O Curso Bíblico, elaborado há anos por Dom Estêvão Bettencourt, tem sido indispensável a tantas gerações daqueles que procuram uma sólida formação na fé da Igreja. De acordo com o desejo do próprio Dom Estêvão, foi profundamente reelaborado e atualizado, quanto aos ganhos da exegese e teologia mais recentes, por Maria de Lourdes C. Lima, cuja competência exegética e abertura teológica, na diretriz de Dom Estêvão, nos levam à orientação do Concílio: “Para entender bem o que Deus nos quis comunicar, o intérprete deve buscar com cuidado o que o hagiógrafo quis dizer e o que aprouve a Deus manifestar com as suas palavras” (Dei Verbum 12,1).
O Curso Bíblico Mater Ecclesiae enfrenta o duplo desafio de tornar acessível o mistério da Palavra de Deus e de contextualizar os resultados da exegese moderna na abençoada abertura teológica de Dei Verbum. Ambos autores são de alta competência para nos introduzir no mundo das Escrituras Sagradas e no desígnio divino, sem ceder aos aplausos fáceis de um populismo que arrisca trair a sagrada tarefa de ler a Palavra de Deus, divina, em suas formas sempre humanas.
Jesus não mandou nem escrever nem ler, mas testemunhar e ouvir. Com isso, a Bíblia em nada deve perder sua normatividade para a fé da Igreja. Todavia, ela é colocada na Tradição, que vinha dos apóstolos, lhe é anterior. Com o nascer da Igreja, o anúncio recebeu também sua forma escrita, na qual a Revelação continua viva e apela à audição pela fé da Igreja.
Tanto a Tradição apostólica como a Escritura tem por mensagem o insondável mistério de Deus e a salvação da humanidade. Sua destinatária é a Igreja, povo de Deus, e, através da Igreja, o mundo. Por isso, só para quem lê a Escritura com a Igreja, e na fé da Igreja, começa e continua a resplandecer “o conhecimento da glória de Deus que se reflete na face de Cristo” (2Cor 3,6; cf. DV 2).
Dito com o Papa Bento XVI: A exegese bíblica não quer exaurir-se em hipótese históricas sempre novas, mas, sem renunciar ao rigor histórico, deve abrir-se a uma hermenêutica da fé que fecunda e completa a visão histórica. Esta hermenêutica teológica “leva responsavelmente em consideração as razões históricas que permanecem incluídas nesta mesma fé” (Bento XVI, Jesus de Nazaré, Introdução).
Nesta estrada coloca-se o presente livro: quer conduzir a ler e estudar as Escrituras à luz da fé que é estudar as Escrituras à luz da fé que, mediante a Tradição apostólica, vem de Jesus Cristo. Dessa forma, a profundidade da compreensão da revelação cresce em nós, o próprio “Espírito Santo aperfeiçoa constantemente a fé com os seus dons” (DV 5) e se cria assim a comunidade eclesial em sua fé viva e operante. Podemo-nos felicitar com esta obra que orienta para uma compreensão mais profunda e mais completa da Sagrada Escritura.
Dom Karl Josef Romer Secretário Emérito do Pontifício Conselho para a Família
Dom Estêvão Tavares Bettencourt, OSB, nascido como Flávio Tavares Bettencourt, foi um monge e sacerdote católico, e é um dos mais destacados teólogos brasileiros do século XX.
Ótima introdução ao estudo da Bíblia, abordando os principais pontos de cada livro da Bíblia com ótimos exercícios de fixação. Lembrando que trata-se de uma obra com o viés católico.