«Olhe que não, olhe que não!» foi como Álvaro Cunhal reagiu aos constantes ataques e acusações de Mário Soares num célebre debate promovido pela RTP na noite de 6 de Novembro de 1975, que prendeu o país inteiro ao pequeno ecrã. Apesar de ter sido ignorada por toda a imprensa, a surpreendente resposta do líder comunista, repetida meia dúzia de vezes, marcou de tal forma o confronto com o secretário-geral dos socialistas que acabou por se colar à simples evocação do debate, onde ficaram patentes, como nunca, duas personalidades políticas, duas concepções do mundo, dois modelos de sociedade e duas estratégias bem distintas e por vezes antagónicas.
Realizado pouco depois do assalto à embaixada de Espanha em Lisboa e uma semana antes do cerco à Assembleia Constituinte, já com cheiro ao golpe de 25 de Novembro, o debate faz parte da história não apenas da RTP, mas da televisão e da própria democracia.
JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA nasceu em 1952. Jornalista profissional desde 1974. Estudou Economia e Jornalismo. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foi chefe de redacção do vespertino A Luta e trabalhou durante dez anos no semanário O Jornal. Ingressou em 1989 no Expresso, onde é redactor principal. Tem-se dedicado ao jornalismo de investigação e é autor de uma dezena de livros. Ganhou alguns dos mais prestigiados galardões do jornalismo atribuídos em Portugal: o Prémio Nacional de Reportagem de Imprensa e o Prémio do Clube dos Jornalistas.
De leitura obrigatória para qualquer pessoa que milita à esquerda. Dois debates entre dois grandes animais políticos, capazes de fixar milhões ao ecrã, e que defendiam os seus ideais de forma clara e inequívoca. Um excelente trabalho de contextualização no pré e pós debates.
Um livro muito interessante para quem quer conhecer um pouco melhor um período curto, mas frenético no que diz respeito a acontecimentos da história portuguesa do pós revolução entre abril de 1974 e novembro de 1975. Vale bastante não só pelos debates, que são transcritos e anotados, como também pela contextualização dos assuntos que eram discutidos naquela altura.
Eu já tinha visto os dois debates do Soares e Cunhal que estão transcritos neste livro. São dois clássicos da história política portuguesa. Entretanto, o melhor desde livro é o trabalho de contexto às questões debatidas feito pelos editores.