Eugénia Kraft percorre, nas páginas de um diário, os exigentes passos da vida nos seus encontros e desencontros. Trata-se de uma história de recomeços, numa re-elaboração de camadas de sentido.
«Tenho sempre dificuldade em responder à pergunta sobre o “tema” do livro. De que trata, afinal? Bem, não sei se há um “tema” mas, na minha cabeça, a Eugénia Kraft trata de sabermos recomeçar, trata da vida quando ela vai a meio e trata sobretudo do difícil encontro entre a fé e a razão. Penso que qualquer bom recomeço na vida tem de partir de um abraço entre a fé e a razão. A razão dá-nos sentido crítico mas a fé abre-nos o coração a algo maior que nós mesmos. Creio que sem um qualquer destes lados (sem a fé ou sem a razão) a vida fica coxa e arrogante. Mas também estou convencido de que não há abraço entre os dois enquanto cada um não deixar o seu autoconvencimento e mania da superioridade e não aceitar “morrer” um pouco para deixar espaço ao outro» (do Posfácio).
Nuno Tovar de Lemos, s.j. nasceu em Lisboa, em 1960. Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico e em 1984 entrou na Companhia de Jesus. Estudou Teologia nos Estados Unidos (tendo o grau de Master of Divinity pela Weston School of Theology de Cambridge) e na Universidade Gregoriana, em Roma, onde se licenciou em Teologia Fundamental. Foi ordenado sacerdote em 1995 e durante 20 anos dedicou-se sobretudo à pastoral universitária em Braga, Coimbra, Porto e Lisboa. É autor de O Príncipe e a Lavadeira – histórias simples para falar de Deus e de nós e Textos para Rezar – 24 textos do Evangelho com comentários e sugestões para a oração. Atualmente vive em Portimão e trabalha na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo desta cidade.
Um livro sobre recomeços em Janeiro, o timming não podia ter sido melhor.
“(…) Mas há pessoas que apaguei porque não me fizeram bem e sei que, se voltar a estar com elas depois da Eugénia, voltarão a não me fazer bem. Às vezes nem é por culpa minha ou delas, é assim mesmo: tal como há substâncias químicas que desencadeiam determinada reação corrosiva quando se encontram, assim também entre as pessoas.”
‘Chama-se perdão. Eu insisti e perguntei o que fazíamos à pedra, se a levávamos connosco montanha acima até à morte. Ela respondeu que o perdão de Deus era como se Deus pedisse: Passa para cá essa pedra pesada que tens na mochila, e corre para o futuro, o que quer que tenha acontecido no teu passado. E levava ele a pedra.’
‘O problema não é a falta de tempo; é termos as prioridades trocadas.’
‘Por vezes o que nos dá mais força não é o amigo de ferro, mas aquele que partilha connosco as suas lágrimas.’
nem de propósito… veio mesmo a calhar lê-lo nesta fase. a quantidade de vezes que desmotivamos e que nos focamos nas coisas más que nos vão acontecendo e menosprezamos as coisas boas… as coisas boas e as coisas más vão estando cá sempre, é urgente aprendermos a aceitá-las e a gerir expetativas.
ao longo do livro, consegui rever-me a vários níveis no conto descrito… as peripécias das relações: a importância da confiança, da comunicação, da honestidade e do equilíbrio. cada caso é um caso, mas consegui retirar MUITOS ensinamentos deste livro. aprender a recomeçar quando é necessário: cada um com os seus recomeços, com as suas situações, com o seu ritmo mas, acima de tudo, recomeçar com “autenticidade e coerência nas nossas buscas”.
ajudou-me muito lê-lo. há frases concretas que me dizem mesmo o que precisava de ler neste momento. gostei bastante e li-o num instante! aconselho vivamente :)
estas foram algumas frases que acabei por deixar sublinhadas:
“E tem-me feito muito bem escrever. Mesmo que não adiante nada em relação ao futuro, sinto que me ajuda arrumar as ideias no presente.”
“A imagem que sempre me vem é a de um homem a subir uma montanha com uma pedra às costas dentro da mochila. Esse homem sou eu, claro. Numas fases a pedra pesa mais, noutras pesa menos… mas está sempre lá.”
“O problema da fé é que ela é a base de tudo e quando a perdemos não fica nada. Eu perdi a fé em ti. E sem fé não sou capaz de te amar.”
“Vim até à capela (…) Não sei bem o que me fez vir cá (…) Dá-me muita calma este local.”
“acho que ele está sempre a viajar para não enfrentar a necessidade de pensar na vida e recomeçar à séria. Viaja para fora para não recomeçar por dentro. E o mesmo no amor.”
“é difícil pôr um ponto final, dizer já está, não lhe toco mais, fica assim mesmo. (…) tinha era de estar a enviar um produto inacabado. Ainda agora tenho essa sensação. Como se tirasse do forno um pão antes de ele estar totalmente cozido.”
“Eugénia Kraft tem, em si, muitas camadas sobrepostas (…) A capa reflete isso mesmo. Foi feita com base numa pintura a óleo do Diogo Guerra Pinto (…) vai sempre sobrepondo camada sobre camada, na busca quase incessante de algo melhor que há de surgir.”
“Também na vida só se pode ver e tocar a última camada, a do presente. Mas tudo o que já vivemos - alegrias, dores, sucessos, becos sem saída e até passos de que depois nos arrependemos - tudo isso está lá por detrás a dar textura, corpo e matizes ao modo como encaramos a vida no presente.”
Decidi voltar a este livro 3/4 anos depois de o ter lido e a última página conseguiu dar cabo de mim como se fosse a primeira vez. Acho que é o livro que já mais recomendei e que vou continuar a recomendar o resto da vida :)
“Como se as viagens mais importantes não fossem aquelas em que não precisamos de sair do mesmo sítio!”
Uma história simples, que poderia ser a de qualquer um. A importância de viver, crescer, recomeçar sempre que necessário, em qualquer altura da vida.
"viver cada dia normalmente. Não alterar nada. Viver cada instante como se fosse o do meio, não o último. E depois viver o que vier com a mesma confiança. O último já não será cá..."
Livro espetacular!! A escrita é muito fluida e sem rodeios, mas ainda assim bastante bonita e trabalhada. O enredo está minuciosamente pensado e é capaz de nos fazer relacionar, enquanto leitores, com as personagens, as suas vidas, medos e infortúnios. Ainda que não seja esse o propósito do livro, penso eu, tem a carga ideal de mistério sobre o que vai acontecer. Recomendo muito!
Gostei, no fundo gostei. Da história em si? Também. Mas gostei particularmente da rapidez com que se lê, da leveza da escrita o que, claro, agarrou-me imenso ao livro. É uma história pouco composta, pacata eu diria, do quotidiano. Mas ao mesmo tempo não. Fala pouco de religião oh pelo menos pouco diretamente, não sei se gostei disso, gostei do facto de nunca ter lido algo que fala indiretamente deste tema. Tenho certas dúvidas à cerca da minha opinião sobre este livro. Não me pede uma releitura, está lido, é daqueles livros. Lemos uma vez e está lido, no máximo duas, se tanto.
A beleza do mundo de um crente, também se vê aqui, num olhar atento que escuta a vida e a transporta além de pregar com clarividência. A beleza que retrata um quadro Barroco, que transporta em si uma imensidão de significados numa realidade morta. A vida que se vive no que ressoa em quem lê. Assim escolho traduzir a beleza e gosto que foi para mim ler até livro, na fase de recomeço que me acompanhou.
Uma história leve e que pode ser sobre a vida de qualquer um de nós. Fala de recomeços quando a vida já seguiu um rumo e que subitamente nos leva por outro trilho que não contávamos. Nem melhor, nem pior… diferente,sim, do que se idealizou. Fala de fé, e de como tem um “peso” tão grande nestes recomeços … guia-nos e dá-nos a força que precisamos … já não temos medo
Escrita muito agradável e fluída … lê-se num fôlego
Livro ideal para ter lido nestes últimos dias, uma história sobre recomeçar e sobre liberdade. Adorei as personagens e os seus traços. Para ler a tirar notas :) muito bom