Algumas das propostas do livro são muito instigantes, especialmente a ideia da retroalimentação entre as representações das bruxas e das tupinambás, o motivo do caldeirão e da canibalização de bebês. Agora, a pesquisa sobre bruxas cita na maior parte UMA fonte, e depois mais duas, sendo duas delas muito antigas e desatualizadas. Além disso, é MUITO INCÔMODO ler um livro com tantos problemas de revisão. Não tem um parágrafo do livro que não transforme ao menos uma vez uma oração subordinada ou um aposto em um período independente, às vezes iniciando outro parágrafo. A gente precisa reler pra entender que ela pôs um ponto onde era uma vírgula, um ponto e vírgula ou um travessão. E muito me surpreende o trabalho editorial da EDUSP ter deixado isso assim.
Há muito tempo esperando ansiosamente por essa leitura, não posso dizer que tenha sido tudo que criei de expectativa.
Muito respeito e valorização por todo o processo de pesquisa pelo qual Isabelle passou para produção da obra, inúmeras viagens e visitas artísticas. Leitura de viés feminista interessantíssima, gostei muito de ver com mais profundidade as bases para surgimento de alguns mitos como o das bruxas. Indicaria para outras pessoas interessadas no tema da representação da mulher sem dúvida alguma.
No entanto, por vezes achei que o livro não segue uma abordagem sistemática da arte como no caso de outras obras acerca de história da arte como Gombrich e Gompertz. Em verdade que talvez não tenha sido essa a proposta da autora mesmo, mas enfim, em alguns momentos me desagradou.
4 estrelas no que se trata de qualidade da obra 3 estrelas em se tratando do tanto que gostei da leitura