Quem em sã consciência convida alguém para uma incursão ao deserto? E quem se arrisca a tal aventura? E se o smartphone falhar? E se não encontrar um fast food? E se o shopping center mais próximo estiver a milhares de quilômetros? Ficar sem rede social? Jamais! O convite não é do autor. Ele apenas o aceitou e compartilha suas experiências e o crescimento que elas proporcionam. Muitos, antes dele, aceitaram este convite: João Batista, Jesus, Paulo de Tarso, Buda, Krishna e milhares de anônimos. Agora é sua vez. Permita-se este emocionante autoencontro!
Melhores trechos: "...O deserto é um lugar que transforma tudo e todos, quer estejamos ou não cientes disso. Para muitos, constituise em uma oportunidade de recomeçar, pois nele seu passado conta pouco. Suas competências, seu poder, sua influência, ou mesmo suas mágoas, traumas e receios, nada disso tem lugar ou importância no deserto. O que conta são as escolhas que você faz dentro dessa experiência e como elas vão impactar seu futuro... O deserto revela-se como o símbolo de uma obliquidade transcendente, ou seja, que não possui paralelo de comparação, já que ele é lugar de se perder e de se achar, de estar só e não se sentir só. Da falta para o encontro, da essência e do silêncio para ouvir o ensurdecedor barulho de nossas inquietações. A experiência do vazio provocada pelo deserto por fim é compreendida como essencial e necessária, que alcança, indistintamente, todos que estão passando por profundas transformações espirituais, sempre a nos arremessar numa completa sensação de falta; um buraco que denuncia que necessitamos de algo mais... O deserto nos chama para abraçar o vazio como um modo de aprofundar nossa vida espiritual... No deserto, até Deus parece ausente, sem nos responder às inúmeras súplicas, aos gritos de desalento. Desse modo, num primeiro momento, sentimo-nos sós e vulneráveis. Tão visceralmente desprotegidos que parecemos ter como companhia apenas o medo e a desesperança sem fim... Onde há amor não cabem julgamentos nem culpa... O deserto nos acorda para, em total entrega no encontro com Deus, sermos preenchidos de contentamento. Aprender a ter contentamento é um processo que nos leva à compreensão de que tudo, das mínimas coisas aos grandes projetos, tem a tutela de Deus, nosso Pai cuidadoso, que usa todas as circunstâncias para nos fazer crescer e confiar Nele. Precisamos buscar primeiramente 'o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas' (Mateus 6:33). Todas essas coisas não se referem apenas ao que se há de comer, beber ou vestir, mas vai além, pois 'sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus'(Romanos 8:28). Mas faz-se mister realçar que Deus promete suprir nossas necessidades, não nossa ganância ou caprichos. Fica explícito o equilíbrio entre aquilo que nos compete e o que compete a Deus. Muitas pessoas dão prioridade a uma falsa ideia de poder pessoal pelo qual acreditam alcançar qualquer coisa, acreditando mais nas capacidades humanas, o que gera muita decepção pessoal e também para com os outros, já que as forças que provêm de nós ou de nossos amigos são limitadas. Por isso devemos nos projetar e esperar sinceramente, sem medo de decepções, 'Naquele que nos fortalece'... É preciso admitir a tristeza e a frustração porque as coisas não saíram conforme gostaríamos. A vida não aconteceu como projetamos. As pessoas não se comportaram como esperávamos, o que nos irrita e entristece. Não somos o que gostaríamos de ser. Mas, mesmo assim, podemos nos alegrar por saber que há um propósito muito maior do que nossa aspiração. Há um projeto de Deus para nossas vidas, muito além do que temos como expectativa... É preciso dar as costas e caminhar para uma estrada que, ao findar, vai dar em nada, absolutamente nada do que julgávamos encontrar . Quando os nossos projetos não representam os projetos que Deus nos reservou, Ele nos leva de volta a um caminho no qual nossos projetos possam finalmente coincidir com os Dele... Só seremos felizes no deserto se admitirmos que a nossa expectativa infantil é uma, enquanto a perspectiva de Deus é outra. Nossa paz começa a acontecer quando, no deserto, aceitarmos abdicar daquilo que esperávamos encontrar, permitindo-nos encontrar Deus, num harmonioso alinhamento com o projeto que Ele tem para a nossa vida..."
O livro possui 16 capítulos, tendo ainda a apresentação, introdução e depois as notas e o autor aborda como aliviar as angústias em tempos de adversidades tendo uma nova atitude mental.
Sendo assim, a obra inicia com Estou no Deserto. E agora? que fala da importância de dar um sentido mais transcendente para a vida e depois passa para O Deserto Pessoal de Jó, onde é comentado sobre a subserviência ativa e a resiliência operacional, O Messias no Deserto e a história de Jesus, Os Simbolismos do Deserto no Mundo Judeu que fala do deserto ser o lugar para a pessoa se encontrar e conectar-se com o sagrado, Nossos Desertos de Cada Dia e a ligação entre as angústias e as atitudes mentais, Objetivo no Deserto e o quanto a mudança depende do mergulhar dentro de si.
A partir do sétimo capítulo, os títulos já são mais auto explicativos e inicia uma nova fase da narrativa onde tem a "missão" de ajudar o leitor a ter novos hábitos. Com isso, temos o Deserto Forja Novos Hábitos, O Tempo de Mudança de Cada Um, O Filho Pródigo Volta Pelo Deserto, Forjando Um Novo Ser, O Deserto nos Despoja de Nós Mesmos, o Deserto e a Ética, Desidentificar-se com o Passado, Se Eu Quiser Falar com Deus, Eu e Meu Deserto e Finalmente: Eu e Deus no Deserto.
A narrativa, assim como as outras obras já lidas do autor, segue o padrão de ir comentando sobre o assunto em questão misturando Psicologia com Espiritismo e dando exemplos cotidianos, de si próprio e artísticos, com poesias e trechos de músicas. Inclusive, neste livro, tem alguns relatos que ainda não tinha visto em palestras, como passar alguns dias sozinho em uma cidade desconhecida por causa de um problema no carro.
Mesmo sendo feito um pouco antes do surgimento da pandemia, Rossandro, no começo, trouxe uma explicação muito reflexiva sobre o período em que estávamos vivendo naquela época, ou seja, tempos de expectativas e muita ansiedade.
O texto é de fácil entendimento e a leitura depende da sua intenção com o livro. Independente disso, existem muitos trechos pensativos, sendo necessários algumas pausas para melhor absorção. Além disso, é um ótimo livro de transição, em todos os aspectos.