“Adão sabia do belo tédio Que teria pela frente. Foi logo fazendo dois filhos... Um assassino e outro inocente. Deus aplaudia a própria tragédia Pensando que fosse comédia.” Abel Terra
Lobo é um assassino profissional, um justiceiro que pune aqueles que foram negligenciados pela justiça em suas más-ações. Enquanto monta uma narrativa repleta de mistério, comédia e tragédia, o autor Fausto Wolf apresenta o passado de uma família marcada por contradições e acasos em uma história de amor, ciúme, crime e ódio que nos leva ao passado de lobo e a sua real identidade. Com personagens repletos de lirismo, uma história trágica e cômica e seguindo-se desígnios desconhecidos, onde os deuses parecem rir dos homens montando armadilhas inesperadas. Da primeira guerra ao nazismo. Da reforma agrária e o comunismo. O sonho de justiça plena, a prostituição, corrupção e tantos males, Fausto monta a história dentro de um cenário já conhecido e muitas vezes não admitido pela sociedade. Com conflitos que assolam a humanidade e a alma do próprio homem. Lobo, o herói anti-herói nos faz pensar sobre até onde vai nosso poder da justiça pelas próprias mãos. Ao falar sobre personagem, Luiz Horácio define a contradição do personagem ao dizer que “num mundo por demais humano, e consequentemente, por demais injusto convivem diversas formas de justiça. O sonho de justiça social, e a justiça justificada do assassino improvável. Dessa maneira, não são permitidos heróis e o ESPELHO reflete nossa intranquilidade, pois supostos justiceiros, se fogem a tradição moralista, padecem das nossas mesmas contradições.” Assim, se mostra o risco presente de ao tentar combater, acabar se tornando aquilo que se quer dizimar, pois um homem com o poder de decidir o destino das pessoas, e sua morte, continua ainda assim sendo um homem. O lobo através do espelho em refletir o que trazemos em nós nos leva a seguir a intuição através de pistas dentro do passado que montam um enredo tão real quanto a história da humanidade. Lorem Krsna
“Se alguém tivesse pena de me ver velho, bêbado, sujo e fedendo. Se alguém tivesse pena e me desse um banho, lar, carinho e dinheiro. Se alguém me levantasse ao ponto de eu, mesmo sem olhos, pudesse me ver no espelho como já fui uma vez, não adiantaria nada. Restaria a memória.” Adão Terra