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Começa uma vida

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Portugese

81 pages, Paperback

First published January 1, 1993

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Irene Lisboa

26 books9 followers
Por Paula Morão
«Irene Lisboa (n. Casal da Murzinheira, Arruda dos Vinhos, 1892; m. Lisboa, 1958), formada pela Escola Normal Primária de Lisboa, fez estudos de especialização na Bélgica, em França e na Suíça; foi professora do Ensino Infantil e depois Inspetora Orientadora desse grau de ensino, até ser afastada, primeiro para funções burocráticas, e depois definitivamente, por recusar um lugar em Braga (na prática, uma forma de exílio para uma pedagoga incómoda pelas suas ideias avançadas). Usou, entre outros de menor importância, o pseudónimo João Falco, que abandonou no início da década de quarenta. Ao longo da sua vasta obra, escreveu literatura para crianças e jovens, textos de pedagogia, crónicas e novelas centradas na descrição de quadros e personagens da vida comum, mas sempre dando passagem para o núcleo intimista e autobiográfico que unifica toda a obra, a começar pelos dois livros de poemas, de 36 e 37. Com as variações que os diferentes géneros implicam, pode dizer-se que o seu estilo é marcado pela oralidade e pela naturalidade, construídas como efeito retórico que rasura um aturado trabalho de escrita. Isto é desde logo visível nos livros para crianças e jovens, em que a oralidade, muito trabalhada, não se compadece com facilidades nem infantilismos, abordando as mais variadas temáticas de modo a que subjaz profunda informação pedagógica.

O estilo da autora de Solidão caracteriza-se por frases em geral curtas, apresentadas como fragmentos de diálogo ou de monólogo interior, ou então os textos parecem ser o registo imediatista de cenas vistas, mas a que as subtis intervenções críticas ou explicativas da voz narradora dão contornos de anotações fazendo-se ao ritmo da consciência. O próprio sistema de títulos e subtítulos dá indicações nesse sentido, ao usar termos como "apontamentos" e "notas", ou ao remeter para a matéria banal e insignificante; é o que sucede com o oxímoro o pouco e o muito, usado como título em 1956, ou com o verso de uma quadra popular que titula em 55 o livro para crianças Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma. Junte-se a isto o uso do ritmo sincopado de um discurso cantabile, oralizante e próximo da corrente de consciência, em que o ato de contar é charneira entre o mundo e o eu; não lhe interessa definir exatamente o que escreve nem apresentar obra acabada, e por isso optou, primeiro, por provocatoriamente não distinguir verso e prosa ("Ao que vos parecer verso chamai verso e ao resto chamai prosa" é a abertura programática do livro de 1937), e mais tarde por publicar apenas crónica, conto ou novela – ou seja, géneros de cariz inacabado.[...]
http://cvc.instituto-camoes.pt/seculo...

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Profile Image for Filipe Miguel.
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December 23, 2021
Memórias Fragmentadas

Publicado por volta de 1940, segue em linha temporal, tenuemente declarada, as primeiras décadas de vida de Irene Lisboa. Com a habitual escrita escorreita, a autora espraia-se por realidades que já pouco existem, muitas delas caricatas à luz do nosso tempo.

Não havendo qualquer referência ao ano, diria que talvez acompanhe a autora no primeiro quarto do século XX. Há padrinhos e madrinhas, enteados e enteadas, tios, casas senhoriais, colégios privados, tempos de férias, médicos de família e muita, muita observação por parte de Irene Lisboa.

Tenha sido com mais doses de realidade ou mais de fábula, como a própria autora assumiu, por vicissitudes da memória, não deixa de ser a sua tentativa de “reconstruir os primeiros anos de vida entre memórias fragmentárias”.

”Todos estes familiares, com um ligeiro ar de parentes desclassificados, secundários, tinham umas tristes vidas, infelizmente bem normais. Encostavam-se aos mais favorecidos para poder viver, punham-se à disposição de quem os aproveitasse. Mas quebrada a cadeia principal daquela família amiga, do bom sustentáculo, sumiu-se tudo na miséria…
Não me admiro bada que a Luísa Gorda tivesse acabado à esmola. Este andar à esmola não é o remate natural da vida dos nossos pequenos trabalhadores?”


Nota: 4.0/5.0
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