Mesmo na pré-história já existe uma gravada em pedra, eterna, oculta em alguma caverna prestes a ser descoberta. Assim também o tempo nos ilude, elusivo, tornando infinitas certas cenas que se repetem na lembrança e de certa forma nos moldam. O novo livro de Paloma Vidal é uma pequena e vigorosa obra-prima, que une com delicadeza os laços das eras mais remotas aos de agora, costurando no tempo uma escrita que vai além da memória, numa espécie de investigação arqueológica que toma a forma de uma carta de amor urgente e retroativa. Com habilidade, a narradora nos enreda em sua trama de tom altamente pessoal, apresentando cada elemento que compõe o mosaico de uma história de amor única — a estrelinha vermelha, o esconderijo do barco — e cada um dos pólos opostos que irão inevitavelmente se atrair, apertando os laços em nós cada vez mais difíceis de romper.
Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires em 1975, e aos dois anos veio para o Rio de Janeiro. Publicou os livros de contos A duas mãos (7Letras) e Mais ao Sul (Língua Geral). Participou das antologias 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004), Paralelos: 17 contos da nova literatura brasileira (Agir, 2004) e A Visita (Barracuda, 2005).
Paloma Vidal foi uma das semifinalistas do Prêmio São paulo de Literatura 2010 com o romance "Algum lugar".