Um ótimo livro de leitura e compreensão da obra "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Excelente para alunos e professores na análise dos temas e linhas de pensamento de Fernando Pessoa, no heterónimo Ricardo Reis, a partir da mente crítica de Saramago.
Como diz Carlos Reis, este livro não procura […] substituir aquela leitura por resumos ou por descrições esquemáticas”, antes proporcionar uma aventura cultural e uma outra aprendizagem, certamente não menos proveitosa, que é a da descoberta, a da imaginação e a do diálogo com os outros.
O livro encontra-se dividido nos seguintes capítulos, ademais da Nota Prévia, Textos de consulta e Obras consultadas, “Contextualização histórico-literária”, “Representações do século XX”, “Deambulação geográfica e viagem literária”, “Representações do amor”, “Intertextualidade”, “Linguagem, estilo e estrutura”, e “Dicionário de personagens”.
CARLOS REIS nasceu em 28 de setembro de 1950, em Angra do Heroísmo. É Licenciado em Filologia Românica (1974) e doutorado em Literatura Portuguesa (1983) pela Faculdade de Letras Universidade de Coimbra, onde é professor catedrático, desde 1990. Foi professor convidado das Universidades de Salamanca, Santiago de Compostela, Wisconsin-Madison, Massachusetts-Dartmouth e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Foi ainda Diretor do Centro de Estudos de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade Aberta (1988-1998), Diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa, entre Maio de 1998 e Outubro de 2002 e reitor da Universidade Aberta (2002-06). Coordenador de várias coleções, de onde se destacam a História Crítica da Literatura Portuguesa (Editorial Verbo; oito vols. publicados) e Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós (Imprensa Nacional-Casa da Moeda; 14 vols. publicados). Foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em 2008.
Este livro é uma ótima ajuda para a leitura d´O Ano da Morte de Ricardo Reis. Facilita-nos uma interpretação da sua linguagem e estilo tão particulares assim como da sua estrutura narrativa. Embora o romance de Saramago seja perfeitamente abordável pelo publico em geral, e recomendável para quem goste de compreender ao autor, explicando com simplicidade a contextualização histórico-literária, os elementos estruturantes (tempo, ação e espaço) e a intertextualidade desta magnifica obra.
Um período de gestação para ideias e poesia. Conhecendo um pouco de Fernando Pessoa e do seu Ricardo Reis, é possível apreciar os detalhes que Saramago traça na história. É um convite para previamente conhecer os poemas destes poetas, sem dúvida que leva a gostar mais deste livro. O Saramago, para mim, é dos escritores que se prepara mais para os seus romances, conhecendo as personagens e tratando-as como vizinhos, transeuntes nas ruas. Ele é o vento que passa e absorve o ar que deitamos, as palavras que saem e não são escutadas e os pensamentos que arrefecem e não ganham voz.
O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, é uma obra que desafia as fronteiras entre o real e o imaginado, mergulhando o leitor numa atmosfera melancólica e profundamente filosófica. A premissa original — trazer à vida o heterónimo de Fernando Pessoa após a morte do poeta — serve como ponto de partida para uma reflexão sobre a condição humana, a passagem do tempo e o confronto entre ideais e realidades.
A escrita de Saramago, marcada pelo seu estilo inconfundível de longos parágrafos e diálogos subtis integrados na narrativa, exige atenção, mas recompensa com uma musicalidade única e uma ironia fina que atravessa toda a obra. Ricardo Reis é retratado como um homem deslocado, preso entre o passado e o presente, num Portugal sob o espectro do fascismo e da instabilidade europeia.
A relação entre o protagonista e o fantasma de Fernando Pessoa dá ao romance uma dimensão quase onírica, onde a morte e a memória se entrelaçam de forma poética. A crítica social, subtil mas sempre presente, adiciona camadas à narrativa, refletindo a passividade e a resignação de uma sociedade à beira da mudança.
Embora a densidade do texto e o ritmo lento possam tornar a leitura desafiante para alguns, a riqueza simbólica e a profundidade filosófica tornam esta obra uma experiência literária marcante. Uma reflexão brilhante sobre o destino, a identidade e o poder invisível do tempo — mais um testemunho do génio literário de Saramago.