Diz-nos a autora deste livro: «Com ou sem mapas, o mundo é um lugar esplêndido onde o observador é tão importante como o observado. E existem lugares (e pessoas) monótonos, poeirentos, íngremes e até extremamente assustadores; mas enfrentar a natureza tal como ela é faz de nós mulheres e homens maiores, até porque em qualquer beco escuro há sempre vida para uma candeia.»
Quando lemos relatos de viagens, transformamo-nos nós próprios em viajantes. E isso não deixará de acontecer com a leitura deste notável Pés na Terra, da premiada escritora Raquel Ochoa, que reúne memórias de viagens aos cinco continentes, fazendo-nos olhar para o mundo contemporâneo como algo incrivelmente belo, mas também cheio de desigualdades e contradições.
As suas experiências (sobre- tudo como mulher viajando sozinha e enfrentando o risco e o preconceito), as peripécias inesperadas, as provações e o desconforto a par da superação, do deslumbramento e da pacificação - e ainda o relato apaixonado de alguns encontros especiais ao longo da jornada - são o guia ideal para quem queira sair do seu umbigo para o umbigo do mundo, de mochila às costas ou sentado no sofá.
Raquel Ochoa nasceu em 1980, em Lisboa. Tem dedicado grande parte do seu tempo a viajar e a escrever. Na sequência de uma viagem de vários meses pela América Central e do Sul, editou O Vento dos Outros, em 2008. No mesmo ano publicou Bana – uma Vida a Cantar Cabo Verde, a biografia de um mais populares músicos africanos. Em 2009 venceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, com o romance A Casa- Comboio, a saga de uma família indo-portuguesa ao longo de quatro gerações. A Infanta Rebelde, a biografia de D. Maria Adelaide de Bragança, é a sua primeira obra publicada pela Oficina do Livro em 2011.
Li Pés na Terra aos poucos, pois o mundo é extenso e há que saboreá-lo. Raquel Ochoa capta a poesia das paisagens em contraste com a humanidade como ninguém. Quando fechamos o livro, notamos que se incrustraram na memória as suas aventuras como se fossem nossas — peripécias rocambulescas que desejamos nunca ter de enfrentar, infindáveis comédias nascidas do choque de culturas, romances tórridos em cenários tropicais... Por fim, resta-nos aquela sensação familiar de termos ficado a conhecer alguém intimamente, como dificilmente conseguiremos dar-nos a conhecer, e a gratidão pelo altruísmo dessa partilha.
Fez-me viajar para sítios onde nunca estive antes e aumentar a minha lista de países a visitar, mas principalmente despertou novamente esta vontade insaciável de continuar a explorar o mundo e de ser ok se o quiser fazer sozinha <3
Neste livro, que não é somente um livro de viagens, Raquel Ochoa partilha com o leitor experiências enquanto mulher-viajante, enquanto guia, enquanto escritora. Viagens por vários países (Japão, India, Cabo Verde, Nova Zelândia, Nepal, Filipinas, etc.) contadas na primeira pessoa e com informação histórica adicional para enriquecer o leitor.
Inegável qualidade de escrita. Primeiro livro que li desta autora, do qual retirei alguma sublimes citações. A paixão da autora pelas montanhas e seus caminhos está bem patente em toda a obra e vai guiando o caminho.
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