à escrita, Ramalheira parece pintar uma história quase de olhos fechados, é uma leitura rápida e viciante, motivada por capítulos pequenos, descrições vívidas e momentos intensos. Nota-se que Ramalheira sabe do que escreve, fez a sua devida pesquisa e, para além de querer contar uma história comovente de "uma amizade no período mais negro da história de Portugal", quer informar o leitor, complementando o seu livro com factos e esclarecimentos relevantes. Era preciso um livro destes, agora mais do que nunca. Mal posso esperar por saber como contínua esta saga.
Trata-se de um livro de enorme qualidade, um livro perfeito para fazer parte das leituras obrigatórias das nossas escolas @pnl2027 porque tem uma enorme qualidade narrativa, ou seja, extremamente legível, nada maçudo aliás muito leve e que aos poucos vai acrescentando, e corrigindo, o adquirido histórico sobre um momento decisivo da história portuguesa do século XX. Durante a ditadura de Salazar tudo o que se escrevia era vigiado pela polícia do regime. A censura à imprensa e aos jornalistas era diária, logo os livros e os escritores não escapavam ao exame e à perseguição da PIDE. Outro aspecto relevante é que explica muito do “processo” político na ditadura, a Censura, foi fundamental não só para que não se soubesse o que era “inconveniente”, como para controlar o tempo político. Neste período de crise grave do regime, os detentores do poder ditatorial moldavam pela Censura as escassas informações cuja divulgação era autorizada, logo a história a familia Maia, é essencial na ajuda da aprendizagem dos nossos jovens hoje em dia. A parte fictícia deste livro também e fundamental pois também é carregada de factos verídicos relativamente á pobreza, ao estatuto social, educação e aos valores naquele tempo. O livro mostra muito do que é conhecido da história e da ciência política mas de uma forma subtil e apaixonante. Recomendo vivamente a leitura deste livro.
Em "Vida Censurada", começamos por acompanhar a infância dos melhores amigos João e Toni na aldeia de Mogofores, e o posterior crescimento dos mesmos durante a negra época do Estado Novo.
Este trata-se de um livro extremamente relevante, pelos vislumbres realistas que nos dá das atrocidades que se cometiam durante os tempos de ditadura. Apesar de ser um livro de ficção, refere imensos elementos de realidade que são encaixados na história de forma subtil e educativa, com recurso a notas de rodapé para melhor contexto. E, apesar desses vários momentos em que a narrativa adota um tom mais informativo, a escrita é fácil de acompanhar e a história nunca perde a sua fluidez.
Há algo de muito familiar para mim neste livro, e penso que o mesmo se prende no facto de rever a infância dos meus avós na infância destas personagens: rurais, desconhecedores dos avanços que já se viam nas grandes cidades, pobres e obrigados a trabalhar desde muito novos, mas, no geral, felizes, por não conhecerem melhor. Os meus parabéns ao autor, que fez um ótimo trabalho a captar a essência desta época e a transportar-nos para lá.
Gostei muito das personagens e das relações entre si. O facto de acompanharmos o João e o Toni desde crianças fez com que fosse muito fácil apegarmo-nos a eles na vida adulta, a sentir e a sofrer com eles. Notei isto especialmente durante a leitura do capítulo "O Mancebo Desterrado", em que testemunhamos algumas experiências desconcertantes pelas quais o Toni é obrigado a passar enquanto polícia da PIDE.
Adorei a escrita rica do Francisco e estou muito curiosa com o rumo que a história vai levar no próximo volume 👀
Esta foi uma leitura muito agradável e, acima de tudo, muito pertinente e necessária.
Um livro que não estava emocionalmente preparada para ler! Adoro romance histórico, especialmente quando está relacionado com a história do meu país! Há algum tempo que queria ler os livros do autor e quando este me desafiou a ler o seu livro não consegui recusar!
Um livro que é um retrato da nossa sociedade nos anos 20-50, uma das épocas mais negras da nossa história quando estava subjugados ao domínio de uma ditadura militar, o Estado Novo. Um livro que mostra as grandes divergências entre os habitantes das aldeias com os habitantes das cidades. Não quero entrar com muitos factos históricos pois sabemos todos um pouco do que se passou à época. Contudo, temos sempre muito a aprender e eu aprendi muito com este livro e tenciono aprender com os que virão.
Sobre a história: João da Maia é um moço que sempre se revelou inteligente, por ser de uma família mais humilde a possibilidade de vir a estudar era nula. Contudo, o seu professor da primária incentivou-o a estudar e talvez se fosse o melhor aluno do distrito de Coimbra pudesse vir a receber uma bolsa de estudos. Contra todas as odes João conseguiu alcançar o seu sonho e seguiu para Coimbra e começa a aventura épica da sua vida.
É um livro que te vai corroer por dentro, essencialmente por sabermos que foi verdade o que aquilo que aconteceu... talvez por sabermos que haja um avô que tenha sofrido estas atrocidades.
Francisco Ramalheira tem a arte de nos envolver com alma na história! Uma escrita bastante agradável e que nos leva a querer saber mais e mais sobre as personagens! Super recomendo que leiam este livro maravilhoso! E que venham mais livros para sabermos mais!
Não podemos deixar que a democracia morra, temos que aprender com a história.
Já não lia um livro em português há bastante tempo e este foi o livro perfeito para matar as saudades. Desde sempre que gostei muito de história e quando soube da existência deste livro fiquei logo com imensa vontade de o ler. O enredo passa-se no durante o período em que o Estado Novo liderou Portugal e que levou a inúmeras injustiças para a população.
A história começa por nos apresentar o João, e vamos seguindo a sua vida desde que ele era pequenino até à sua idade adulta, ao longo do livro vamos também conhecendo diferentes personagens e a leitura é intervalada com vários pontos de vista (o que é algo que eu adoro). Desta forma, vemos o crescimento de Salazar em Portugal e o impacto que a política do Estado Novo teve no rumo da vida dos diversos personagens.
Algo que adorei nesta leitura foi a forma como o autor conseguiu pegar num tema tão pesado e sensível e ter uma escrita tão fluída e com picos de humor entre os diversos personagens (faço aqui uma homenagem ao Toni, que a sua maneira saloia fazia-me sempre rir), isto acabou por tornar a leitura muito mais leve e interessante.
Os capítulos são pequenos (eu pessoalmente, adoro capítulos assim) e acabam sempre de forma a fazer o leitor querer ler mais um. As personagens foram todas excelentes, adorei ver a evolução do João e do Toni (os dois melhores amigos) ao longo dos anos e no geral a dinâmica entre todos os personagens é muito boa.
Outro aspeto que gostava de realçar são as notas a rodapé, para mim estas notas foram essenciais para a leitura, ajudaram a perceber melhor as situações e a relembrar tudo o que aprendi nas aulas de história há uns anos atrás.
Gostava de acabar a review por dizer que este é o tipo de livro em que aprendemos imenso sem percebemos que estamos a aprender, e não há nada melhor do que aprender sem sentirmos que estamos a fazer um trabalho de casa.
O Francisco Ramalheira é um jovem autor com uma capacidade imaginativa infindável e uma preocupação com uma escrita coerente, bem estruturada. Em Vida Censurada o autor preocupa-se, e bem, em mostrar como foram os tempos de ditadura percorrendo a vida de dois amigos, em caminhos diferentes. Como se preocupa em escrever para jovens, enquadra a narrativa nos acontecimentos do Estado Novo português e vai cruzando os diferentes personagens de forma a prender-nos à história. Um obra muito interessante, imprescindível na atualidade. Parabéns, Francisco, espero ansiosamente pelo volume II!