Virgínia amou Fernando por quase vinte anos de sua vida. Ele era seu companheiro. Seu marido. Seu amante. O pai de sua filha. Com a morte dele, tudo desmorona. Os alicerces que a mantinham segura caem por terra. Antigos medos retornam para atormentá-la. Enfrentar um dia após o outro parece impossível, quando não se consegue enfrentar nem o que você realmente é. AVISO BIFOBIA
Vou começar dizendo que eu não esperava que esse conto fosse me pegar de jeito, e talvez a nota seja influenciada (um pouco) por minhas experiências pessoais porém não ligo, em cada linha estarei sendo bem sincera quanto ao que eu li e não daria pra ser diferente, como conversou com meu lado pessoal mentir sobre essa resenha seria o mesmo que mentir para mim.
Quando Fernando morreu" acompanhamos a história de Virgínia, uma mulher passando pelo luto de ter perdido o homem que amou por 20 anos, apesar de ter um ano da morte de seu marido ela ainda não superou tal sofrimento e isso tem mexido com sua vida e influenciado na sua relação com a filha Letícia. Tudo parece desmoronar e não parece ter nada nesse mundo que possa ajudá-la a enfrentar o que está passando ou pelo menos é o que Virgínia acha.
Esse conto entra pra minha caixinha de favoritos de 2020 💚 a história de Beatriz fala muito sobre o luto, essa pressão de precisarmos ser fortes o tempo inteiro e não ter o direito de ser vulnerável principalmente se há um filho no meio. Parece que a sociedade enxerga que a pessoa pra se tornar mãe/pai de alguém é necessário se desinvidualizar e viver única e exclusivamente para aquele novo serzinho até ele ser estável o suficiente para conseguir seguir sozinho, depois desse momento que pode-se voltar a ter uma personalidade, seus pensamentos, vontades... O contrário disso é ser egoísta e uma péssima mãe; também fala muito de como relações familiares podem influenciar positiva como negativamente (e outras também, mas nesse conto é mais abordado nesse lado); e como por vezes, nos sentimos pressionados a querer ajudar ao outro a ponto de acabar nos fazendo mal por não conseguir, precisamos entender que há coisas que fogem ao nosso controle. É óbvio que havendo a possibilidade de ajudar podemos fazê-lo mas é necessário saber separar até onde conseguimos e até onde essa ajuda precisa partir de outro lugar.
Como disse anteriormente o conto conversou comigo em vários momentos por ter semelhanças com a minha vida pessoal. Atualmente estou trabalhando para que eu não tenha mais medo de dizer e fazer as coisas que quero com medo de frustrar as expectativas de alguém. Não é justo comigo mesma fazer esse tipo de coisa, embora seja chato, eu não posso viver às custas de não desapontar alguém, isso está fora do meu controle e está tudo bem causar isso em alguma pessoa que criou expectativas em cima de mim por conta de algo, precisamos fazer aquilo que nos faça bem e se no meio do caminho isso não desapontar alguém melhor ainda. Virgínia, com o tempo espero alcançar a libertação que você experienciou naquele momento. Comprem e não deixem de avaliar ao final da leitura na rede social de sua preferência. ISSO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA ES AUTORIES!!!
Virgínia está de luto, seu grande amor morreu, levando consigo toda sua força de viver. É medo, é tristeza, é luto, é preconceito, Virgínia precisará trabalhar em si para enfrentar tudo isso, para achar seu novo porto seguro, se reerguer e voltar a viver.
Um conto muito triste e pesado, chorei muito, esse conto não é pra mim por causa dos gatilhos, mas ainda assim gostei muito de ler um final feliz e esperançoso.
Me surpreendi muito positivamente! Quando vi o tamanho do conto, não imaginei que a autora conseguiria tocar em tantos pontos sensíveis e relevantes em tão poucas páginas.
Aqui conhecemos Virgínia e acompanhamos a superação de seu luto, após perder o marido, a reconstituição de uma nova vida após essa perda e o enfrentamento dos preconceitos familiares para viver um novo amor enquanto bissexual e resistindo para viver essa identidade plenamente, sem se esconder.
É maravilhoso, amei. E só a minha opinião importa.
Eu estou no meio de um projeto pessoal de Um Conto Monodissidente por Dia durante uma Semana. Felizmente, a maioria das leituras até agora foram agradáveis e muito bem escritas. Incluso esta aqui. Achei muito tocante a forma com que a autora escreveu sobre o luto, a depressão e a libertação própria, tudo isso permeado por uma narrativa dinâmica e quase poética. Agora estou ansioso por ler novas obras dela o mais brevemente possível.