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Gérard d'Houville was the pen-name of Marie de Régnier, a French novelist and poet who was closely involved in the artistic circles of early twentieth-century Paris.
Born the second of three daughters to Cuban-born French poet José-Maria de Heredia, she married poet Henri de Régnier, but also had a long-term relationship with Pierre Louÿs. She also took several other lovers, including Edmond Jaloux, Jean-Louis Vaudoyer, Gabriele D'Annunzio, and Henri Bernstein. Her poetry and novels were widely acclaimed by critics and the public during her lifetime, and she remains the only woman to have been awarded the top prizes for both fiction and poetry by the Académie française.
As relações humanas são sempre complexas. Sejam de amizade ou amorosas. Mas quando há alguém que declaradamente "brinca" com os sentimentos de outrem as consequências são sempre nefastas, desastrosas.
E esta personagem principal é um ser pouco humano, egoísta, leviano, que age sem pensar nas consequências. Por tudo isto e mais, detestei-a.
Os meus parabéns à autora por ter colocado, em papel, alguém que me provocou sentimentos de pura repulsa.
Descobri este livro por acaso, assim como a editora que tem trazido estes clássicos para Portugal, mas fiquei imediatamente fã da autora do livro, da sua vida, forma de estar, do livro, da escrita, de tudo.
Primeiramente, “A Inconstante” foi publicado originalmente em 1903 sob um pseudónimo masculino. Conta a história de Gilette, uma mulher casada com um poeta muito famoso, que o trai com o verdadeiro amor da sua vida. Quando este se afasta, Gilette, sendo uma mulher que acredita que a vida deve ser vivida independentemente das limitações que a sociedade nos impõe, tem um outro amante.
Fiquei fascinado quando percebi que esta história efetivamente aconteceu na vida da autora que decidiu depois escrever sobre isso. O amante, na altura, considerou o livro uma vingança pessoal. Adorei a protagonista, a forma como é destemida, cheia de bravura, mas como não deixa de ser frágil, sozinha, triste, por viver numa realidade em que é olhada de lado, vista como a deslocada, traidora, infiel.
A história não é inédita, mas ainda é muito necessária nos dias de hoje. Acabo por achar incrível como é que uma história escrita há mais de cem anos pode ser tão atual, especificamente na forma como o homem e a mulher são vistos na sociedade.
Deixo um exemplo: “— Vejamos, Gilette! Não me queres fazer jurar que não te vou enganar? De resto, sabes bem que os homens, não é a mesma coisa. Essas aventuras são esquecidas como um gelado que se toma quando se tem sede. — E eu? — disse ela, com simplicidade. — Oh! Gilette! Tu, pelo contrário, estás proibida de me enganar! Quer dizer, compreendes bem, de ter outro amante. — Porquê? (...) — Porque, acabo de te dizer, não é a mesma coisa!”
Em algumas partes, se calhar por ter um Português mais complicado de entender, tive alguma dificuldade em acompanhar e entender. Mas nada que não entendesse voltando atrás (aliás, a tradução é exímia).
Foi um livro delicioso, fora da caixa, desafiante, mas muito muito interessante! Não podia recomendar mais.