«Os factos e os dados objetivos apresentados neste livro demonstram bem que a única experiência governativa portuguesa de aplicação de um conjunto coerente de princípios da social-democracia que até hoje existiu foi altamente benéfica para Portugal e para os Portugueses. Os valores da social-democracia moderna, com destaque para a dignidade da pessoa humana, a democracia pluralista, a justiça social, a igualdade de oportunidades, o acesso aos cuidados de saúde, a difusão cultural, a defesa do ambiente, a economia de mercado e a livre iniciativa privada
como fonte primária do crescimento económico, a concertação social e o reformismo, continuam a ser desafios para os governos da atualidade. Estou firmemente convencido de que a repetição de uma experiência de social-democracia, adaptada aos tempos do século XXI, produziria resultados igualmente positivos.»
ANÍBAL CAVACO SILVA nasceu em Boliqueime, Loulé, a 15 de Julho de 1939. Formou-se em Lisboa no Instituto de Ciências Económicas e Financeiras (1964), onde passou a ensinar em 1966. Doutorou-se pela Universidade de York, em 1973. Professor Catedrático na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, desde 1979, professor na Universidade Católica, desde 1975, Director do gabinete de Estudos do Banco de Portugal e da revista Economia da Universidade Católica Portuguesa, foi Ministro das Finanças e Economia do VI Governo Constitucional, liderado por Sá Carneiro (1980-81). Tendo assumido (Maio de 1985) a liderança do PSD, levou o partido a ganhar as eleições para a Assembleia da República (6 de Outubro de 1985). A 6.11.1985 torna-se primeiro-ministro do X Governo Constitucional. Em virtude das vitórias eleitorais de 19.7.1987 e de 6.10.1991, em que o partido obteve maioria absoluta, constituiu os XI e XII governos constitucionais. Abandonou a presidência do PSD em Fevereiro de 1995. Obteve 46,2% dos votos nas eleições presidenciais de 14.1.1996, em que saiu vencedor Jorge Sampaio. A 22.1.2006, é eleito Presidente da República, com 50,6% dos votos, sendo reeleito em 23.1.2011, terminando o mandato a 9.3.2016, sendo sucedido por Marcelo Rebelo de Sousa. Da sua vasta obra publicada há a referir os livros O Mercado Financeiro Português em 1966, Economic Effects of Public Debt, Política Orçamental e Estabilização Económica, A Política Económica do Governo de Sá Carneiro, Finanças Públicas e Política Macroeconómica, As Reformas da Década, Portugal e a Moeda Única, União Monetária Europeia, Autobiografia Política, Volumes I e II, e Crónicas de Uma Crise Anunciada. As intervenções mais importantes produzidas como Primeiro-Ministro encontram-se reunidas nos livros Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo(1995).
Mais um livro de memórias de Cavaco. Não acho mal , nem censuro qualquer esforço de memória aliás saúdo. Mas este livro não traz nada de especial aos mtos que o antigo primeiro e ex PR já publicou.
Estava a espera de um livro doutrinário ou apologético da social democracia moderna. Não há qq definição. O melhor que temos é: a social democracia é o que fiz, e o que fiz é social democracia.
Não duvido que as ideologias democráticas queiram sensivelmente as mesmas coisas.: igualdade de oportunidades, controlo de mercado e as suas falhas, provisao de bens publicos, acesso a educação e a saúde, uma rede de proteção social, acesso a cultura e uma visão do mundo sustentada. A diferença está no como e no sucesso que tais ideologias . Não duvido da bondade e Cavaco e, sobretudo pelas experiências posteriores, da sua capacidade e sucesso. Mas é insuficiente para dizer que é social democrata (ou conservador, liberal , ou mesmo socialista).
Olhando para o panorama internacional, creio que podemos dizer que Cavaco tentou olhar para o melhor de cada uma das práticas ideológicas. Sem o substrato intelectual do Blair e giddens ou do partido democrata , creio que Cavaco se poderia encontrar na terceira via. Falta me, a mim, alguma bagagem para poder concluir isso.
Creio que precisamos de uma biografia do pensamento e prática do antigo governante. Com comparações internacionais e confronto ao biografado. Mais livros de memórias não.
É muito importante termos testemunhos do passado recente do nosso país para podermos perceber os projetos realizados e fazer os nossos juízos de valor do que temos hoje ao nosso dispor e usufruímos diariamente.
Podemos neste livro perceber como foram executamos projetos que todos os que vivem em Portugal podem beneficiar diariamente como * gás natural * autoestrada Lisboa Porto * ponte Vasco da gama entre outros
Ou projetos que mudaram a face do país na indústria, agricultura ou cultura como * Autoeuropa * barragem do alqueva * centro cultural de Belém entre outros
E em resumo um estilo de governação e execução de projetos é fundamental para que se consigam realizar projetos de grande complexidade negocial
E Sá Carneiro foi quem pensou na social democracia moderna que pode ser executada na sua plenitude entre 1985 e 1995, com os resultados que o livro ilustra e detalha.
Um relato que faz com que eu me orgulhe do que Portugal conseguiu realizar e que permite ser respeitado internacionalmente.
Este é um roteiro à tecnocrata pelas grandes obras da década do cavaquismo - os momentos fundamentais das duas primeiras maiorias absolutas em democracia, dos governos de betão, das reformas estruturais, dos fundos europeus e da aplicação dos "verdadeiros princípios da social-democracia moderna no nosso País". A história da Ponte Vasco da Gama, de São João e do Freixo, as autoestradas, a Fundação de Serralves, o CCB, a Autoeuropa e o Programa de Erradicação de Barracas. A década em que Portugal se aproximou da Europa, como uma democracia com estado social e economia de mercado. Claro que o livro tem enviesamento. Mas conta como um pedaço da história contado por quem a assinou, inaugurou e orçamentou.
As obras mais significativas de uma governação social democrata. Via mais inteligente de condução de um país no período contemporâneo. Fora de extremismos de origem marxista em que algumas figuras públicas insistem em iludir o povo...
Bom livro sobre as memórias de Cavaco Silva. Focado nos projectos com maior impacto no desenvolvimento de Portugal e com breves explicações sobre o racional e execução de cada um dos projectos.