A Space for Science is a new version of Forma��o da Comunidade Cientifica no Brasil (published only in Portuguese in 1979 and now out of print), which became a standard reference for studies of the development of scientific traditions and competence in Brazil and, by extension, for other developing countries. Based on dozens of interviews with several generations of Brazilian scientists, it offers a wealth of information and insight about the motivations, attitudes, values, and perceptions of the scientists who, working in this kind of environment, face challenges and endure frustrations not known to their colleagues in wealthier industrialized countries.
The book focuses on the development of natural sciences in Brazil from the nineteenth century, with emphasis on the cultural, institutional, and social contexts that facilitated or hindered their growth and institutionalization, and offers an analysis of their current predicaments. It also provides an account of the importance to Brazil of foreign-trained scientists and foreign models of research and higher education.
This new English version contains background information on Brazilian society and politics, a new introduction, and two new chapters on most recent developments. These changes, along with substantial revisions to the text, make this a new book even for the Brazilian reader.
Simon Schwartzman é presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade do Rio de Janeiro. Entre 1994 e 1998 foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e, antes, professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Paulo, Fundação Getulio Vargas e Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Doutor em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, Berkeley, foi professor visitante nas universidades de Columbia, Califórnia/Berkeley, Harvard e Stanford.
Dá pra entender o que tá acontecendo no Brasil em 2020? Não é fácil, mas dá pra tentar. Depois de ler Um espaço para a ciência, do Simon Schwartzman, acho que entendi algumas coisas. O livro faz uma espécie de 'história da ciência no Brasil' desde os tempos de colônia. Na verdade, até antes. Ele menciona o contexto europeu que herdamos: enquanto a revolução científica transformava boa parte da Europa central, a península Ibérica assistia uma retomada da Inquisição. Ou seja, Portugal e Espanha não criaram uma cultura científica para deixar de legado para a América Latina. Também demoramos a organizar nossas universidades, sendo a usp criada apenas em 1934 - e é espantoso pensar que o mundo já tinha lutado uma Guerra Mundial, enquanto ainda não possuíamos uma universidade sequer. A ciência dependeu muito da tutela de poderosos (como D. Pedro II) e poucos foram os nichos onde ela desenvolveu uma interpenetração social mais profunda. Na virada do século XIX - XX, instituições de pesquisa como fiocruz eram um oásis de ciência no Brasil e, se recebiam apoio, era em função de sua aplicação direta em problemas de saúde pública ou de melhoramento genético para a produção agro nacional. Dessa época, no contexto da guerra da vacina, consta o seguinte depoimento de um cidadão contrário às medidas de higiene pública desenvolvidas pelo Estado: "Não somos contrários apenas à vacinação obrigatória, mas somos contra a desinfecção mandatória, essa comédia que obriga os cidadãos a inalar gases nocivos e a prejudicar sua saúde; somos contra o isolamento obrigatório e o modo como as pessoas são retiradas com violência das suas famílias e levadas a morrer pelas ações morais contra o seu corpo [...]" Soa familiar?
Schwartzman enfatiza que a ciência não se desenvolve apenas pela sua aplicação prática, ou resultados econômicos. Sua forma de encarar o mundo baseada na racionalização precisa conquistar segmentos da população, em detrimento de visões tradicionais de mundo. E como vemos, este espaço da ciência está longe de conquistado, talvez não só no Brasil, mas no mundo.