Sob pressão é um livro arrebatador, a história real de um jovem médico que não quer desistir de lutar. O relato de quem está na frente de batalha, em plantões sucessivos, sem descanso, sem segurança e salário digno — atendendo em hospitais arruinados, vivendo o drama das emergências do nosso país. A rotina de guerra que enfrentou ao longo de mais de dez anos, como milhares de médicos brasileiros, faz de Sob pressão um depoimento perturbador. Neste livro, o cirurgião revê sua formação profissional, a fase inicial dos plantões, o caso de amor com a medicina ainda aflorado e o vício na adrenalina do combate, quando operou em CTIs despreparados e até em enfermarias e corredores, desafiando a precariedade das emergências — procurando salvar pessoas e a si mesmo.
“O processo foi perverso, dramático, silencioso. Os recursos foram acabando enquanto os pacientes continuavam a bater na nossa porta entre a vida e a morte. Numa manhã de verão, ano 2000, virada do milênio, sol a pino, calor de amolecer os miolos cheguei para trabalhar e me deparei com uma cena que jamais vou esquecer. Meus colegas, capitaneadas pelo professor Carlos Alberto, caminhando em direção à Avenida Brasil em protesto contra a morte de ITP. Um serviço de cirurgia torácica único como aquele levava anos para construir e pouco tempo para acabar. De longe enxerguei os jalecos brancos, os cartazes no ar. Pude notar a perplexidade nos rostos que caminhavam para protestar a favor do que prevê a Constituição brasileira “A saúde é um direito de todos e dever do estado”. Um direito fundamental do ser humano, acrescento. Lágrimas me vieram os olhos. Larguei o carro e me juntei a eles. Infelizmente, não éramos muitos. Minha carreira como cirurgião torácico apenas começava. Mas senti aquilo como o fim. O fim da utopia”
Tive a sorte de ganhar o livro quando o autor nos deu uma palestra na faculdade. Acho que, tendo conhecido e conversado com ele, eu já abri a primeira página com uma generosidade de espírito que doutro modo não teria. Tanto melhor: é uma ótima leitura.
O cenário do SUS vivido, sobrevivido, pelo Dr. Marcio Maranhão nestas páginas inspira emoções fortes. Algumas poucas, fortes e belas -- impossível não se comover do sentimento de Missão que vive nosso protagonista, se assim lho posso chamar. Ato contínuo, porém, prevalece a revolta, o absurdado, a cristalina vontade de sacodir o livro como quem lhe sacode o autor. Como pode ser assim? É realmente assim desesperador?
Sabemos, brasileiros que somos, a resposta. É. Pode-podendo. Pode porque nossa cultura, formação e instituições assim permitiram. Pavorosa realidade.
Acompanhamos o amadurecimento do Márcio-homem, aprendiz, em mestre, numa narrativa linear demais para chamar Crônica, ainda que anedótica em excesso para Memórias. Formato bastante divertido, que permite e convida a leitura pausada, espaçada. Não sei se por isso, mas o livro peca em repetir explicações, principalmente de alguns nomes e figuras, que foram apresentados nem quarenta páginas atrás --é a minha única e principal queixa.
Rápida e boa leitura, particularmente angustiante quando me penso que vou fazer parte desse mundo um dia. Ars longa, vita brevis.
A vontade de ler esse livro veio da fixação que eu tinha pela série uns anos atrás. Por isso, me decepcionei um pouco por não ser nada parecido com a produção da Globo. Mas eu entendo que a culpa não é do livro ou dos autores. Afinal, eles estão apenas narrando acona tecimentos. Me fez ter um novo olhar sobre a saúde pública, que vem sido fundamental para mim nos últimos anos. Não sabia que os médicos de hospital público são tão desvalorizados (não que eu seja capaz de sentir pena de médicos). No geral, um bom livro. Bem curtinho e rápido. Li em dois dias.
O livro mostra um pouco sobre a realidade dos médicos no nosso país, apresentando um pouquinho da sua jornada na área. A verdade que muitas vezes é esquecida; mesmo com o status de ser médico, esse profissional ainda sofre bastante, principalmente se for um profissional de verdade e que se importa genuinamente com o paciente. Isso não é válido apenas para os médicos, mas sim todos os profissionais da saúde. A história apresenta as dificuldades do SUS no Brasil, a realidade difícil e dolorosa, tanto para médicos quanto para pacientes.
uma obra pesada, difícil de se digerir, mostrando a realidade, falando de diversas negligências e falhas no que tange a saúde em inúmeros aspectos, como se fosse um desabafo, bastante fluído
Muitas vezes ficamos presos num ideal de trabalho médico, e não nos atentamos para a realidade da saúde no Brasil. Márcio Maranhão escreve sem romantismos, o cotidiano de um médico brasileiro. Acho esse livro importante para futuros médicos, de tal forma a gerar questionamentos sobre o trabalho de um médico concomitante às realidades brasileiras.
Um jovem médico, com vontade, força e amor pela profissão narra de forma verdadeira e clara o que cada um de nós passa e se pergunta todos os dias na profissão. Em alguns trechos, podemos nos enxergar claramente em suas palavras. Para ler, reler e refletir. Recomendo fortemente a leitura.